Falta fazer o certo

A Amazônia está pegando fogo. O que é certo fazer? Apagar o fogo. Tomada a decisão de apagar, o próximo passo é discutir como, com que recursos, quem apaga, como trabalhar junto, enfim, listar o que é necessário e fazer. Depois do fogo apagado, aí sim chega a hora de investigar, de apontar culpados e de capitalizar a reputação.

A falta de objetividade e lucidez na tomada de decisões está sendo levada à máxima potência no exercício das redes sociais, fake news e pós-verdades. Há muita dificuldade em se posicionar, já que em tempos de polarização, manifestar-se favorável a algo leva ao risco de – automaticamente e involuntariamente – colocar-se contra outra coisa, até mesmo imprevista, o que não é necessariamente um fato.

A consequência de não tomar decisões é que alguém vai tomá-las por você. Que vergonha. O exemplo da Amazônia é nacional, mas podemos trazê-lo para os municípios. Quantas decisões em favor de fazer o que é certo deixam de ser tomadas todos os dias?

Para quem ainda não se inteirou da agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), aquela dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), uma das metas do objetivo 8  (Trabalho Decente e Crescimento Econômico) é, justamente, elaborar e implementar, até 2030, políticas para promover o turismo sustentável, que gera empregos e promove a cultura e os produtos locais. Ou seja, na agenda global, entre 169 assuntos, o turismo sustentável é colocado como pauta do desenvolvimento econômico. O caminho está dado.

Este ano, o Mapa do Turismo Brasileiro 2019-2021, organizado pelo Ministério do Turismo, acaba de validar 2.694 cidades de 333 regiões turísticas como aptas para receber investimentos diversos focados no desenvolvimento do turismo. Ótimo. Mas é preciso fazer o certo localmente com esses investimentos. E, assim como apagar o fogo da Amazônia é o certo a se fazer, para promover turismo sustentável o correto é promover a atividade econômica para gerar riqueza, respeitando a história e a vocação locais, o meio ambiente e as pessoas que vivem naquele destino.

Isso se faz criando condições para que as pessoas e os empreendimentos deem o seu melhor. Quando encontram um lugar bonito, preservado de acordo com sua identidade, limpo, sinalizado, comprometido com as pessoas que valorizam a cultura local, a experiência, tanto no Brasil, quanto no exterior, é natural que os visitantes também se comportem assim. E que mais lugares recebam visitantes, não só os destinos manjados.

Parece fácil, mas investir em infraestrutura é uma decisão difícil. Nem sempre agrada ao que já está estabelecido. É preciso abrir-se ao diálogo, cocriar, posicionar-se, superar o impulso de revidar às posições contrárias e, principalmente, ter em mente que os resultados nem sempre estão dentro de um mandato. Mas, se essas decisões não forem tomadas, os próprios turistas vão optar por não escolher aquele destino. Ou nem vão saber dele. Que vergonha.

Pense no futuro do consumo. Turismo estará no ápice das experiências transformadoras desejadas. Se, para os millennials, causas socioambientais já devem estar obrigatoriamente nos produtos e serviços que consomem, imagine para a próxima geração dos nativos digitais, a chamada Geração Z, que já está engajada na economia solidária. Está esperando o quê para apagar o fogo?

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