Fernando de Noronha (PE) avalia retorno após rigoroso lockdown

O destino, que teve seus moradores em regime de isolamento desde 20 de abril, já trabalha com protocolos de flexibilização de atividades

Fernando de Noronha anunciou que conseguiu zerar a doença no arquipélago. Todos os 28 pacientes que foram infectados pelo novo coronavírus estão curados e não há mais casos suspeitos da doença. O fim dos casos de coronavírus em Noronha coincide com o fim da quarentena, que encerrou no último domingo (10).

Desde o dia 20 de abril os moradores da ilha vivem em regime de isolamento total, que vem sendo conhecido no país como lockdown. Com a medida, estabelecida pelo Decreto Estadual 48.955, os moradores passaram a ter que preencher formulários via internet solicitando autorização da administração para sair de casa. A liberação era dada apenas para necessidades essenciais.

“Temos que agradecer a população, que precisa ser parabenizada. Todas essas ações inconvenientes e chatas trazem hoje esse resultado. Tudo isso é reflexo do respeito que a população teve pelas medidas implementadas pelo governo. A gente é mais forte quando a gente se une, quando a gente está junto e quando a gente se respeita. Isso fez Noronha vencer e passar por essa pandemia”, afirma Guilherme Rocha, Administrador Geral do destino.

Com o fim da quarentena, o governo trabalha em um protocolo de flexibilização gradual das atividades na ilha. Em um primeiro momento, a reabertura será para os moradores que estão no arquipélago. “Ainda teremos regras e recomendações, porque zeramos os casos mas precisamos ter a certeza de que o vírus não circula mais na ilha A abertura para a comunidade se dará em algumas etapas, com algumas recomendações a serem seguidas”, declara Rocha.

Agora o foco das autoridades sanitárias em Noronha será o estudo epidemiológico que começará na próxima semana. Serão testados em torno de 900 voluntários entre homens e mulheres, de diversas faixas etárias e de todas as regiões da ilha. Os participantes serão selecionados de forma aleatória. 

A pesquisa fornecerá evidências para orientar ações de vigilância e de controle da doença e também irá apoiar a tomada de decisão da Administração e do Governo do Estado na retomada das atividades sociais e econômicas na ilha. “O estudo epidemiológico irá determinar se o vírus ainda circula na ilha em pacientes assintomáticos, se circulou em outros lugares onde não foi detectado. O resultado deve sair ainda entre 15 e 20 dias”, explica administrador geral.

Case de sucesso

No dia 27 de março, o Governo do Estado já havia decretado o fechamento do arquipélago para visitantes. Os turistas que estavam visitando a ilha precisaram deixá-la entre os dias 17 e 20 de março, com a ajuda de voos extras. O aeroporto, limitado a um voo semanal, ficou aberto apenas para embarque e desembarque de moradores e servidores. Gradualmente as restrições foram aumentando. A partir do dia 05 de abril, moradores também não puderam mais entrar.

Na sequência, o desembarque foi vetado também para servidores. O Porto de Santo Antônio também teve suas operações limitadas. Um protocolo passou a ser empregado pela vigilância de saúde, na chegada dos barcos de cabotagem, para a investigação epidemiológica dos tripulantes.

Também foi fundamental a estratégia de testagem em massa adotada pelo Governo na ilha. Todas as pessoas que tinham contato com pacientes confirmados eram postas em isolamento domiciliar e testadas para a doença. Assim foi possível acompanhar e controlar a propagação do vírus. Noronha registrou 28 casos de covid-19, sendo 17 homens e 11 mulheres, entre 25 e 59 anos.

Com a suspensão das atividades turísticas e do comércio, principais atividades econômicas da ilha, muitos moradores ficaram sem nenhuma renda. A Administração, com o apoio do Governo do Estado e de algumas parcerias, adquiriu 2 mil cestas básicas para serem distribuídas com a população. Além disso foi criado o vale-gás, um crédito de R$ 200 por mês para ajudar na compra de gás de cozinha, água mineral e gêneros alimentícios.

Também foi feita pela Administração a doação de óleo diesel para as embarcações de pescadores que voluntariamente saem para o mar, para trazer peixe e distribuir com os moradores. Um trabalho coordenado pelo Conselho Distrital, que esteve sempre ao lado da Administração, na tomada de decisões.

“A gente deve muito a essa comunidade. O nosso desejo é de poder trazer o quanto antes o nosso pessoal de volta para a ilha. Mas é preciso pedir muito a nossa comunidade que nos ajude nesse momento porque gente não pode voltar à estaca zero”, enfatiza o presidente do Conselho, Milton Luna.

Com a colaboração de toda a comunidade, empresas da ilha e governo, Noronha atravessou o momento mais difícil da pandemia. Ainda não há prazo para que tudo volte à normalidade, incluindo a reabertura para os turistas. “Se a gente está sendo exemplo para o Brasil, que esse exemplo seja seguido. Vamos rezar para isso. No momento em que estamos vendo tanto sofrimento do povo brasileiro, não há motivo para comemoração. Vamos esperar, que a hora vai chegar”, conclui Guilherme Rocha.


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