Do luxo à necessidade: conheça as opções brasileiras para o turismo de bem-estar

Turismo de bem-estar ganha força durante a pandemia e deve se consolidar no pós-crise; operadoras e hotéis reforçam produtos e serviços focados nessa proposta

Turismo de bem-estar

*Por Ana Azevedo e Felipe Lima

A chegada da pandemia transformou a vida de muitos em um caos. Adaptações corporativas e acadêmicas foram necessárias, enquanto o lazer rotineiro teve de ser colocado em segundo plano. Obviamente, as mudanças que ocorreram de modo brusco vieram acompanhadas de esgotamento e demandaram cuidados maiores com a saúde física e mental.

Neste cenário, uma vertente de viagens começa a ascender e deve explodir no pós-pandemia: o turismo focado em bem-estar. O nicho foi avaliado em US$ 639 bilhões, em 2017, e deve chegar a US$ 919 bilhões – 18% de todo o turismo global – até 2022. Os dados foram divulgados pela Wellness Tourism Association (WTA), em julho do ano passado.

Ao abordar as principais motivações para viagens quando a pandemia acabar, a WTA identificou o desejo por sentir-se rejuvenescido (38%); fugir do cotidiano (26%); sentir-se melhor (24%); conectar-se com a natureza (24%); obter paz e sossego (21%); e aprender a melhorar a saúde (17%). O questionário foi respondido por cerca de 4 mil pessoas em 48 países, entre abril e junho de 2020.

A visão da entidade é compartilhada por profissionais do ramo e a aposta em um crescimento robusto é unânime entre os consultados. Para Talita Silvério, fundadora e diretora-geral da Amman Consultoria de Spas, 2020 foi um divisor de águas e colocou o bem-estar em um patamar de item essencial. “O bem-estar tornou-se imprescindível para a vida humana e uma resposta às mudanças sociais atuais, já que se traduz na busca por um novo conceito de vida saudável e equilibrada. É tudo o que procuramos após meses de isolamento social”, contextualiza.

Talita Silvério

Simone Scorsato, CEO da Brazilian Luxury Travel Association (BLTA), explica que os viajantes deste perfil optavam por viagens ao exterior e compravam atividades mais massificadas até 2019. “Agora, coincidindo com as pesquisas de mercado, a tendência é a promoção de experiências mais exclusivas, porque a massificação não é boa nem para o turista e nem para o meio ambiente. As pessoas estão mais conscientes e querem consumir menos, mas melhor. A questão é se a oferta está preparada”, pontua.

Simone Scorsato

CONCEITOS SUBJETIVOS

Gabriela Otto, fundadora da GO Consultoria e especialista no segmento de hospitalidade, defende a necessidade de desvincular o bem-estar do luxo pelo fato de serem conceitos subjetivos que não estão, necessariamente, vinculados. “Bem-estar é sentir-se bem e isso pode acontecer tanto durante um tratamento com máscara de ouro em um spa da melhor bandeira hoteleira existente ou em uma experiência simples de contato com a natureza”, pontua.

Gabriela Otto

De olho nos efeitos da pandemia, o instituto Ipsos, em pesquisa para Fórum Econômico Mundial, constatou a piora da saúde mental a nível global. A situação se mostra mais alarmante na Itália (54%), Brasil (53%), Hungria (56%), Chile (56%) e Turquia (61%). O estudo foi conduzido em plataforma online, entre 19 de fevereiro e 5 de março de 2021, e analisou o depoimento de 21 mil pessoas (das quais mil são brasileiras) entre 16 e 74 anos. Os dados apontam, ainda, que cerca de 45% da população dos países entrevistados espera voltar à normalidade neste ano e 41% acham que vai ser necessário mais tempo.

“Com a covid-19, tendências que vinham timidamente alterando nosso comportamento ganharam velocidade. Mais pessoas estão à procura de alternativas, se conscientizando em relação à importância das soluções integrativas, incluindo meditação, suplementos funcionais e até soluções para dormir melhor, já que estão enfrentando diversos desafios relacionados à saúde mental”, pontua Talita.

