ESG, e eu faço o quê?

O tsunami de “Environmental, Social and Governance” (ESG) em 2020 é uma notícia maravilhosa para quem já estava nessa estrada e esperava o momento de dizer que o futuro havia chegado. É uma confirmação de que o caminho estava certo. Ao mesmo tempo, desde então, tem tirado o sono de uma porção de executivos que, do dia para a noite, passaram a ser cobrados a entender do assunto, saber falar sobre ele, achar um propósito e adotar uma estratégia ESG. Que coisa é essa?

Em 2020, tivemos quatro grandes marcos que provocaram a ebulição ESG, resultado de ações de uma associação norte-americana, de uma gestora de fundos, do Fórum Econômico Mundial e da própria crise causada pela pandemia. A Business Roundtable, associação de CEOs das principais empresas dos Estados Unidos, derrubou a máxima de que o objetivo principal de uma empresa seria o de maximizar o retorno para os acionistas, adotando o posicionamento de que as empresas devem servir também a outros públicos de interesses, os stakeholders.

A gestora de fundos BlackRock, em sua carta anual aos CEOs, disse que só investirá em empresas que tenham gestão integrada dos capitais financeiro, ambiental, social e de governança. O Fórum Econômico Mundial de Davos anunciou que os principais riscos dos negócios nos próximos anos serão os riscos ambientais e a covid-19 demonstrou, com todas as facetas possíveis, como uma crise sanitária impacta o meio ambiente (e vice-versa) e como ambos impactam as finanças.

 Os negócios foram literalmente obrigados a mostrar como fariam parte da solução dos problemas numa rapidez que tamanha. Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) fizeram total sentido no meio desse turbilhão socioeconômico ambiental da pandemia que é sem precedentes nesta era.

ESG não é uma sigla inédita e nem um conceito novo. Em português, é equivalente a Ambiental, Social e Governança (ASG). É, literalmente, o que se entende por sustentabilidade corporativa, no mesmo caminho daquela proposta no tripé da sustentabilidade – Ambiental, Social e Econômico – do sociólogo britânico John Elkington. A novidade é que, agora, os donos do dinheiro entraram em consenso que é um erro para os próprios negócios continuar no caminho do capitalismo de acionistas, já que o mundo e as empresas tornaram-se insustentáveis sob este ponto de vista.

A Business Roundtable, por exemplo, trabalha para promover uma economia próspera na América e oportunidades para todos os americanos por meio de políticas públicas. Estamos falando de corporações do porte de American Airlines, Delta Airlines, Marriot, The Walt Disney Company, United Airlines… Enfim, grandes empresas com faturamento maior que muitos PIBs e que são grandes distribuidoras de dividendos.  Já a BlackRock é maior gestora de fundos do mundo, e o Fórum de Davos reúne as principais lideranças empresariais globais.

Todas essas lideranças, em alguma intensidade, abordam que a identificação clara do propósito dos negócios é a chave para realizar alinhamentos estruturais que tendem a resultar no capitalismo de stakeholders e, consequentemente, em empresas mais humanas, regenerativas, inclusivas e lucrativas. Em última análise, tornam-se empresas Alfa que, por meio da estratégia ESG, performam melhor que o mercado.

O ESG é, então, a forma de fazer. As diretrizes são a resposta ao como, incluindo questões ambientais, sociais e de governança na estratégia empresarial. Assim como a estratégia financeira, ele vai considerar riscos e oportunidades, definir metas, determinar negociáveis e inegociáveis.

No Turismo – em especial no mundo das pequenas empresas -, o propósito, a forma de fazer e as causas provavelmente farão a diferença na sobrevivência dos negócios. Porque os consumidores estão cada vez mais esclarecidos sobre o que querem e o que não querem. Preço é commodity. Mas as causas nunca vão ser as mesmas. Acionista é o dono ou donos da empresa, seja ela pequena ou grande.  Causas sociais e ambientais já foram, de alguma forma, incorporadas às empresas de turismo ambiental e LGBTQI+ que saíram na frente.

Então está mais do que na hora de olhar para dentro e reinventar-se. O modelo antigo de negócios que privilegiava apenas as questões financeiras e que nos trouxe até aqui,  não nos levará muito adiante mais. É isso que o mundo global dos negócios disse em 2020.  E é o que ele já está cobrando de todos.

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

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