Fórum Abracorp destaca a economia turística e impactos do setor

De acordo com Carlos Prados, presidente da Abracorp, equipes econômicas não entendem o real impacto do segmento e, por isso, destaca a necessidade da contínua aposta

A Abracorp promoveu, na manhã desta quinta-feira (26), no Expo Center Norte, em São Paulo, a quinta edição do Fórum Abracorp. O evento contou com dois painéis – “Os Novos Voos da Economia Brasileira” e “Turismo é Pauta Econômica” – e reuniu representantes e líderes do setor, como Magda Nassar, presidente da Abav.

De acordo com Gervasio Tanabe, diretor executivo da Abracorp, o encontro não se compara com muitos outros que acontecem no mercado. “Existem muitos fóruns que discutem a parte técnica. Por isso, a decisão do conselho foi optar pela discussão de um ecossistema como um todo e entendemos que o foco é a economia”, destaca o executivo.

Carlos Prado, presidente da Abracorp, complementa a ideia abordada por Tanabe e ressalta que “turismo é pauta econômica”. “Vamos nos orgulhar do que temos e dessa forma temos que caminhar. O turismo é visto por algumas equipes econômicas como um setor que não precisa de atenção. O serviço vai crescer muito, o comercio também. Cada dia teremos números melhores e para que demonstremos ao governo os impactos positivos que causamos. Este é o caminho”, complementa.

Magda Nadssar, presidente da Abav Nacional, Carlos Prado (Abracorp)

O executivo ainda aproveita o momento para ressaltar que o Fórum Abracorp é para provocar os agentes financeiros e vejam o mercado como uma grande oportunidade e as possibilidade de fazer seu capital multiplicar. “Temos potencial. Basta que diminuamos os desperdícios, multipliquemos resultados e compartilhemos ganhos com os outros 52 setores. O bolo do turismo tem que crescer e vamos ficar com uma fatia cada vez maior”, instiga.

Magda também destacou a importância de demonstrar os resultados gerados pelo setor e usa a 47ª Abav Expo como exemplo. “Ano passado, o número total foi de R$ 31 bilhões. Este ano, contratamos 1,8 pessoas. São pontos que o Ministério da Economia não entende. São resultados que fazem diferença na economia e que tem uma geração imediata na receita. A Abav pede que espalhemos, falemos e cobremos. Estamos em um momento delicado. A economia precisa de nós e nós precisamos da economia”, pontua a executiva.

Fórum Abracorp: palestras

O primeiro painel, intitulado “Os Novos Voos da Economia Brasileira”, foi ministrado por Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos. A profissional lamenta não poder só contar notícias boas sobre o mercado e destaca a necessidade de abrir os olhos para os desafios. “Cometemos o erro de colocar todos os problemas na classe política. O Brasil vem conseguindo passar por alguns testes. Temos razão para celebrar, mas temos uma sociedade que não aceita inflação alta. Isso acaba impactando a economia e agenda política”, declara.

Ainda de acordo a executiva, estamos super atrasados, mas estamos começando a caminhar para frente com a reforma da previdência. “Os costumes mudaram no Brasil e estamos vivendo mais. Os gastos com previdência crescem em um ritmo acelerado, mas a reforma foi aquém da nossa necessidade. Estados e municípios ficaram fora. Por melhor que seja a reforma, não resolve questões fiscais. O setor quer atenção especial, todos querem. O dinheiro acabou. Não vai sobrar dinheiro. Tem mais ajuste que precisamos fazer”, alerta Zeina, que demonstra o salto de 12,4% para 14,6% na despesa previdenciária do Brasil, com previsão de adição de R$ 55 bilhões na previdência.

Por isso, a palestrante avisa que, durante a nova gestão política, continuará havendo déficit público, mas com uma tendência de queda. “A palavra é perseverança. A reforma não vai fazer mágica e fazer o Brasil crescer. Outras reformas precisarão ser feitas, a reforma é só uma garantia. Precisamos dar continuidade às reformas estruturais. Demora para se materializar. A tendência é ganhar ‘tração’ aos poucos. Somos um País jovem e pobre, mas que age como se fosse rico. Se continuar assim, será velho e pobre”, informa a economista.

Em suma, a executiva afirma que não se trata de um cenário homogêneo, mas, de uma forma geral, “o País está em momento de melhora e investindo nas reformas, mesmo sabendo que não colheremos cedo”. “É essencial ter clareza dos principais gargalos. Por que o Turismo é caro? Temos que descobrir talentos e ter diagnósticos claros. Temos que olhar para fora, não só para o seu setor, mas para todos. Precisamos que o segmento se posicione”, finaliza.

Chieko Aoki, Blue Tree; Vinicius Lummertz, secretário do Turismo de São Paulo; e Zeina Latif, economista chefe da XP Investimentos

O segundo painel contou com a presença de Vinicius Lummertz, secretário de Turismo de São Paulo; Carlos Prado; Toni Sando, presidente da Unedestinos; Roberto Nedelciu, presidente da Braztoa, Eduardo Sanovicz, presidente da Abear; e Caio Luiz de Carvalho, diretor geral da Band São Paulo. Intitulado “Turismo é Pauta Econômica”, o debate destacou a necessidade de continuar estudando e aproveitando de todas as oportunidades que o mercado está proporcionando em questões econômicas e de iniciativas realizadas.

Lummertz afirma que para que o setor se desenvolva, é preciso aproveitar melhor o tempo, considerado o pior roubo que há, de acordo com o executivo. “O grande problema do Brasil são discussões sem contexto, sem contar marco político e cenários estratégicos. Uma das grande novidade que tivemos foi a queda do ICMS, que caiu de 25% para 12%, que eu ainda considero alta. Precisamos de reformas. Precisamos mudar o ambiente de negócios. É necessário trabalhar junto para concluirmos a agenda”, aponta o secretário.

Sanovicz reforça a importância da redução o ICMS, principalmente se levado em conta as proporções que essa ação tomou. “Tínhamos assumido o compromisso de colocar 490 voos no ar. Já anunciamos o voo 690, que chegam a 21 estados. Além disso, o congresso decidiu manter a desregulamentação da resolução 400, mantendo a mais nova política de bagagem. É necessário. Precisamos fazer reflexos turísticos. Não podemos mais conviver com esse cenário de urgência das agendas. Estamos em fase de receber novos profissionais e que sejam interessados em políticas”, alerta o executivo.

Sando aproveitou a oportunidade para destacar o trabalho de integração entre as entidades e associações, a fim de oferecer ainda mais novidades e não permanecer em uma retórica. “Entrar no ano que vem com um outro cenário econômico e voltando com o melhor a oferecer de nosso País”, diz.

Nedelciu relembra que a Braztoa cresceu 7% em 2018 e que, por mais que as expectativas sejam otimistas – incluindo as estimativas deste ano – é necessário se tornar curadores dos próprios clientes. “A tecnologia pode ser um aliado. Ela está nos influenciado. Temos que fazer esforços, ser criativos e fazer as coisas acontecerem. O segundo semestre está sendo mais ou menos, por questões cambiais, mas a tendência é continuar nesse aumento”, se orgulha.

Para fechar, Prado dá um conselho final. “Juntos podemos ir mais longe. Temos que sair da nossa síndrome do ninho, esperando no seu próprio quadrado. Temos que ajudar o poder púbico. Vamos nos preparar para o futuro. Não há recursos para investirmos, então vamos nos ajudar. Todos nós temos algum recursos”, aconselha o presidente da Abracorp.

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