Explore GB 2021 destaca novos itinerários e atrações na Grã-Bretanha

Evento de promoção teve participação de 79 profissionais brasileiros e destacou campanha que propõe uma fuga da rotina

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Assim como a maioria de destinos mundo afora, o Reino Unido teve dificuldades em tomar as rédeas da situação com a chegada do novo coronavírus, no início de 2020. Entretanto, as lideranças britânicas rapidamente encontraram o rumo certo, apoiado em bases científicas, o que colocou o destino na segunda colocação no ranking global de vacinação, em proporção, atrás apenas de Israel.

A posição confortável ajuda a reforçar a visão otimista de Sally Balcombe, presidente e CEO do Visit Britain. A líder do órgão de promoção internacional dos destinos britânicos afirma que todos os residentes adultos serão vacinados até o final de julho – hoje, cerca de 40% da população britânica já está vacinada. O fato, aliado à ampla oferta de destinos alinhados com os novos anseios do viajante, coloca a região europeia em posição de vantagem no estímulo da demanda em seus principais mercados internacionais.

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Sally Balcombe

Uma das provas foi a realização do Explore GB 2021, evento de uma semana que aconteceu de forma online, no início de março. A migração do encontro – que, até 2019, aconteceu de forma presencial, contemplando um diferente destino a cada ano – atende ao cenário atual e resolve boa parte dos anseios do trade global de turismo. “Há muita demanda reprimida de pessoas interessadas em retomar as conexões ou fazer novos contatos com vistas ao futuro. Precisamos planejar e começar a construir os caminhos para a recuperação, com novos itinerários e ideias”, disse Sally, em entrevista ao Brasilturis Jornal.

A feira convidou 350 fornecedores da Inglaterra, Escócia, País de Gales – a oficial Grã-Bretanha – e Irlanda do Norte – a quarta nação do chamado Reino Unido – para expor seus produtos e serviços a 350 compradores de diferentes mercados. Além do Brasil, que teve 79 inscritos, o evento reuniu profissionais da Alemanha, Austrália, Canadá, China, Espanha, França, Índia, Itália e o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC, da sigla em inglês). Na programação, além de capacitações, a plataforma sediou reuniões individuais entre as duas pontas da cadeia.

Durante a abertura do evento, Gavin Landry, diretor do Visit Britain para as Américas reforçou a importância do planejamento para aumentar a participação no competitivo mercado global, aliado aos protocolos criados dentro do programa “We’re good to go” (Estamos prontos, em tradução livre) que certifica os estabelecimentos preparados para receber os viajantes dentro das novas exigências. A iniciativa recebeu a chancela “Safe Travels”, do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) que passa a ser concedida automaticamente para os negócios certificados no Reino Unido que, hoje, eles somam 44 mil empreendimentos.

Reabertura em fases

Com severas restrições aos deslocamentos em vigor até março, o mês de abril chega com a abertura dos destinos para viagens domésticas e, em 17 de maio, para as internacionais de curta distância. O crescimento nas reservas para o verão deve levantar o mercado entre julho e setembro, um giro importante na roda da economia do Turismo, uma indústria vital para a Grã Bretanha. Viajantes de longa distância ainda devem levar um tempo para cruzar as fronteiras britânicas, pois isso ainda depende da resolução de questões na origem dos passageiros e ao longo da jornada.

Com o impulso da imunização em massa, o fluxo de viajantes do entorno ajudará a reforçar por todo planeta a segurança de explorar novamente os destinos do Reino Unido. “A primeira atitude é cuidar da vacinação dos residentes, depois precisamos informar os requisitos para as pessoas viajarem, destacar a preparação do trade em termos de segurança e reforçar que todos são bem-vindos para, então, inspirá-los com os novos itinerários”, enumera a executiva.

Sem deixar de lado a oferta de destinos tradicionais, o órgão de promoção turística destaca novos roteiros que exploram paisagens ao ar livre e passam por lugares ainda desconhecidos pela grande maioria dos viajantes internacionais. “O objetivo é fazer com que as pessoas não visitem apenas Londres, que nós sabemos que os brasileiros amam, mas também conheçam outras cidades”, afirma Sally, citando o estreante Great West Way, trajeto que liga Londres a Bristol.

Outra estratégia promissora é incentivar o turismo por meio da música, dos esportes, do cinema e da teledramaturgia. Algo que não é novidade na promoção britânica, mas que ganha novo fôlego após uma quarentena de mais de um ano que levou as plataformas de streaming a elevar – e muito – suas audiências. Nada mais natural que as pessoas busquem conhecer os lugares de suas séries e filmes favoritos assim que o momento permitir.

