Fita: turismo em Unidades de Conservação pode contribuir com desenvolvimento local

No terceiro painel da 9ª Feira Internacional de Turismo da Amazônia (Fita), a discussão sobre turismo sustentável em UCs constatou, no geral, que o primeiro passo é colocar as comunidades como protagonistas

Fita - Turismo em Unidades de Conservação
Socorro Almeida (Ideflor-bio), Hugo Veiga (Setur-MA) e Manoelle Reis Paiva (ICMBio Flona do Tapajós) (Foto: Lucas Kina/Brasilturis Jornal)

A atividade turística pode ser atrelada a uma série de questões econômicas e culturais. Na região amazônica, é comum que Unidades de Conservação (UCs) e reservas sejam colocadas como alternativas para visitantes, apesar de isso não ser, de fato, um segmento. A pergunta, no entanto, é se esse modelo de turismo pode resultar em benefícios às comunidades. A resposta para alguns representantes é afirmativa.

No painel da 9ª Feira Internacional de Turismo da Amazônia (Fita), a discussão sobre turismo sustentável em UCs constatou, no geral, que o primeiro passo é colocar as comunidades como protagonistas.

Na prática, é ótimo que órgãos turísticos tenham planos voltados à melhoria da região, mas a utilização como equipamento de turismo precisa ter o aval e interesse dos locais em estar neste holofote. Segundo o mediador do debate, Hugo Veiga, secretário adjunto de Turismo do Maranhão, ainda há dificuldade em entender a especificidade e delicadeza do turismo de base comunitária.

“O pensamento precisa ser fora do lucro, voltando-se à gestão da área acima de uma venda desenfreada. Não é um produto e o apoio das bases do setor precisa ser mais assertivo. Além da capacitação para que os locais conduzam o aparato turístico, o turista e profissional do turismo deve buscar agir em conjunto com estas pessoas”, pontua.

Turismo em UCs: visões

Além dele, o encontro contou com contribuições dos painelistas Socorro Almeida, diretora de Gestão e Monitoramento de Unidades de Conservação do Ideflor-bio; Manoelle Reis Paiva, analista ambiental do ICMBio Flona do Tapajós; e Adélio Demeterko, diretor do Grupo Cataratas.

Na visão da primeira, esse tipo de trabalho precisa envolver o turismo com ações voltadas à preservação dessas regiões. Dessa forma, é possível que a atividade ajude a reverter em investimentos e melhora da infraestrutura geral dos destinos.

“É um mercado de potencial enorme e, se explorado com consentimento, atenção e as devidas tratativas, tem tudo para fortalecer a economia regional. É preciso trabalhar pensando nas comunidades em primeiro lugar”, afirma.

Em seguida, Manoelle salientou, utilizando o número de visitação em locais do tipo em 2020, o vasto campo de atuação do turismo em bases comunitárias e UCs. “Foram 6 milhões de visitantes passando por equipamentos turísticos neste model em 2020 — mesmo em um ano de pandemia. É uma amostra do quanto existe interesse das pessoas”, diz.

Além disso, representando a Floresta Nacional do Tapajós, onde o turismo de base comunitária é aplicado, a profissional citou o lado das 1.050 mil famílias residentes que também se aproveitam do turismo.

“Com 70% dos visitantes vindos do próprio Pará, sendo o restante dividido entre São Paulo, Rio de Janeiro e estrangeiros, aplicamos um modelo que gera benefícios também à comunidade, atingindo-a indiretamente com os frutos da atividade turística”, complementa.

Por fim, Demeterko citou que o Grupo Cataratas atua, nos últimos anos, com o propósito de impactar de forma positiva no meio ambiente e nas comunidades. “Nós atuamos pensando globalmente e agindo localmente, sempre liderados pelo ideal de preservação. Queremos atuar com o turismo em regiões sustentáveis sem explorar a natureza”, conclui.

*Brasilturis Jornal viaja a Belém à convite da Secretaria de Turismo do Pará (Setur-PA) com seguro Affinity

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