Falsos profetas e palpiteiros de plantão

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Por Ricardo Hida*

Jesus já tinha avisado: chegaria uma época na humanidade que falsos Cristos e profetas criariam um imbróglio usando seu nome e dariam interpretações esquisitas do Evangelho. A profecia se cumpriu: o que não falta é confusão envolvendo seus ensinamentos e sua mensagem. Mas como religião não é o tema da coluna, tampouco do site, paramos a discussão por aqui, usando a passagem do Novo Testamento como analogia para dizer que falsos profetas surgem em todos os lugares, até mesmo na indústria do turismo.

Não raras vezes despontam grandes sábios, especialistas, gurus no mercado prometendo grandes feitos e engambelando muita gente. Em época de redes sociais, cursos de marketing pessoal, oratória e imagem, pães bolorentos travestidos de brioche francês pululam em todos os cantos.

O problema é que tais figuras esbanjam verniz na mesma proporção que clamam por conteúdo, experiência, seriedade e talento. E a situação fica mais trágica quando essas criaturas tumultuam o mercado oferecendo serviços a preços bem menores que aqueles praticados profissionais com experiência, trajetória e reputação ilibada roubando-lhes clientes e nivelando tudo por baixo.

Em cada estação, surgem os gurus do momento. Já apareceram aqueles que entendem tudo de revenue management e quase quebraram os hotéis para os quais prestaram consultoria. Houve também os especialistas em branding, desorganizando as marcas de seus clientes. Vimos ainda os especialistas em gestão de talentos e recursos humanos, consumindo milhares de reais em treinamentos sem nenhuma lógica.

Nos últimos tempos, surgiram os grandes especialistas de luxo. Gente que nunca trabalhou em uma empresa voltada para o setor, nunca estudou o assunto a fundo – lendo apenas algumas revistas, blogs e poucos livros – e que nunca implantou uma marca, um hotel, um serviço de alto padrão. Muitos dos tais profissionais sequer vivenciaram experiências em hotéis, restaurantes e destinos luxuosos. São os tais palpiteiros que lançam cursos, escrevem livros rasos e que prestam “consultoria” de forma irresponsável e sem ética.

Já presenciei alguns deles em palestras e cursos que ministrei, copiando materiais e frases minhas sem nenhum pudor, cobrando verdadeiras fortunas em palestras que davam, tão falsificadas quanto as bolsas Vuitton, Goyard e Chanel vendidas nos estandes de chineses na Avenida Paulista.

O mercado precisa cada vez mais de profissionais em todos os segmentos do turismo para fazer a indústria crescer no Brasil. Não há por que se ter reserva de mercado ou barreiras para entradas de pessoas físicas e jurídicas interessadas em explorar o turismo de luxo. O mercado é muito grande, com potencial de crescimento de dois dígitos por vários anos. Mas quem decidir fazê-lo, precisa ser ético, ter bagagem, experiência e conhecimento.  Por mais que tais características aparentem ser desnecessárias ou ultrapassadas.

*Ricardo Hida é formado em administração pela FAAP e pós-graduado em comunicação pela Cásper Líbero. Foi diretor da H&T Eventos, executivo de vendas na Air France-KLM, gerente de marketing na Accor Hospitality e diretor adjunto do Escritório de Turismo da França no Brasil. Atualmente é CEO da Promonde. Dirigiu a comissão de turismo da Britcham e CCFB e foi diretor da ABRAT-GLS entre 2007 e 2009.

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