Segundo o anuário da BLTA de 2019, o spa foi a segunda maior demanda entre os hóspedes e viajantes, atrás apenas da gastronomia. Em terceiro lugar, aparecem as atividades voltadas ao relaxamento físico e mental.

OS MAIS PEDIDOS

A formatação de roteiros que promovem contato com a natureza em destinos remotos e com apelo natural e histórico-cultural está no DNA da Auroraeco. Com abrangência global e foco em viagens personalizadas, a operadora preza pela qualidade e conforto das acomodações oferecidas, o que resulta em um tíquete médio mais alto.

Guilherme Padilha

O portfólio reúne retiros e SPAs, além de viagens de bicicleta, trilhas, barcos, caminhadas, formatos para grupos familiares, casais ou aventureiros solos. Segundo Guilherme Padilha, CEO da empresa, o bem-estar é inerente aos diferentes modelos e segue a demanda do cliente.

“Só trabalhamos com hotelaria independente, em estabelecimentos com até 40 quartos, que promovam o turismo responsável e estejam preocupados com a pegada ambiental e cultural. Acreditamos que o contato mais próximo, a exclusividade de estar em um lugar remoto é transversamente o oposto de estar hospedado em um hotel com 500 quartos”, exemplifica.

Em território nacional, Padilha aponta a Amazônia, o litoral do Piauí e do Ceará como destinos com potencial de desenvolvimento qualitativo nesse sentido. “O crescimento precisa ser sustentável, para atrair o público desejado e outros perfis que se adequem à dinâmica responsável, evitando a desordem e a concentração de renda nas mãos de alguns players. Defendemos que 70% da receita da viagem deva ficar no destino e acredito que os locais, principalmente os que estão ligados à natureza, têm muito a aprender nesse sentido”, pontua.

Tomas Perez, presidente da Teresa Perez Tour, acrescenta à lista destinos que conseguem unir a qualidade na estrutura, serviços focados em relaxamento e ambientes que permitam o teletrabalho. Na opinião do executivo, os Lençóis Maranhenses (MA), Chapada dos Veadeiros (GO), a região dos cânions do Rio Grande do Sul, Alter do Chão (PA), a Amazônia e as cidade localizadas nos biomas do Cerrado e Pantanal vêm sendo redescobertos pelo público brasileiro.

No quesito bom desempenho em vendas, os destaques ainda estão restritos a marcas internacionais. Perez cita os estabelecimentos das redes Six Senses, Aman Resorts, Como Hotels & Resorts, além de propriedades como Villa Stéphanie (Alemanha), Lefay Resort Lago Di Garda (Itália), Palmaia House of Aya (México); SHA Wellness Clinic (Espanha) e Ananda in the Himalayas (Índia).

Ele afirma, entretanto, que a infraestrutura e qualidade dos serviços no Brasil têm apresentado melhora nos cinco últimos anos. “Ainda há diferenças, até mesmo pelo tempo que os conceitos de wellness são aplicados internacionalmente. Mas notamos grandes marcas chegando ao Brasil, como o Six Senses Botanique, e uma preocupação muito maior dos hotéis brasileiros em proporcionar experiências que antes só eram encontradas no exterior”, frisa.

Uma edição da revista The Traveller, produzida pela Teresa Perez, destaca cem experiências de viagem, com indicações de atividades de bem-estar para todos os perfis, seja em contato com a natureza, slow travel, viagens ativas ou focadas na sustentabilidade e na consciência ambiental. “No nosso portfólio de hotéis há sempre o destaque para essas vivências em todos os lugares do mundo. A demanda é grande e estamos sempre atentos às novas tendências”, reforça.

Outra operadora que oferece serviços dedicados ao bem-estar é a Interep. Cynthia Rodrigues, diretora da empresa, explica que há potencial para crescimento da região Sul e em Minas Gerais neste segmento. Capim do Mato Pousada & Spa by L’Occitane (MG), Lapinha Spa Hotel (PR), Kurotel Centro Contemporâneo Spa e Bem-Estar e Hotel & Spa do Vinho Autograph Collection (RS) são as apostas da executiva.

