De volta para o futuro

Lacte prova que é possível inovar dentro de um cenário crítico e destaca tendências para o segmento corporativo

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Gustavo Elbaum, Roberta Moreno e Larissa Licatti na abertura do evento

Inovação é algo que caminha lado a lado com o segmento corporativo. Essa premissa ganhou contornos reais durante o L²acte², evento promovido pela Associação Latino-Americana de Gestão de Viagens (Alagev). Em sua 16ª edição, a sigla ganhou a companhia de sobrescritos para reforçar o potencial transformador do encontro.

Foi o capítulo final de uma jornada de capacitação iniciada em 2020. Ou melhor, foram três capítulos finais, já que o evento híbrido foi realizado durante três tardes, cada uma com direito a temática exclusiva – Viagens Corporativas, Mice e Mobility & Beyond. Organizado em conceito multihub, o Lacte 2021 teve dois palcos com transmissão simultânea, instalados no Club Med Lake Paradise (SP) e no Club Med Rio das Pedras (RJ).

Logo na abertura, Roberta Moreno comemorou a possibilidade de reencontro para debater as transformações do setor, ainda que de forma semipresencial. “Vamos falar da potência transformadora que nos reúne, dos negócios e reconhecer nossas vitórias para celebrar, sabendo que o show tem de continuar”, disse a presidente da Alagev. No total, 2,6 mil pessoas passaram pelo evento.

Confira cinco temas e tendências sinalizados nos painéis!

Consultoria e ajustes na política de viagens

Moderado por Trícia Neves, da Mapie, o painel patrocinado pela Air Europa debateu as novas exigências do gestor de viagens em um universo transformado pela covid-19. É inegável que a pandemia mexeu com a zona de conforto, como pontuou Marcel Frigeira, gestor de viagens para América Latina na IBM. Por outro lado, a crise trouxe oportunidades para o gestor reforçar seu protagonismo. O ponto de partida, na visão do executivo, é estar próximo dos clientes para identificar suas “dores e necessidades” nesse momento.

Esse movimento ganha força com a aceleração de processos tecnológicos e com a adoção de reuniões por videoconferência que deixam tempo para o gestor assumir o papel de consultor. O fato de as viagens estarem suspensas no momento, reduzidas às extremamente essenciais, torna esse planejamento possível.

Andrea Matos, gestora de viagens da Ebanx, lembra que o momento também é propício para fazer os ajustes necessários nas políticas de viagens, adequando-as aos novos tempos. Ela explica que o bleisure evoluiu para o que chamou de “viagens sem rótulo”, que podem combinar diferentes propósitos, sob a premissa de que a conectividade permite trabalhar de qualquer lugar.

Storytelling para eventos

A habilidade de engajar os espectadores e transmitir conteúdo por meio da combinação de enredo elaborado, narrativa envolvente e recursos audiovisuais chegou de vez aos eventos. O tópico foi assunto para Álvaro Real, diretor da Bravart, empresa especializada nesse segmento. Ele explica que é necessário criar um mapa do palco e roteirizar toda a programação, tendo em mente três questões principais.

Colocar a audiência no centro é primordial, analisando o público-alvo e considerando idade, bagagem, profissão, faixa etária e o nível de conhecimento em relação ao tema abordado, o que irá determinar a profundidade do conteúdo. Em seguida, vem o planejamento narrativo, ou seja, o contexto, incluindo o assunto principal e os desdobramentos que serão tratados. Por fim, há a aplicação do storytelling, o que requer identificar as técnicas que serão utilizadas para envelopar o conteúdo, gerando sensações na plateia – seja ela física ou virtual.

Aliás, o fortalecimento dos eventos virtuais e híbridos trouxe uma questão importante para os organizadores de evento, que foi lembrada por Real. “Com a digitalização, passamos a lidar com uma audiência bastante diversa, o que nos leva a ter de redobrar a atenção com a comunicação não agressiva para evitar desconexão”,  alerta.

Mindset empreendedor

Caio Casseb, cofundador da Scoop & Co e da Descola, liderou um painel com dicas para se manter relevante em um cenário dominado pelo digital. O segredo, para ele, está em manter (ou construir) um mindset empreendedor. “Isso tem mais a ver com postura do que com conhecimento técnico”, adianta, reforçando que não é preciso empreender, de fato. Essa mentalidade, na opinião do profissional, está relacionada à atitude flexível e aberta ao novo, comum aos empreendedores, que não se importam em modificar condutas para alcançar um objetivo.

Profissionalização

Eduardo Murad, executivo que ocupava a direção executiva da Alagev durante o evento e, hoje, faz parte do time do Grupo R1, moderou um painel com foco no segmento Mice. Rogério Miranda, sócio-fundador da Inteegra; Raffaele Cecere, presidente do Grupo R1; e Juliana Aranega, líder de Eventos e Comunidades da Imaginadora, participaram do debate que ressaltou a importância dos dados para gerenciamento dos negócios e obtenção de melhores resultados.

Cecere destacou a profissionalização como ponto essencial para atingir os resultados traçados no planejamento dos eventos. O Grupo R1 se adaptou rapidamente à nova realidade, com parcerias que permitiram a criação de salas de streaming e estúdios para a realização de eventos virtuais e híbridos, com tecnologia de última geração. “Ajudar os clientes foi nosso propósito, mas é preciso profissionalização. Nós promovemos eventos híbridos em hotéis, tivemos o cuidado de montar estúdios nessas estruturas e não em galpões, para garantir o mínimo em termos legais, como alvarás de funcionamento”, detalha o líder da R1.

Aprendizados

Ainda que seja complicado traçar o futuro do segmento, as lideranças da Alagev reforçaram a possibilidade de debater os aprendizados para imaginar cenários futuros. Esse exercício tem como ponto de partida as hipóteses formuladas pelo mercado e os debates com profissionais do segmento e tomará contornos reais com o documento que está sendo formatado pela associação.

 “Estamos criando o material, de forma colaborativa, para delinear as prioridades dentro das corporações e as lições aprendidas pelos gestores nesse período”, resumiu Rodrigo Cezar, gestor de Eventos e Viagens para Brasil e América Latina da Roche. “Nosso desejo é que o material seja usado pelas empresas para debates internos, guiando decisões e oferecendo subsídios para outros stakeholders”, completou Gustavo Elbaum, diretor financeiro da Alagev.

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