Além dos roteiros já consolidados que seguem os passos de Harry Potter e o ritmo dos Beatles, a novidade vem com um tour de ônibus focado em Bridgerton – série da Netflix muito popular entre os brasileiros e com recorde mundial de mais de 80 milhões de expectadores -, que tem boa parte das atrações na charmosa Bath. A cidade também é um prato cheio para quem deseja viajar com a literatura, seguindo os passos da escritora Jane Austen, a moradora mais ilustre dessa cidade famosa pelos banhos romanos e que fica a apenas 150 quilômetros de Londres.

Fugindo da rotina, em grande estilo

Priscila Moraes, Malcolm Griffiths e Gavin Landry

“Um lugar muito legal de ver é o castelo Howard, que é a casa do Duque de Hastings, protagonista da série”, lembra Sally. Na trama, o castelo se chama Clyveden; na vida real ele fica em Yorkshire, norte da Inglaterra. Além de Bath e Yorkshire, a série foi filmada também em Londres e Cotswolds. Esse e outros aspectos serão explorados na campanha “Escape the Everyday” que, no Brasil, será intitulada “Fuja da Rotina” e será lançada por aqui assim que as condições permitirem. A ideia central é destacar opções interessantes para escapar do cotidiano dos últimos 12 meses que faz todos os dias parecerem os mesmos.

O País enviou 291 mil visitantes ao Reino Unido, em 2020, e vem investindo na capacitação do trade para manter os destinos na lista de desejo dos viajantes brasileiros. Lideradas por Malcolm Griffiths, diretor, e Priscila Moraes, gerente para o trade brasileiro de viagens, as ações por aqui incluíram dezenas de webinários em parceria com o trade local, envio de materiais informativos e o lançamento de itinerários voltados a nichos específicos. As opções para famílias, por exemplo, destacam museus agradáveis para toda a família e o passeio ao parque temático Peppa Pig World, em Hampshire, a menos de duas horas de Londres. 

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Richard Nicholls

O Visit Britain projeta um crescimento de 21% no número de visitantes para este ano, na comparação com o resultado de 2020. Dados apresentados por Richard Nicholls, chefe do departamento de pesquisas e previsões do órgão de promoção turística, apontam para a chegada de 11,7 milhões de turistas, número que representa queda de 71% na comparação com 2019. Em termos de gastos, a projeção é que o Turismo britânico receba 6,6 bilhões de libras neste ano – aumento de 16% em relação a 2020, diminuição de 77% frente os números de 2019.

“Sabemos que ainda não vamos recuperar os níveis pré-pandêmicos, mas temos esperança que esse é um passo decisivo para retomar nossa posição no topo”, revela Sally, destacando que, em 2022, a Grã Bretanha vai realizar grandes eventos esportivos e culturais. Segundo dados da Oxford Economics, o turismo britânico deverá chegar aos índices de 2019 em 2025. O dado foi revisado para baixo, já que a primeira estimativa apontava para recuperação em 2027.

Visão do trade

Conversamos com alguns dos operadores e agentes de viagens participantes do Explore GB para entender como eles avaliam o evento. O destaque vai para a Escócia, citada por boa parte dos profissionais como um must go no pós-pandemia. Para além do país das Terras Altas, eles também deram dicas de novos atrativos e itinerários que têm tudo para agradar o viajante brasileiro. Confira!

OFERTA DE DIFERENCIAIS

MARCELO MICCHIELETTO – MHTOUR (SP)

“Sempre investimos em produtos novos, junto a parceiros como Visit Scotland, Visit Cornway e Vist Britain, saindo do que se vende de tradicionalmente no Brasil. Em 2019, investimos na Escócia, Pais de Gales e na região da Cornualha. Vamos continuar oferecendo novos roteiros e experiências na Escócia, sudoeste da Inglaterra, para 2022. É uma região a ser explorada, tem muito a oferecer e os brasileiros não conhecem. As ilhas como Skye, Islay e Jura, por exemplo, têm desde whiskey e golfe até natureza e esportes de aventura, além de propriedades únicas de luxo. Durante o evento, buscamos fornecedores bem especializados e nichados, como aquele local, que possa dar uma experiência única ao cliente. Acredito que o mercado de luxo e experiências únicas, se bem trabalhado e divulgado, será carro-chefe para o Reino Unido como um todo. Precisamos apresentar novos produtos para as agências e instigar o cliente final.”

DESTINO: ESCÓCIA

JAMES GIACOMINI – DIVERSA TURISMO (SP)

“Gostei de tudo o que envolveu novos roteiros pela Escócia, além das imperdíveis Highlands. A oferta do país estava bastante organizada, com DMC’s novos, mais hotéis. Já trabalhava com roteiros pelas atrações escocesas há algum tempo e, pouco antes da pandemia, começamos a receber demandas específicas, como a realização de um casamento no destino. Há também uma natural demanda pelo circuito das destilarias e pelas locações de filmes, o que é uma estratégia de associação muito sábia dos gestores. Acredito que esse movimento vai continuar e, obviamente, nunca me canso de destacar a dinâmica que Londres tem, com seus palácios e visitas organizadas. A cidade se renova e não vai perder share porque tem um apelo muito grande em todo o mundo e também entre os brasileiros.”