Cynthia Rodrigues

A valorização de tratamentos com assinatura – by Caudalie, by Sisley, by L’Occitane – aliada à infraestrutura do hotel, localização, gastronomia e tipo e acomodação são pontos que, segundo Cynthia, ajudam a complementar a experiência do hóspede. “Para quem busca estadas curtas para escapadas de fim de semana, o Palácio Tangará, Unique Garden e Six Senses Botanique são muito procurados. Txai Resorts, Nannai Muro Alto e Carmel Taíba também estão entre os hotéis e SPAs mais vendidos”, evidencia.

AUTOCONHECIMENTO E EXPERIÊNCIAS

Roberto Sanches, diretor de Vendas da Orinter Tour & Travel, também aponta os hotéis próximos aos grandes centros urbanos – especialmente São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais – como os “top sellers” para viagens de curta distância focadas em bem-estar. A estada média, segundo ele, varia de um a quatro dias.

Roberto Sanches

“Isso acontece porque algumas pessoas já não estão mais 100% em home office. Elas conseguem dar uma escapada para relaxar, mas têm de estar próximas para o caso de precisar voltar à empresa. O turismo de lazer, por si só, já tem um aspecto de bem-estar e os hotéis estão oferecendo cada vez mais recursos para experiências que promovam reenergização. Algumas propriedades conquistaram até turistas internacionais pela exclusividade, como o Lake Vilas Charm Hotel & SPA em Amparo”, destaca, revelando que o perfil majoritário é formado por viajantes a partir dos 40 anos e grupos familiares.

Atuando desde 2016, a Joy Tour Viagens & Turismo promove retiros com grupos de até dez pessoas em Cesário Lange e Mairiporã, no interior paulista. A programação que ocorre durante um final de semana é focada no autoconhecimento, em programas ministrados por Marcelle Candil, CEO e coach da agência.

Marcelle Candil

“Nos roteiros focados em bem-estar eu trabalho terapias e foco no autoconhecimento, porque acredito que as viagens são transformadoras e as sessões de coach potencializam isso”, afirma. A CEO declara que há planos para expandir a prática para destinos no exterior, em locais como Jerusalém, para períodos de até uma semana.

O cronograma atual visa realizar duas reuniões por ano, no entanto, por conta da pandemia, o calendário está passando por mudanças. “A conexão que é gerada durante a prática, além do próprio autoconhecimento, é transformadora e o feedback dos praticantes é muito positivo. É um momento de reflexão que gera bem-estar”, relata.

DE EXPECTADOR A PROTAGONISTA

Longe dos spas, a Vivalá opera roteiros focados em vivência no destino, cultura e natureza por meio do turismo sustentável. A experiência de quatro a nove dias está disponível em comunidades no Rio Negro, no Amazonas; Rio Tapajós, no Pará; e Lençóis Maranhenses, e incluem confecção artesanal de cosméticos, alimentos e bijuterias com ensinamentos ministrados por nativos da região. Há, ainda, imersão na natureza com trilhas, passeios de barco e degustação de pratos típicos.

Daniel Cabrera

“São experiências muito intensas e profundas e a gente recebe feedbacks muito positivos, com clientes afirmando que desejavam exatamente sair do papel de expectadores. Durante a pandemia, entendemos que o conceito do que fazemos, de unir a natureza, comunidade e voluntariado é mais do que volunturismo; é turismo sustentável e pode ser feito por qualquer pessoa”, ressalta Daniel Cabrera, cofundador e diretor-executivo da Vivalá.

Os pacotes disponíveis incluem alimentação, deslocamento e estada no destino e são indicados para pessoas a partir de 18 anos. Cabrera relata que sua cliente mais velha tem 81 anos e é viajante. Antes da viagem acontecer, o turista recebe um treinamento virtual da Vivalá, com conteúdo sobre a região que será visitada. No decorrer da experiência, um guia da operadora faz o acompanhamento.

Ele aponta que, conforme o calendário de vacinação contra a covid-19 avança, é possível observar o crescimento na busca pelo serviço por pessoas acima de 50 anos. Além disso, opções de pacote para 2022 estão sendo preparadas e novos destinos – que devem entrar no portfólio nos próximos 12 meses – estão em tratativas, dentre eles a Chapada dos Veadeiros (GO), Chapada da Diamantina (BA), aldeias indígenas no Acre e o Geoparque Seridó (RN).

