Fórum BLTA encerra com novas perspectivas para a hotelaria de luxo

Pela diversidade dos temas abordados, alguns indícios constatados apontam perspectivas para o setor e uma ‘redefinição’ do conceito de luxo no setor hoteleiro

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Martin Frankenberg e Simone Scorsato, presidentes da BLTA

Encerrou na última semana o Brazilian Luxury Travel Association com mais de 35 horas de gravação disponível no Youtube. No primeiro dia, o evento com fala de Gloria Guevara, presidente do World Travel & Tourism Council (WTTC) teve 640 expectadores, os demais diálogos ficaram com a média de 100 pessoas ao vivo; quanto aos webinares, a média foi de 300 pessoas por dia.

 “Foi a primeira ação on-line da BLTA e podemos afirmar que superou as nossas expectativas. Criamos, em menos de um mês, um portal não só para a realização de webinares e debates os diálogos,  mas uma ferramenta interativa entre os participantes pela qual foi possível trocar comentários via chat e cartão de visitas, acessar os stands dos associados e patrocinadores e todo o conteúdo disponível no Youtube. Foram mais de 35 horas de gravação mostrando e debatendo a diversidade de nosso país”, afirma Simone Scorsato, diretora-executiva da BLTA.

Martin Frankemberg, presidente da BLTA aponta outro diferencial em relação à concepção do fórum: “geralmente, os eventos do turismo de luxo são fechados para um pequeno grupo de agências. Este, porém, teve uma grande diferença, pois foi aberto a um público mais amplo e a gente conseguiu transmitir um pouco sobre o que significa o turismo de luxo para o próprio trade e para a economia do brasil”, afirma.

Outro aspecto que vale ser ressaltado foi o fee solidário, uma inovação no processo de inscrição. “Buscamos estimular que os participantes pudessem conhecer e se engajar em projetos sociais. Para isso, incluímos no portal dois projetos SOS pantanal e a fundação Almerinda Malaquias, estimulando a adoção de uma inscrição por meio de contribuições espontâneas. Não era uma obrigatoriedade doar para ter acesso ao fórum, mas ao todo foram arrecadados R$ 4.300. Uma soma ainda tímida, mas que representa muito para nós, sem dúvida. Foi uma inciativa que se mostrou eficaz e será adotada de forma permanente em eventos futuros”, antecipa Simone.

Conforme explica Claudia Baumgratz, da comuna do Ibitipoca, é importante contratar moradores da região e investir em sua capacitação, assim como, também, valorizar e promover a cultura local. “estimulamos a comunidade a continuar com seus hábitos culturais por meio do turismo, pois a autenticidade faz parte do luxo”, afirma.

Essa aproximação com as comunidades ganha contornos ainda mais relevantes em uma ótica que valoriza a transformação e o reconhecimento de saberes, segundo afirma Marcelo Rosenbaum, arquiteto do instituto a gente transforma. “Na minha vida, passei por uma transição e comecei a olhar de que forma poderia ter um impacto maior. Hoje, dedico meu tempo para o instituto, que é um projeto em que colocamos o design e a arquitetura como ferramenta de transformação e reconhecimento de saberes. Chegamos a comunidades muitas vezes esquecidas para realizar uma arqueologia afetiva. Investigamos histórias e nos conectamos com a ancestralidade deles para que isso não seja apenas consumido como produto, mas que comunique um saber e o reconhecimento deles”, afirma.

Por sua vez, Andrea Natal, que recentemente deixou o Belmond Copacabana Palace após mais de duas décadas de atuação, destaca a importância de se valorizar a comunidade por meio da inclusão. “Além de saber a procedência do que estamos comprando, priorizamos fornecedores e produtores locais como uma forma de estímulo e reconhecimento ao trabalho deles”, diz.

 O investimento na educação como meio de transformação (materializado no apoio ao projeto solar meninos de luz, no rio de janeiro) também faz parte do legado de Andrea. “Acolhemos 400 crianças, dos três meses de idade até entrar na faculdade, que estejam passando por situações de violência ou problemas familiares. Observamos de perto os resultados e fico orgulhosa ao constatar que esse projeto ganhou apoio até da criança esperança. Essa iniciativa, a meu ver, reforça algo em que sempre acreditei: que é possível doar o nosso tempo desta maneira”.

Pela diversidade dos temas abordados, alguns indícios constatados apontam perspectivas para o setor e uma ‘redefinição’ do conceito de luxo quando se trata de hospitalidade.  Por esse prisma, aos olhos do novo consumidor de luxo ganham mais evidência as viagens com propósito que contribuam para o desenvolvimento das comunidades e destinos, assim como os cuidados com o meio ambiente e os moradores.

 Além disso, aposta-se na humanização da prestação de serviço por meio de um intercâmbio das relações pessoais entre o anfitrião e o hóspede e a valorização de serviços que promovam bem-estar, saúde e autoconhecimento. Atitudes e caminhos que reafirmam, uma vez mais, que o luxo essencial reside no conforto sem ostentação, no cuidado permanente aos detalhes e na oferta de experiências autênticas e genuínas.


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