À espera de um milagre

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Por Ricardo Hida

No passado se reclamava pro bispo. Agora do bispo. Mas não entendo a surpresa. Alguém poderia esperar uma administração diferente do Marcelo Crivella? Muita ingenuidade do cidadão do Rio esperar algo diferente de alguém que, senador e ministro, foi relevante como uma mosca. Um artigo meu, na minha coluna aqui no Brasilturis, que falava do Carnaval em 2017, parece que foi escrito ontem e acredito que será fresco em 2019. Mas essa é a realidade do nosso país e consequentemente da nossa indústria. Dramas e trapalhadas que se repetem há décadas sem que nenhuma ação efetiva seja tomada.

Desde 1994, quando entrei no turismo, ouço sempre as mesmas reclamações e lamentos: indiferença do poder público para com o nosso segmento, as inúmeras dificuldades que hoteleiros, receptivos, operadores e agentes de viagens têm para crescer no Brasil, além de imbróglios tributários sem fim.

Muitas eleições se passaram. Todas as bancadas cresceram, sobretudo as da Bala, Boi e Bíblia. A do segmento turístico, obviamente, não. Nem existe. Uma das indústrias mais antigas do país. Pergunto: o que nossas lideranças setoriais e órgãos associativos têm feito, além de enviar seus petitórios àqueles que são (re)eleitos e descer o sarrafo nos políticos na imprensa do trade?

Vivemos, dizem os sociólogos, cientistas políticos e historiadores, uma crise institucional e uma descrença para com a democracia. Certamente, diz-se por aí, não é o modelo perfeito de participação política, mas é, sem dúvida alguma, de longe, o menos pior. Mas o problema com a democracia está naqueles que querem ser representados e não se organizam para serem ouvidos.

Falta organização, colaboração, estratégia na indústria do turismo. A bancada evangélica, por exemplo, cresce a cada eleição, em velocidade muito maior que seus fieis. A razão maior é um projeto de poder estruturado, discutido entre todas as lideranças religiosas, apoiado por inúmeros documentos e estudos, e encabeçados pelo pastor Robson Rodovalho.

Força, foco e, nesse caso, fé, fizeram dos deputados evangélicos uma trombeta mais forte que a de Jericó. Os empresários do agronegócio e aqueles das empresas de segurança também têm, apesar de toda má fama, emplacado representantes no Legislativo e no Judiciário.

O universo do turismo, apesar de empregar milhões de pessoas, não tem nem 1% do total de deputados no país. Não consegue sugerir nomes que desejam para ministro de sua área nem para os secretários estaduais e municipais, em grande parte arrivistas despreparados.

O segmento LGBT percebeu que precisa colocar candidatos que defendam seus interesses no próximo mandato e utilizará a Parada do Orgulho, em São Paulo, como plataforma para apresentar possíveis candidatos. Os movimentos sociais, após anos recebendo verbas, subitamente cortadas pelo governo Temer, decidiram que é hora de alavancar candidatos de seu seio. E nós? Vamos esperar a boa vontade dos eleitos para com nossas causas? No passado tivemos candidatos como Tasso Gadzanis, presidente da ABAV por quatro anos, que não conseguiu os votos necessários porque o trade não se uniu.

Vejo já mobilização de alguns nomes para pleitear vagas na Câmara e nas Assembleias. O que vamos fazer? Esperar por um milagre? Isso nem os bispos e pastores esperam.

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