“Nosso objetivo não é ter cem comunidades no Brasil no portfólio em um ano, mas expandir de acordo com a nossa capacidade. Mais vale estar em poucos lugares, proporcionando imersão e qualidade, do que em muitos com superficialidade e programas que não impactam a vida das pessoas. Estamos em negociação com novos destinos de operação, em parceria com a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Queremos valorizar a cultura indígena e proporcionar melhora na qualidade de vida”, enfatiza.

COMPLEMENTO EM SPAS

Ameaças e incertezas despertaram preocupações, fobias e sequelas psicológicas em toda a sociedade, incluindo a ansiedade, o medo, o estresse crônico, a síndrome do pânico, depressão, entre outros, conforme declara Lorena Trindade, diretora de Marketing do Rituaali Clínica & Spa.

Lorena Trindade

“Ciente de que havia muitas pessoas em sofrimento por motivos diversos relacionados à pandemia, a direção do Rituaali decidiu agir. Ficamos apenas um mês e meio com as atividades paralisadas e logo reabrimos as portas com um propósito maior: ajudar as pessoas a passar por essa situação da melhor forma possível”, declarou.

A clínica conta com uma equipe completa de médicos e outros profissionais da saúde, sendo considerada referência no segmento, antes mesmo da pandemia. Apesar de carregar o termo “spa” no nome, Lorena reconhece que a palavra acabou sendo banalizada. “Consideramos que o nosso público busca algo muito mais profundo do que somente estética e emagrecimento rápido. Proporcionamos um tratamento holístico e preventivo por meio da medicina do estilo de vida”, relata a diretora.

Ela relembra que, em 2020, a procura aumentou consideravelmente, a ponto de ser necessário criar uma lista de espera para o segundo semestre. A base de clientes é formada principalmente por mulheres (65%), com faixa etária entre 35 e 65 anos, principalmente de São Paulo e do Rio de Janeiro.

“Proporcionar saúde e bem-estar para cada vez mais pessoas é o nosso principal objetivo. Quanto mais pessoas tiverem suas vidas transformadas para um estilo de vida mais saudável, melhor. Pensando nisso, temos a intenção de lançar algo em formato digital para que possamos transmitir a nossa mensagem e o nosso conhecimento para um número ainda maior de pessoas”, avalia. A clínica pretende expandir a estrutura, incluindo mais cinco chalés, e ampliar áreas comuns, como quadra de areia, spa e restaurante.

Francesca Giessmann

“Nosso público já procurava a Lapinha, pois é referência em medicina integrativa há 48 anos. Mas, durante a pandemia, certamente essa procura se acentuou. No nosso caso, sabemos também que as pessoas começaram a vir para a Lapinha pela valorização do contato com a natureza, por conta desse longo período de isolamento social”, declara Francesca Giessmann, diretora de comunicação da Lapinha Spa.

De acordo com a profissional, houve uma mudança no comportamento do cliente, sobretudo nos tratamentos buscados. “Antes as pessoas procuravam mais os programas de emagrecimento. Hoje, percebemos que os programas antiestresse e a preocupação com a imunidade contam mais do que as questões estéticas. É uma alegria ver o movimento nesse sentido, porque sempre trabalhamos com o olhar na saúde integral do ser. Para uma vida longeva e com melhor qualidade, essa mudança de mindset é muito importante”, afirma.

E a mudança não se sustenta somente no comportamento, mas também no público em si. “Já es távamos percebendo o interesse de um perfil mais jovem, a partir dos 20 anos, quando antes a maior parte do público era formada por pessoas acima dos 45 anos. No entanto, com a pandemia, sentimos esse movimento se acelerando. Também notamos que os hóspedes buscavam permanecer por mais tempo conosco. Muitos fazendo home office e home schooling da Lapinha, inclusive”, analisa.

