Falando em retomada…

covid 19 Sebrae
Foto: reprodução

Vivemos um período nunca antes imaginado, no qual cada um de nós enfrenta suas realidades, de acordo com suas crenças e possibilidades. De um lado, uma corrente afirma que a retomada se dará e viveremos um novo normal; outros dizem que nada será como antes da pandemia de covid-19. De concreto, sabemos apenas que as pessoas e os negócios terão um duro período pelos próximos meses – talvez anos – em decorrência da abrupta parada.

Para que a recuperação do Turismo aconteça dependeremos da velocidade e da sensibilidade dos poderes públicos no regramento jurídico que permeia as relações no setor, eliminando gargalos, criando ou aprimorando novos mecanismos para a solução de conflitos, desburocratizando áreas que ainda são revestidas de proteção estatal em excesso, flexibilizando ainda mais, dentro das garantias constitucionais, as relações trabalhistas, e investindo nas demais ações que garantam segurança jurídica.

Nos últimos meses, por força dos efeitos econômicos da pandemia, tivemos a edição de algumas normas – tanto na esfera trabalhista quanto nas relações de consumo – que permitiram certo fôlego ao mercado. Mas apenas estas normas não serão capazes de oferecer o combustível necessário à retomada. O velho jargão de que o Brasil, por possuir belezas naturais abundantes, clima ameno e características afáveis da população, serão suficientes para reconduzir a atividade turística aos seus trilhos não se sustentam – nem no Turismo emissivo, tampouco no receptivo.

Quanto ao emissivo, temos acompanhado a repercussão negativa ao redor do mundo da condução adotada pelo governo federal no enfrentamento e combate à covid-19. É sabido que alguns destinos internacionais já têm restrições impostas a turistas oriundos de regiões consideradas vulneráveis no enfrentamento da pandemia. Do outro lado, os turistas internacionais, salvo equivocada interpretação, não terão o Brasil como primeira opção para suas férias ou realização de eventos corporativos diante da realidade local. Muito mais deverá ser feito, até porque o Brasil não estava navegando em mares tão calmos antes da pandemia.

As recentes medidas adotadas pela gestão do Turismo no Brasil ainda não apresentaram conteúdo suficiente para o incremento da área. Mais do que nunca, após a devastação gerada pela pandemia, caberá à iniciativa privada se posicionar e cobrar soluções para, em conjunto com o poder público, reescrever todas as medidas necessárias ao resgate do setor. Essa abordagem, para ser efetiva e trazer resultados, não poderá cair na velha prática da adulação. Deve ser propositiva e objetiva, demonstrando de uma vez por todas que o Turismo deveria pertencer ao pelotão de frente das indústrias e, portanto, ter e mesma representatividade junto às decisões de relevância. E não ficando à margem, recebendo iniciativas que não são suficientes para gerar os efeitos necessários.

É o momento para o discurso de púlpito se traduzir em ações concretas. E, principalmente, ter clareza que, isoladamente, o Turismo não conseguirá retomar o seu ritmo, nem crescer e sair dos patamares mantidos nos últimos anos. Sem afrouxar os rigores da proteção ambiental, temos de repensar algumas normas que tratam da visitação em áreas protegidas, criando mecanismos de uso e controles. Temos de aprimorar as medidas de proteção ao consumidor já que, desde a edição do Código de Defesa do Consumidor, na década de 1990, evoluímos em várias áreas. Negócios e compras passaram a ser feitos virtualmente, mas temos um regramento que não consegue atender às demandas atuais.

Ao poder público, por meio de um novo desenho e da participação da iniciativa privada, caberá a técnicos (e não a políticos) retomar as discussões visando ao planejamento de ações que propiciem o desenvolvimento pleno do setor de Turismo, criando medidas efetivas de estímulo ao setor, em conjunto com outras áreas governamentais. E, acima de tudo, adotar uma mensagem única no trato com tudo que diga respeito à atividade turística no Brasil. A hora da retomada é agora!

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