Falem bem ou falem mal

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falem bem
Loja de produtos locais em Puglia, na Itália

Turismo sustentável ou responsável é o tema de 2019. Mercado, destinos, produtos, viajantes e até a mídia apropriou-se dele, mesmo que alguns não tenham total clareza sobre o que trata a pauta. Ainda assim, é uma boa notícia.

Os princípios do turismo sustentável estão ancorados na ética. Aqueles players sérios que associam suas marcas a eles, naturalmente se encaminham para uma gestão mais responsável, compreendendo os impactos de suas ações e operações e trabalhando para positivá-las. Os outros, do contrário, não se sustentam.

Os consumidores, por sua vez, ainda que não sejam versados nas teorias, estão cada vez mais por dentro das atitudes que compõem a ideia de sustentabilidade. Não acham mais natural que um resort esteja no meio de um bolsão de pobreza, se incomodam com o desperdício de alimentos, valorizam a água aquecida por painéis solares, reconhecem que um destino lotado não é necessariamente sinônimo de sucesso, querem viver experiências locais, prestam atenção à redução do consumo de plástico e compram produtos locais, assim como se relacionam com as comunidades. Eles, enfim, passo a passo tomam consciência sobre o im- pacto de suas escolhas.

Durante a Abav Expo 2019, três coisas me chamaram a atenção. Muitos produtos – hotéis, companhias aéreas, locadoras de veículo e outros – associaram suas campanhas de comunicação à sustentabilidade; os espaços temáticos dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU foram integrados organicamente à feira; e, principalmente, a lotação da plateia para assistir ao painel sobre turismo em territórios indígenas, liderado pelo Muda, o coletivo brasileiro pelo turismo responsável.

Operadores, agentes de viagens, estudantes, donos de agência e curiosos juntaram- -se para ouvir gente que está na lida de verdade, os representantes legítimos dessa “novidade”. Anfitriões indígenas, operadoras especializadas que já operam produtos de turismo responsável na Amazônia e até a Fundação Nacional do Índio (Funai) estavam ali para esclarecer os presentes sobre os impactos dessas viagens, apresentar as oportunidades existentes para o mercado, derrubar mitos anacrônicos e, principalmente, se conectar com as pessoas. Há uma mu- dança ocorrendo agora.

Falem bem: Tendência

O futurista Peter Kronstrom, diretor do Copenhagen Institute for Future Studies, apresentou as megatendências para o Turismo nos próximos dez anos durante a convenção da Braztoa de 2018, em Ilhabela (SP). Para mim, uma delas se concretizou no momento deste painel: a próxima fronteira é a do turismo de experiências transformadoras.

O mercado estava lá, respondendo a uma demanda dos clientes que já se configura no horizonte. Aquela dos que querem mais do que uma viagem inesquecível. Eles já compreenderam que há um movimento de clientes que buscam voltar de suas viagens transformados pelas vivências que os conectam com seus propósitos de vida. E que a onda vai crescer.

Para fechar o ano, o Festuris de Gramado (RS) também tem o espaço Sustentabilidade e Acessibilidade, mais uma comprovação de que a causa não é só um modismo. Então, falem bem ou falem mal, mas é hora de falar exaustivamente sobre o turismo sustentável. A oportunidade está na porta. Deixe-a entrar!

Conheça o site de notícias de turismo sustentável da Editora Via: Via Sustentável
Leia a entrevista de Arnaldo Franken na edição 830 do Brasilturis: Sem comissão
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