CHECK-IN

Outro case de sucesso é o paranaense Lapinha Spa, que destaca a continuidade do trabalho com responsabilidade, seriedade, foco, agilidade e união. Durante a suspensão das operações, o empreendimento acelerou alguns projetos, como foi o caso do Lapinha Online, com serviço de telemedicina, programação de lives no Instagram e disponibilização de informações.

A hotelaria, conforme citado pelas operadoras, tem papel essencial para garantir as premissas do turismo de bem-estar. Muitos empreendimentos possibilitam transformar os locais em retiros ecológicos, que, combinado com serviços de spas e práticas esportivas, podem ser ótimas alternativas para hóspedes que buscam vigor para retornar ao dia a dia.

O conceito de hospitalidade wellness está presente na rede Six Senses. Inaugurado no último trimestre de 2020, o Six Senses Botanique – primeiro e único hotel do grupo no Brasil – já implementou alguns diferenciais voltados para o bem-estar, incluindo Alchemy Bar, com poções de ervas, sais, frutas e ingredientes exóticos para fazer esfoliantes; Farm, programa que destaca jardins e horta de orgânicos com ervas frescas, vegetais e frutas; atividades ao ar livre, como piquenique; e Spa, com tratamentos que utilizam insumos e botânicos regionais.

Outra empresa que conta com serviços adaptados ao wellness é o Jurema Águas Quentes, que se diferencia pela paisagem no entorno do complexo. De acordo com Marcos Vileski, diretor de Marketing, conectividade com a natureza, águas termais, trilhas ecológicas e spa tornam o local ótimo para recarregar as energias.

Marcos Vileski

“A loucura do dia a dia, principalmente das grandes cidades, traz à tona essa necessidade e entendemos como isso se democratizou, justamente porque todos querem ter um momento de descanso, de relaxamento, de experiência. É isso que temos aqui e queremos divulgar de forma massiva”, comenta Vileski. O complexo vai investir em novos braços comerciais em São Paulo e Curitiba, além de focar em marketing digital para destacar a estrutura do empreendimento em Iretama (PR).

O Tivoli São Paulo Mofarrej, por sua vez, implementou algumas novidades para seus hóspedes. O programa “Wellness Moment e Fitness Room” consiste em pacotes para praticar meditação, yoga e exercícios físicos no próprio apartamento por meio de aulas online. De acordo com João Corte Real, o projeto, além de oferecer um momento de bem-estar aos clientes, também garante a segurança necessária para o cenário atual. “Apresentamos algo inédito na rede hoteleira, nossos hóspedes podem desfrutar de atividades físicas e relaxantes no máximo conforto das suas acomodações, com toda segurança e privacidade” comenta.

O Enotel Convention & Spa também apresentou novidades com a inauguração do Spa Leger, em janeiro deste ano. O spa médico visa agradar aos hóspedes com cuidados voltados para o corpo e para a mente. A ideia é dedicar uma semana a hábitos mais saudáveis com acompanhamento de nutrólogo e personal trainner.

De acordo com Regina Biondi, diretora comercial do Enotel, a ideia é desmistificar a relação entre resorts all inclusive com abundância em comidas e guloseimas, incluindo alimentos saudáveis e de baixa caloria à oferta. “Queremos entregar uma nova modalidade de all inclusive que remeterá à saúde e ao bem-estar”, resume.

A rede Meliá também investiu em bem-estar, com a inauguração de uma área dedicada a wellness & health na unidade Paulista, no coração de São Paulo. Além da piscina com raia de 18 metros, ducha de cromoterapia, salas de massagem, fitness center e demais estruturas, o hotel também renovou o cardápio do restaurante, incluindo pratos rápidos e saudáveis. O espaço foi estruturado dentro das normas de acessibilidade – com direito a elevador com acionamento hidráulico para acesso à piscina – e pode ser usada tanto pelo hóspede quanto em sistema de day use. Massagens devem ser agendadas previamente, para atender aos protocolos contra a disseminação da covid-19.

Referência em Trancoso (BA), a Pousada Estrela D’Agua sempre investiu em qualidade de vida por meio de experiências únicas e personalizadas. A novidade é que o empreendimento anunciou a primeira edição do Conexão Estrela, programado para acontecer entre 17 e 20 de junho.