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JOABE COELHO – CVC CORP (SP)

MAIS DESTINOS EM UM ÚNICO PAÍS

“Antes da pandemia vendíamos, no geral, Londres e as principais cidades do Reino Unido, que sempre foram os destaques e com maior demanda. Acreditamos que elas serão complementadas com destinos próximos, compondo um pacote mais robusto e com maior foco em experiência, no qual o cliente vai combinar mais destinos dentro do mesmo país em vez de combinar múltiplos países. Além disso, ele irá em busca de experiências autênticas e com a maior segurança possível, unindo bastante experiências ao ar livre e de contato com a natureza. O Reino Unido tem nos mostrado diversas paisagens e atrações através de séries e filmes, muitas delas com enorme sucesso entre o público brasileiro nos últimos anos. Acreditamos que os produtos que exploram este universo ganharão cada vez mais espaço na composição das viagens internacionais.”

SUSTENTABILIDADE EM ALTA

Cristiana Gouthier – Mappa Turismo (MG)

“Os destinos mais procurados eram Londres e  Liverpool, na Inglaterra, e Edimburgo, na Escócia, em tours privativos, com duração aproximada de sete dias para conhecer as principais belezas naturais do país. Acho que a tendência agora será optar por destinos que permitam mais contato com a natureza, além de experiências mais exclusivas e em grupos reduzidos, com preferência por hospedagem que levem a sério o uso de energia limpa, prestigiem as comunidades locais e revertam os benefícios provenientes da gestão dos hotéis para a localidade. Cidades grandes e com infraestrutura para o turismo não perderão o prestígio e continuarão no radar dos viajantes!”

RUMO AO INTERIOR

RAFAEL GOETTEMS – ORION OPERADORA (RS)

“Acho que muitos dos destinos tradicionais permanecerão no topo da mente dos viajantes, porém há uma ressalva: haverá mudança no tipo de produto procurado. Aglomerações e grupos com um grande número de participantes de diversos países perderam espaço no mercado. O turismo deverá fugir dos grandes centros tradicionais, explorando mais o interior dos países. O Reino Unido, nesse quesito, se torna um grande player por ter uma ampla oferta de destinos não explorados por brasileiros. No evento, chamaram muito a minha atenção o interesse dos escritórios regionais de turismo, como o da Escócia e País de Gales, de se aproximar do mercado brasileiro. Esses mesmos países oferecem sugestões de itinerários para explorar o campo, com experiências de aventura, gastronomia e paisagens que se popularizaram recentemente através de séries e filmes. Para o brasileiro que está programando viagens para quando as fronteiras reabrirem, faz sentido organizar roteiros personalizados em casal, família ou um grupo com amigos, e explorar a fundo um único destino em vez dos tradicionais roteiros que englobam vários países. É uma opção mais enriquecedora e mais segura.”

MULTIGERACIONAL E COM PROPÓSITO

ALINE DE CARVALHO – AGÊNCIA ALIS MUNDI (SP)

“Os contatos são muito válidos para esse momento em que devemos focar a oferta em cidades menores, com paisagens ao ar livre, que foram destacadas pelos fornecedores no evento. Vejo potencial para viagens de carro pela Escócia e pela exploração do interior dos países. Londres não deve perder espaço, mas as atividades tradicionais como assistir à troca da guarda sofrerão certa resistência inicial, pela possibilidade de aglomeração. As atenções deverão se voltar para atividades que promovam experiências e que possam reunir toda a família, inclusive crianças e bebês, e aquelas focadas em sustentabilidade. Outro nicho que eu acredito que deve se desenvolver é o de bem-estar e as viagens com propósito, como Stonehenge e Dumbledore. No evento, conheci a península de Gower, no País de Gales, que parece belíssima e vai além do que é comum. Precisamos exercer nosso papel de consultores, com um novo olhar sobre o agenciamento, pois esse movimento vai reclassificar o turismo nos próximos anos.”

MARIA ANGELA BARROS – AGÊNCIA WANDERFLY (SP)

VIAJANTES 50+

“Um foco é em roteiros mais sofisticados voltados ao viajante 50+ e o destino mais vendido sempre foi Londres. Não acredito que isso vai mudar, já que a cidade é porta de entrada para os brasileiros. Talvez perca alguns dias de permanência, mas não deixará de ser visitada. Também percebi crescimento nas buscas por Bath e Strawberry Fields, no condado de Kent, além da Escócia, que vem ganhando cada vez mais destaque no Brasil. Acredito que meus clientes irão continuar a combinar Inglaterra e Escócia, com tendência à formação de grupos menores e, de preferência, com motorista privativo.”

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