ESG e os sentidos da inovação no Turismo

ESG

Nos anos mais recentes, o Brasil e o mundo vêm tomando consciência de que mudanças na forma como os negócios são desenvolvidos são fundamentais. A pandemia reforçou e acelerou um caminho que já era previsto e fez de 2020 um ano transformador. Todos tiveram de acelerar o processo de aprendizado e mudar.

O isolamento social parece ter potencializado aspectos relacionados à sensibilidade das pessoas, que passaram a dar mais valor ao tema sustentabilidade. Isso vem se manifestando na busca por alimentos mais saudáveis, nas expectativas de atitudes das empresas, na busca por ambientes (quer seja para trabalhar ou para descansar) com disponibilidade de áreas ao ar livre e em novas formas de estruturar os negócios.

Um número crescente de empresas passou a assumir publicamente o compromisso com a sustentabilidade, inclusive com um conceito maior, amplamente difundido como ESG. Traduzido do inglês, ele significa Governança Ambiental, Social e Corporativa, e é utilizado para dar ainda mais transparência à forma como as empresas são geridas. Até as médias e pequenas empresas estão mobilizadas para essas questões, pois o mercado pressiona por um posicionamento mais responsável e mais ético.

Colaboradores, principalmente os mais jovens, começam a escolher empresas para trabalhar considerando o ambiente interno e as possibilidades de fazer seu trabalho ser uma oportunidade para mudar o mundo para melhor; o consumidor vem aumentando o valor atribuído a produtos e empresas sustentáveis em suas escolhas; e os meios comunicação, em particular as mídias sociais, expõem rapidamente as atitudes das empresas e dos governos.

Considerando a ampla diversidade de ambientes, culturas e impactos das empresas por todo o mundo, incluindo nesse ambiente o setor de Turismo, é importante fortalecer a capacidade das empresas e governos de se adaptarem e buscarem soluções inovadoras para situações desconhecidas relacionadas à sustentabilidade. Essa necessidade de mudança já é reconhecida, o desafio passa a ser identificar como convergir todas as forças envolvidas no mundo dos negócios de forma sustentável, ágil, inovadora, em tempo hábil, e dar escala a esse movimento.

Inovação parece ser um daqueles termos inquestionáveis. Afinal quem seria contra a inovação nos dias de hoje, considerando que quase sempre a ideia vem carregada de um ar triunfalista e positivo? Porém, o dilema é entender quais inovações a sociedade realmente necessita. Afinal, nem tudo que é inovador é desejável ou melhor do que sua versão anterior.

Vamos considerar que inovação é um processo social e, dessa forma, possui uma dimensão ética que precisa ser considerada. O conceito, assim, pode ser definido tecnicamente tal qual proposto no Manual de Oslo (2018), como “um produto ou processo novo ou aprimorado (ou uma combinação dos mesmos) que difere significativamente dos produtos ou processos anteriores da unidade e foi disponibilizado para usuários em potencial (produto) ou utilizado pela unidade (processo)”.

Essa definição, mais ou menos consensual, se desdobra em outras como, por exemplo, “inovação disruptiva”, que cria um mercado ou passa atender mercados desatendidos anteriormente; e “inovação aberta”, que conta com inputs internos e externos a uma organização ao longo do processo. Porém, não se trata apenas de inovação tecnológica, como muitas vezes o tema é abordado, mas da inovação que consiga ser adotada em larga escala e impacte positivamente a sociedade, caracterizando o que podermos chamar de “inovação social”.

Mais do que nunca, e com a influência definitiva da internet e das mídias sociais, inovação e desenvolvimento sustentável passam a ser protagonistas no debate sobre o presente e o futuro que queremos para a sociedade. Não apenas como espaço de repercussão de problemas, mas, principalmente, como temas fundamentais para a formulação de propostas dos melhores caminhos a serem seguidos.

Temos de aproveitar os desafios de 2020 para uma significativa transformação. Que este ano de 2021 que se inicia venha cheio de boas notícias, e de muitas oportunidades para que o Turismo se reinvente e se fortaleça, sobre bases mais técnicas e mais sustentáveis.

Vamos em frente!

* Colaborou Fabio B. Josgrilberg, PhD, pesquisador da Cátedra Unesco de Comunicação para o Desenvolvimento Regional e diretor de Inovação e Desenvolvimento de Pessoas da GKS Inteligência Territorial

Imagem de Alexandra ❤️A life without animals is not worth living❤️ por Pixabay 

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