Diversidade & Inclusão na prática: O que os clientes corporativos já têm feito?

Diversidade & Inclusão na prática

Diversidade & Inclusão na prática é a proposta do episódio de hoje. Afinal, o que os clientes corporativos já têm feito para criar ambientes mais diversos e inclusivos? Confira a entrevista com Julia Brito, gestora da Cargill Brasil (abaixo das imagens). No canal do YouTube, o bate-papo enriquecedor tem participação de Rodrigo Cezar, gerente de Viagens e Eventos da Roche Farma, e de Leandro Ferreira, gestor de eventos de uma das unidades de negócios da DSM e líder regional do grupo LGBT+.

Vale lembrar que nas empresas em que a diversidade e a inclusão são reconhecidas e praticadas, a existência de conflitos chega a ser 50% menor do que nas demais organizações. Os colaboradores estão 17%mais engajados e têm desempenho 50% maior do que os demais. Os dados são de uma pesquisa feita pela Hay Group com 170 empresas brasileiras.

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Inclusão deve abarcar também aspectos socioeconômicos

Julia Brito

Julia Brito destaca Diversidade & Inclusão na prática da Cargill Brasil e defende a análise de questões socioeconômicas para contratação, especialmente quando as vagas são para jovens aprendizes, estagiários e trainees.

“Por experiência, acredito que o comprometimento de profissionais que precisam trabalhar para pagar os boletos no final do mês, pode ser diferente do comprometimento de um profissional que tenha uma família que possa suportá-lo financeiramente. Minha sugestão para as empresas seria ter um olhar para estes perfis vindos de escola pública, evitando um pouco aquele padrão típico de trainee que vem de universidades renomadas, já morou fora do País e fala vários idiomas”, aponta.

Confira a entrevista completa!

Luanny e Paulo – Quais são as ações afirmativas que a empresa já fez ou está fazendo para a construção de um ambiente mais inclusivo?

Julia – Felizmente posso dizer que sou uma pessoa de sorte por trabalhar em uma empresa que tem um programa global de diversidade e inclusão que conta, inclusive, com vários comitês de colaboradores em vários países. Em 19 de fevereiro de 2020, a Cargill realizou o primeiro dia global da inclusão e diversidade, com ações em diversos países. A empresa também foi a primeira no País a ter um programa exclusivo de contratação de profissionais Trans. Além de diversas outras atividades e fóruns de discussão que promovem o tema.

 Luanny e Paulo – Você tem visto o resultado efetivo dessas ações no dia a dia da corporação?

Julia – Os resultados estão começando a aparecer, mas não com a velocidade que gostaríamos. Acredito que ainda tem muito trabalho a ser feito.

Luanny e Paulo – O que você aprendeu quanto ao tema que você não pensava antes?

Julia – Nossa… Aprendi muita coisa, faço parte do comitê Pride que trata da inclusão de profissionais LGBTQI+ e tive um treinamento muito enriquecedor, inclusive sobre formas de abordarmos  perguntas que parecem inocentes (status de relacionamento, por exemplo), mas que fazem muita diferença.

Luanny e Paulo – A sua forma de liderar mudou de alguma forma depois que essas ações foram realizadas na empresa?

Julia – Muito! As pessoas estão tomando consciência da importância do assunto.

Luanny e Paulo – Como a estratégia de ser uma empresa mais inclusiva impacta na área de viagens e eventos?

Julia – No geral a área de viagens e eventos já saiu um pouco na frente no que se refere à contratação de profissionais com diversas orientações sexuais. Mas ainda há um trabalho grande a ser feito no que se refere aos aspectos socioeconômicos, pois sabemos que, infelizmente, há agentes de viagens que nunca pisaram em um avião e precisam ter um excelente conhecimento de toda a indústria.

Luanny e Paulo – Grandes empresas estão colocando nas exigências a contratação de fornecedores que também tenham programa de D&I. Você acredita que isso seja uma tendência?

Julia – Eu acredito muito nesta tendência inclusive acho que falando em viagens e eventos, algumas ações feitas no passado podem ajudar bastante a tornar um ambiente diverso e inclusivo, como as viagens educacionais por exemplo.

Luanny e Paulo – Você tem sugestões e dicas para empresas do nosso setor que queiram começar a implementar ações afirmativas para criar um ambiente mais inclusivo?

Julia – Na minha opinião, o tema da diversidade e inclusão deveria também tratar questões socioeconômicas. Por experiência, acredito que o comprometimento de profissionais que precisam trabalhar para pagar os boletos no final do mês, pode ser diferente do comprometimento de um profissional que tenha uma família que possa suportá-lo financeiramente. Principalmente se estamos falando de jovens aprendizes, estagiários ou trainees.

Minha sugestão para as empresas seria ter um olhar para estes perfis/currículos vindos de escola pública, tentem saber um pouco mais sobre  o grau de formação dos pais e condições sociais. Evitando um pouco aquele padrão típico de trainee que vem de universidades renomadas, já morou fora do País e fala vários idiomas. Me entendem?

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