Eduardo Fleury detalha pesquisa e centro de tendências do Kayak

Country manager da Kayak Brasil destaca os principais resultados de uma pesquisa realizada com viajantes e explica como o trade pode se beneficiar dos dados divulgados pelo centro de tendências do metabuscador

eduardo fleury
Eduardo Fleury, diretor geral do Kayak no Brasil

Entender o padrão de busca do viajante e analisar como esses dados evoluem com o passar do tempo para criar ou adequar políticas comerciais. A estratégia de trabalhar com base em informações ganha força no momento em que vivemos, já que a situação global carrega uma profusão de ideias e de possíveis cenários para o momento pós-crise. A verdade é que não se sabe ao certo como todos esses panoramas irão se concretizar já que as variáveis incluem dúvidas em relação à oferta futura de fornecedores e sobre o pleno funcionamento dos destinos globais. 

Em um cenário de tanta incerteza, uma boa notícia para o empresariado que deseja fincar o pé na realidade é o centro de tendências de viagens criado pelo Kayak. O metabuscador se aproveitou da expertise no levantamento e divulgação das buscas de viagens para criar uma ferramenta gratuita que reflete a intenção de busca em tempo real. Ainda que o trabalho não exiba o consolidado de vendas, as informações atualizadas em plena pandemia ajudam a balizar ações.

Paralelamente, a plataforma realizou uma pesquisa para entender os planos de viagens para os próximos 12 meses. A enquete, finalizada em maio, exibe resultados animadores: Entre os 2,5 mil respondentes brasileiros, 83% disseram que incluirão o Turismo de volta à rotina até maio do ano que vem. “Apenas 17% disseram que não pretendem viajar, sendo que 67% deles justificam a opção com a preocupação em relação à segurança sanitária e não por falta de dinheiro ou de ideia”, pontua Eduardo Fleury, country manager do Kayak Brasil.

O executivo destaca os principais resultados da pesquisa para o Brasilturis Jornal e explica como o trade pode se beneficiar dos dados divulgados pelo centro de tendências.

Quais foram os desafios para criar essa ferramenta?

Eduardo Fleury – Sempre tivemos esses dados à disposição. O desafio é lançar a ferramenta de forma que as pessoas possam ler os resultados, entendam como eles fazem sentido para cada negócio e, a partir daí, trabalhem com os insights. A plataforma mede a intenção de compra e os dados mostram uma série de possibilidades, mas o porquê não nos cabe. Não fazemos venda, mas sabemos que as pessoas acessam a plataforma para pesquisar data, preços e destinos. Elas sabem que vão viajar, ainda que não tenham definido quando e para onde, já que essa decisão pode variar conforme o preço.

Além dessa retomada inicial nas buscas, sinalizada pela ferramenta, quais são outros destaques do centro de tendências?

Eduardo Fleury – A grande vantagem é que nenhum outro órgão disponibiliza, hoje, uma ferramenta online para acompanhar o status do dia anterior. Ainda que nossa ferramenta traga dados relacionados à busca de voos e não à compra de passagem, ela é atualizada constantemente e baseada em um volume considerável de buscas, o que é bastante relevante.

Como o trade pode usar essa ferramenta?

Eduardo Fleury – Os dados são gratuitos, estão disponibilizados no site e permitem que cada negócio repense sua estratégia. Criamos uma estrutura para que a empresa alimente sua base de dados para avaliar esses insights diariamente. Eles não estão consolidados por dia porque a metodologia inclui acompanhar a sazonalidade, então fazemos a comparação por semana ou por ano. Se olharmos ano a ano, obviamente todos os resultados têm queda, mas analisando semana a semana já vemos alguma recuperação.

São Luís do Maranhão, por exemplo, registrava queda de 74% nas buscas no começo de maio, na comparação com o mesmo período de 2019. Agora, na quarta semana de junho, a intenção é 51% menor frente ao mesmo recorte do ano anterior. Não significa que estava tão bom como era no passado, ainda não dá para chamar de recuperação, mas o fato de as pessoas voltarem a buscar é um sinal de retomada. É um pequeno degrau necessário para subir o próximo.

Há possibilidade de criar parcerias locais para obtenção de dados mais específicos, sob demanda, para secretarias de Turismo, por exemplo?