Evelyn Gavioli

A iniciativa foi concebida por Evelyn Gavioli, proprietária e diretora da pousada, em conjunto com Cacá Freixo, cofundadora do Projeto Conexão Natural, e com Renata Monteiro de Barros, mestra em Reiki. É um convite à conexão e à abertura para momentos de apren dizados relacionados ao bem-estar, ministrados por uma equipe multidisciplinar. “Trata-se de uma oportunidade para o cuidado consigo mesmo, imerso às belezas naturais das praias e da Mata Atlântica de Trancoso”, diz Evelyn.

Yoga, meditação, gastronomia ayurveda, respiração, atividades ao ar livre e massagens são algumas das atividades propostas durante o fim de semana de imersão. “Para nós, bem-estar é um processo ativo. A partir de certas escolhas podemos caminhar na direção de uma existência mais bem-sucedida. Não se trata apenas de uma sensação agradável, mas uma decisão de se manter bem, feliz e satisfeito, unindo mente, corpo e espírito. Uma oportunidade de sair do nosso modelo automático e entrar em contato com diferentes ferramentas que podem nos apoiar na escolha por uma vida mais leve e consciente”, finalizam as idealizadoras do projeto.

HOLAMBRA SUSTENTÁVEL

Lançado em janeiro deste ano, pelo Global Wellness Summit, um relatório de 97 páginas intitulado “O Futuro do Bem-Estar 2021” elenca nove tendências do setor, incluindo o poder da respiração, novas formas de autocuidado, programas de entretenimento que pregam métodos para o bem-estar, imunidade, a reinvenção do Turismo com viagens mais longas e profundas, além do papel da arquitetura para alcance do wellness

Nesse sentido, o destaque vai para o projeto arquitetônico vencedor do concurso promovido pela certificação Healthy Building Certificate para a construção do para o Hotel Van der Werf, em Holambra, município de São Paulo. Totalmente alinhado ao conceito atual, o estabelecimento prioriza o bem-estar em todos os aspectos, incluindo o mobiliário, como por exemplo, as camas suspensas que durante o sono auxiliam na consolidação da memória, segundo estudos suíços.

O prédio tem o teto inspirado nos navios holandeses e moinhos, incluindo um revestimento em tecido que remete às velas das embarcações e que impulsiona o desempenho térmico e acústico. Outra característica marcante é o sistema bioclimático que aproveita o clima local para reduzir o consumo de energia na operação e regula a temperatura interna.

Há, ainda, sistema fotovoltaico, captação de água da chuva, hortas orgânicas verticais, isolamento térmico por lã e garrafas PET, integração da vegetação e das cores para melhorar as sensações causadas pelo ambiente. Foram usados materiais não tóxicos ou de baixo impacto ambiental, além de priorizarem a resistência ao fogo. A construção está prevista para ser iniciada neste ano.

FUNDAMENTAÇÃO CIENTÍFICA

Em breve, o trade deve ganhar um grande aliado em termos de boas práticas para o Turismo de bem-estar. Em início de desenvolvimento, o projeto e-Natureza, da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, tem por objetivo oferecer um conjunto de experiências para promover a saúde e o bem-estar de quem visita áreas naturais e comunidades vizinhas.

A ideia é desenvolver um manual de boas práticas para essa vertente de forma responsável com a natureza e com as populações locais. A iniciativa compreende também a criação e disponibilização de cursos online voltados à formação de gestores de unidades de conservação e profissionais de saúde, além de atividades em campo, como tours contemplativos, voltados à observação de aves e natureza, banhos de floresta e interpretação ambiental. Com isso, espera-se qualificar, com fundamentação científica, o setor em expansão.

O projeto é uma das seis iniciativas selecionadas pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza para desenvolvimento a partir deste ano. A entidade prevê apoio financeiro para ações escalonáveis e com capacidade de serem replicadas em todo o País, com escopo voltado ao desenvolvimento do turismo em áreas naturais, proteção da biodiversidade, conservação de patrimônios naturais e fortalecimento das populações locais.

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