Faltam trens no Brasil

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Por Christina Kler*

Estudei durante dez anos na Suíça e algo que ficou na minha memória são as inúmeras viagens que fiz de trem. É fácil, cômodo, seguro e você ainda pode escolher se quer viajar confortavelmente em uma primeira classe ou gastar menos e seguir em uma razoável segunda classe. Aliás, é uma maravilha cruzar a Europa de trem.

Nunca entendi por que o Brasil, com essa imensidão toda, nunca investiu seriamente em ferrovias. Seria perfeito ter um trem entre o Rio de Janeiro e São Paulo e não ter de dirigir ao longo dos perigosos 443 quilômetros da rodovia Presidente Dutra. Onde foi parar o projeto do trem-bala?

Acho difícil alguém discordar que viajar de trem sem preocupações, saboreando uma refeição e um bom vinho, podendo admirar variados cenários pela janela, não seja uma experiência perfeita para qualquer idade – no inverno ou no verão.

Um país de grandes dimensões que foi fundado sobre trilhos é o Canadá. Dizem que a construção de uma linha para a Colúmbia Britânica foi um dos motivos que levaram essa província a concordar em fazer parte do então jovem país. Assim, no século 19, as ferrovias passaram a fazer parte das lindas paisagens canadenses.

Então, agente de viagens, minha dica é que você ofereça ao seu cliente a luxuosa jornada a bordo do Via Rails “The Canadian” que começa com uma confortável e requintada acomodação na Prestige Sleeper Class; as cabines são totalmente modernas e elegantes, mas a experiência de trem é clássica e oferece serviços impecáveis.

Além da possibilidade de poder desfrutar de algumas das vistas mais espetaculares do mundo enquanto o vagão desliza, a parte gostosa fica por conta do vagão onde são servidas as refeições com produtos frescos e locais. O trem é tão famoso e reconhecido pelo país que está estampado nas notas de dez dólares canadenses.

O Via Rail oferece um novo padrão em viagens, com camas fofas, televisão de plasma, banheiros privativos e serviço de cabine. Um dos roteiros mais lindos é sair de Toronto, uma das cidades mais animadas do Canadá, e passar pelas cidades de Winnipeg, Edmonton, Jasper até chegar a Vancouver, depois de quatro noites.

Ao deixar as grandes cidades para trás, será possível admirar os campos dourados, os lagos no norte de Ontario, os picos nevados das majestosas Montanhas Rochosas e, quem sabe, ver um cervo saltitante. Ao todo, são 4.466 quilômetros de pura beleza.

O Brasil bem que podia ter um trem que cruzasse o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e outros tantos destinos maravilhosos e de difícil acesso… Não custa nada sonhar.

*Executiva focada em desenvolvimento de negócios ([email protected])

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