Fronteiras fechadas: Pandemia mantém restrição em viagens aos EUA

Embaixada dos EUA comunicou que solicitantes de vistos terão de adiar suas entrevistas por tempo indeterminado

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Mais de 11 milhões de casos de contágio e aproximadamente 265 mil óbitos, com tendência de crescimento na média diária. Na visão de Felipe Alexandre, advogado de imigração brasileiro que vive nos Estados Unidos, o saldo da pandemia no País, em março, é motivo para que os EUA permaneçam com as fronteiras fechadas para brasileiros.

“É impensável que o governo norte-americano considere reabrir as fronteiras neste momento em que, infelizmente, o Brasil está chamando cada vez mais a atenção da comunidade científica internacional como um exemplo negativo de gerenciamento da pandemia. Ainda mais agora que os números de pessoas infectadas nos Estados Unidos finalmente começou a reduzir”, pontuou o advogado.

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Felipe Alexandre, advogado especializado em imigração

O cenário epidemiológico soma-se às incertezas em relação ao cronograma de vacinação no Brasil e mantém as autoridades do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, da sigla em inglês) em estado de alerta. Permanece em vigor a regra que permite a entrada exclusivamente a cidadãos com green card – além de outras exceções, como pais com filhos norte-americanos menores de 21 anos e profissionais convidados pelo governo para atuar no combate à pandemia -, seguindo o decreto publicado em maio de 2020, quando o CDC classificou o Brasil como um dos principais centros de contágio e disseminação da covid-19.

Revogada pelo então presidente Donald Trump, poucos dias antes do fim do mandato, a medida foi rapidamente restabelecida por seu sucessor, Joe Biden. Felipe Alexandre acredita, inclusive, que as restrições podem aumentar. “Dependendo do desenrolar da pandemia no Brasil pelos próximos meses, pode haver diminuição até mesmo a quantidade de exceções com permissão para viajar diretamente de um país para o outro”, defende.

Alternativa via México

Como não conseguem voar diretamente do Brasil para os EUA, muitos brasileiros têm buscado rotas alternativas para cruzar as fronteiras do destino – a mais comum tem sido via México. Os viajantes permanecem em quarentena por 14 dias e, de lá, solicitam a entrada nos Estados Unidos apresentando o passaporte com visto americano e o resultado negativo de um teste de covid-19 feito em até 3 dias antes da viagem.

Na visão do advogado, não há nenhuma ilegalidade nessa alternativa. “É preciso lembrar que as restrições não são contra brasileiros, mas contra a entrada de voos saindo do Brasil”, reforçou Felipe Alexandre, proprietário da AG Immigration, escritório norte-americano de imigração que atende a clientes brasileiros em seus processos de vistos e green card para os Estados Unidos.

O agravamento da pandemia no Brasil também já dá sinais que tanto a Embaixada quanto os Consulados no País devem manter suas portas fechadas por mais tempo, exceto para atendimento a cidadãos norte-americanos e emissão de determinados vistos, em caráter de urgência humanitária. Na semana passada, inclusive, a Embaixada dos EUA comunicou que solicitantes de vistos orginalmente agendados para março terão de adiar suas entrevistas de vistos por tempo indeterminado.

“infelizmente muitas pessoas no Brasil tiveram seus planos de estudar, fazer negócios ou visitar os Estados Unidos interrompidos devido ao fechamento dos postos no País. Desde março do ano passado, estes postos só estão atendendo a determinadas situações de entrevistas para vistos em casos de interesse nacional ou humanitários. A tendência é que os serviços de vistos continuem restritos por mais um bom tempo, pelo menos até que grande parte da população brasileira já tenha se vacinada”, finalizou o advogado.

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