Eduardo Fleury – Sim, é um de nossos produtos comerciais. Conseguimos saber, por exemplo, quais são os aeroportos de origem das pessoas que buscam São Luís como destino. Também há a possibilidade de traçar análises competitivas. Se uma localidade que é popular para viagens com crianças quer se posicionar como alternativa aos roteiros para Orlando (EUA), impossíveis de se concretizar no momento, nós conseguimos levantar o volume de buscas na comparação com o destino norte-americano e outros similares. Se a família está impedida de viajar agora para os EUA, ela pode buscar opções na Bahia, Ceará, Goiás ou Santa Catarina.

Outra novidade é possibilidade de filtrar os resultados com base em restrições no deslocamento. Como e com que periodicidade esse filtro é atualizado?

Eduardo Fleury – Trabalhamos com planejamento de viagens, então repensamos a ferramenta sob a perspectiva da relevância. Que tipo de informação o usuário precisa ter nesse momento? Para onde ele pode ir. Foi aí que surgiu esse filtro. O mapa dinâmico é atualizado diariamente, sendo uma das poucas ferramentas que une informações de todos os continentes e atualiza qualquer novidade que impacte os deslocamentos entre fronteiras.

Que outras novidades você destaca nesse sentido?

Eduardo Fleury – Outro importante destaque é o resultado de uma pesquisa que fizemos recentemente com 2,5 mil brasileiros e que vamos divulgar em breve. Ela é independente do centro de tendências e foi criada para mensurar a intenção de viagens nos próximos 12 meses. Dos entrevistados, 17% falaram que não estão pensando em viajar, 40% consideram viajar em até 6 meses, e 43% planejam viajar entre 6 meses e 12 meses. Tomando por base a última semana de maio, quando foi feita a pesquisa, estamos falando que 83% dos respondentes podem voltar a viajar como viajavam antes o período de um ano. Outras questões estavam relacionadas ao tipo de destino e meio de transporte preferenciais.

E quais foram as respostas?

Eduardo Fleury – Grandes cidades foram citadas por 32% das pessoas. Os destaques foram para destinos de natureza ou voltados à prática de esportes e praias que, juntos, tiveram 63% das menções. Litoral foi o principal, com 34% das respostas. Viagens domésticas estão nos planos de 43% dos entrevistados e vão ficar mais fortes, o que reforça os dados de outras pesquisas e da retomada sutil apontada pelo centro de tendências. O que chama a atenção é a confirmação de que a intenção de roteiros internacionais segue mais conectada com outros continentes – resposta de 28% dos entrevistados – do que com destinos latino-americanos – 12%. Mesmo em uma situação de câmbio desfavorável e regulações que limitam os deslocamentos, é curioso notar que a busca por viagens fora da América Latina seja citada pelo dobro de pessoas.

E sobre os meios de transporte?

Eduardo Fleury – 70% pretendem viajar de avião e 15% em carro próprio ou alugado, o que tem a ver com a questão continental do Brasil. A pessoa que se acostumou a ir de São Paulo a Salvador em três horas não quer fazer o mesmo trajeto por 40 horas de ônibus ou 24 horas dirigindo sem parar. Isso não cabe mais, é um comportamento muito raro. Mas, dada a dimensão da pandemia, foi interessante validar esse dado.

Com base no histórico de pesquisas, como você enxerga o futuro das viagens, passados esses meses mais críticos?

Eduardo Fleury – Não tenho bagagem para praticar futurologia, então vou me basear em dados do Kayak e de outros institutos que colocam a recuperação do volume de negócios do último trimestre de 2019 para o fim de 2023. A retomada começou agora, precisamos ver como será esse mercado que vai retornar. A cadeia de Turismo está sofrendo muito nesse período e nada impede que um destino que já foi reconhecido pela excelência em serviços no passado perca todos os seus receptivos. As empresas terão de ser reconstruídas para reconquistar o status. Quando isso vai acontecer? Não dá para saber. Sou otimista por natureza e a pesquisa mostra que as pessoas têm a intenção de viajar, mas me abstenho de tentar desenhar o que será o novo normal.

Saiba mais em: www.kayak.com.br/tendencias-viagens

Entrevista publicada originalmente na edição de julho do Brasilturis Jornal

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