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Follow the money

A expressão – que, em português, significa “siga o dinheiro” – ficou famosa no filme “Todos os Homens do Presidente”, um drama documental sobre Watergate, o escândalo de corrupção nos Estados Unidos que levou à renúncia do presidente Richard Nixon, em 1974.  Nesse contexto, ela significava que o dinheiro deixa rastros e segui-los poderia levar ao poder financiador dos esquemas fraudulentos.

Cinquenta anos e várias leis anticorrupção depois, o mundo ainda diz “siga o dinheiro”. E este ano de 2020 começou com mudanças nas regras do jogo. São os próprios “donos” que vão ter de seguir o dinheiro que irão colocar no mercado, desde a origem. Só vai receber investimento quem estiver comprometido com transparência, sustentabilidade e diversidade. Isso aconteceu porque eles enxergaram que essa estratégia realmente dá lucro.

No mundo das finanças que determinam tendências para os negócios globais há marcos importantes que são seguidos pelo mundo inteiro. As comunicações dos presidentes de grandes fundos de investimentos, o Fórum Econômico Mundial (World Economic Fórum) e o pronunciamento dos grandes bancos são os maiores exemplos.

A carta de Larry Flink, CEO da gestora de ativos Blackrock, aponta que as mudanças climáticas entraram de vez na pauta financeira. No Fórum Econômico Mundial os países mais ricos avisaram que não investirão mais em nações com fracas políticas ambientais e que as métricas vão focar em impactos totais – ou seja, resultado só se mede levando em conta impactos ambientais, sociais e humanos, além dos financeiros. Já o banco Goldman Sachs foi o primeiro de Wall Street a declarar que não fará abertura de capital de empresas que não tiverem pelo menos uma mulher no conselho administrativo.

E o que isso impacta no nosso dia a dia?  Dinheiro não manda recado e nem leva desaforo para casa. Se é assim que o lucro precisa acontecer, assim vai ser. O melhor é nos preparar para isso o quanto antes, pois todos serão pressionados a cuidar de seus impactos. A boa notícia é que isso pode ser interessante para todo mundo. O turismo é uma das maiores indústrias globais, cresce mais que a indústria automobilística e representa fatia maior que a dos próprios bancos, do setor agrícola ou da saúde no PIB global.

No mercado das agências e operadoras há muito a ser feito. Transparência no cálculo do crédito das viagens, diversidade na contratação de pessoas, eliminação de plásticos de uso único na própria atividade e na prestação de serviços, desenvolvimento de produtos que beneficiem os destinos de turismo e de negócios, inclusão da população local dos destinos nas decisões, treinamentos específicos de produtos sustentáveis – como os programas de compensação de crédito de carbono das companhias aéreas – são apenas algumas das centenas de atitudes que podem ser tomadas para colocar os negócios entre aqueles com prioridade de crédito.

A premissa “Agir localmente e pensar globalmente” está mais atual que nunca. Vamos juntos!

 

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