Fecomercio SP: Viagens corporativas são motores econômicos

Em webinar promovido nesta terça (1), a Fecomercio SP debateu com a Alagev sobre a retomada do setor de eventos e viagens corporativas

Fecomercio SP

O mercado corporativo é, de longe, um dos principais segmentos impactos pela atual crise causada pela pandemia da covid-19. Mas e o processo de retomada? Como fazer este setor reconquistar seu cenário pré-pandemia quando o lazer já caminha em direção ao reaquecimento?

Este foi o tema principal do debate apoiado pelo Brasilturis Jornal promovido pela Fecomercio SP nesta terça (1), que contou com a presença de Mariana Aldrigui, professora doutora da Universidade de São Paulo e presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP, e Eduardo Murad, diretor executivo da Associação Latino Americana de Gestores de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev).

O que é viagem corporativa?

A fim de tirar a imagem estereotipada do termo, Mariana destaca que se trata de um modal que não é exclusivo para aquele profissional executivo trajado de terno e gravata e com sua pasta em mãos. E Murad reforça que, de fato, isso não representa em sua totalidade o segmento.

“Viagens corporativas são todas as viagens promovidas por um CNPJ ou, também, realizadas por uma pessoa física, mas ressarcida por uma empresa. Não é mais somente para aquela imagem do aeroporto menor com o executivo com sua mochila e um notebook, mas também compreende um profissional, por exemplo, que vai fazer uma assistência em um equipamento médico”, comenta o executivo.

E o transporte aéreo, por mais que carregue grande parcela do protagonismo do segmento, não é o único modal utilizado por esses viajantes, conforme complementa Murad. “Também envolve o turismo rodoviário, seja em empresas de ônibus ou locação de automóveis”, reforça.

Mariana também chama atenção para a sinalização de que algumas cidades não atuam com turismo por conta do seu perfil corporativo. “Mas há um fluxo que é levada pelos negócios, não pelo lazer. Aliás, estamos falando de profissionais que continuaram viajando apesar da pandemia por questões essenciais”, ressalta.

Contínuo trabalho pautado na retomada

Desde o começo da pandemia, a Alagev, em parceria com demais entidades do setor de Turismo, vem trabalhando em pleitos que visam reforçar a importância do segmento. “A gente tem falado muito de retomada para mostrar que os eventos podem acontecer, até mesmo de forma híbrida. Os shoppings já estão funcionando e tem um caráter de aglomeração. Toda a indústria de eventos possui protocolos muito bem definidos”, pontua Murad.

Ciente do impacto, a Alagev se preocupa, durante esse período, em amparar e acolher os profissionais e o segmento. De acordo com o representante da entidade corporativa, as viagens corporativas ainda mantiveram um fluxo de, aproximadamente 35%. Já os eventos caíram totalmente. “Ainda em um cenário de pandemia, havia uma necessidade de fazer viagens e, agora, a gente se pauta na questão de retomada”, comenta.

No entanto, Murad destaca que é necessário entender o quão necessário é seu evento e se, atualmente, as ferramentas digitais podem ser consideradas alternativas para realizar ações pautadas em conteúdo. “Estamos questionando junto com os profissionais qual é o objetivo do seu evento. Por quê promove-lo? É muito importante entender o motivo de fazer viagens e eventos hoje. A certeza que temos é que ambos não vão acabar”, diz o diretor executivo sobre a integração de novas plataformas digitais e a permanência dessas ferramentas no cenário pós-pandemia.

Importante motor econômico

Mariana aproveita o momento para ressaltar a injeção econômica do segmento para com os outros setores do mercado, como aviação e hotelaria. “É um cliente que geralmente compra passagens aéreas com datas próximas e que exige, por exemplo, uma infraestrutura hoteleira mais capacitada”, comenta a professora.

Murad concorda e complementa que o viajante corporativo possui um comportamento diferente do viajante de lazer. “As empresas buscam forma de reduzir esse custo, mas tem coisas que interferem, como tempo e localização. Existe toda uma reponsabilidade. O profissional não pode ir para qualquer hotel. Tem que se enquadrar nos parâmetros estabelecidos pela empresa”, detalha.

Outro ponto importante citado pelos profissionais é o impacto também causado em demais setores, como de alimentos e bebidas, visto que os profissionais se alimentam no destino e ainda tendem a pôr em prática o bleisure, termo que simboliza a união entre negócios (business) e lazer (leisure). “Ele [o profissional] aproveita o seu tempo para conhecer o destino, para ir ao shopping, para comprar lembrancinhas para os familiares. Então é um viajante que impacta na roda econômica local”, avalia Murad.

O termo bleisure, muito pautado nos últimos anos, agora dá lugar a uma nova modalidade neste período de pandemia, que Murad nomeia de Office Everywhere. “O profissional está trabalhando remotamente e ele pode fazer isso em qualquer cidade. Conheço profissionais que foram para o litoral, trabalham e aproveitam o momento para colocar o pé na areia. Hoje em dia, basta ter uma conexão com a internet”, comenta.

Futuras apostas

Murad declara que os destinos precisam entender o viajante corporativo, a fim de lhe proporcionar serviços e infraestruturas condizentes. Além disso, chama atenção mais uma vez que este tipo de estrutura não pode ser a mesma que aquela destinada ao viajante de lazer.  Outro ponto citado pelo profissional é que agora é o momento em que os destino secundários – ou seja, com menor fluxo de visitantes – se destacam.

Eventos híbridos, que já estavam em pauta durante o Lacte 15, promovido em fevereiro deste ano, também é considerado uma tendência que deve deixar legado até mesmo após a crise. “Mais uma vez a gente questiona ‘qual é o objetivo do evento?’. Os participantes vão se atrair por ações que tenham o contato como objetivo. E o conteúdo complementa isso e, por meio dos meios digitais, é possível que um profissional que não pode estar presente ter acesso”, complementa.

Indo na mesma linha, a gestão deve pensar a frente e se pautar em todo o trajeto dos viajantes, indo do básico aéreo e hotel. “É preciso prestar atenção no fluxo total de viagem, no gasto do dia a dia. Este é o grande fator da gestão. Olhem a cauda longa. Conheça seu passageiro e acompanhe de onde ele sai e suas atividades durante a viagem”, conclui Murad.

A live pode ser assistida no link abaixo:


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