Dinheiro no parque

Historicamente a visitação de nossos parques conta com a exuberância natural dos biomas, mas na prática contam com baixíssimos recursos

Parque - familia

É impressionante como o investimento em infraestrutura de parques tem o poder de transformar a vocação turística de regiões. Fora do Brasil, nos países considerados desenvolvidos, qualquer pedacinho de natureza é aproveitado como produto turístico de alto potencial.

Nós, brasileiros, que temos uma natureza exuberante na maior parte do nosso território, com biomas diversos, fauna e flora riquíssimos, até nos surpreendemos como os países estrangeiros se empenham em oferecer tanta estrutura para mostrar algo que para nós parece muito pouco. Mas não é. A natureza é um ativo cada vez mais valioso e valorizado e não deveríamos menosprezar.

Obviamente com exceções, historicamente a visitação de nossos parques conta com a exuberância natural dos biomas em que estão inseridos, com o esforço das pessoas e organizações dedicadas, mas na prática contam com baixíssimo recurso financeiro, pouca governança e estrutura de turismo e ainda menor é a geração de valor para as comunidades do entorno.

Desde o ano passado, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vem trabalhando para entender os desafios das concessões de parques e concessões florestais e identificou que um dos grandes obstáculos é a dificuldade de acesso ao crédito pelo tanto de garantias exigidas nessas operações.

No início de fevereiro lançou um programa para financiar essas concessões de parques naturais e urbanos, além de concessões florestais. Também apoiará investimentos que ampliem a governança sobre as áreas, com, segundo o próprio banco, objetivo de contribuir para a redução de desmatamento, a conservação e a educação ambiental.

Com orçamento de R$500 milhões disponíveis aos concessionários responsáveis por concessões federais, estaduais e municipais, o BNDES entende que estimulará o desenvolvimento econômico e turístico das regiões no entorno desses parques. O programa financiará até 80% dos investimentos e terá prazo de pagamento de até 300 meses (até 96 de carência).

Essa iniciativa é importante pois descentraliza os investimentos no setor e permite que o turismo sustentável ocorra na sua melhor interpretação. Propõe desenvolvimento econômico e social com preservação ambiental. Essa é uma oportunidade real para o setor de turismo, tão machucado nos tempos de pandemia.

E oportunidades não vêm sem necessidade de inovação. Os serviços precisam ser melhores, a segurança das pessoas deve ser prioridade, a confiabilidade dos produtos garantida. Nada disso ocorre sem incluir as comunidades.

Está mais do que na hora de o mercado aprender a bater na porta dos anfitriões, sejam comunidades, cidades, ou pessoas, pedir licença para entrar e convidar para o banquete, que são os impactos positivos dessa atividade. Não há espaço para turismo sem limites, que deixa destruição, lixo e exclusão. Tudo isso só vai funcionar se a geração de valor for para todos. Senão não há investimento ou dinheiro no parque que baste. Pense bem.

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