Glamping: Acampamentos de luxo podem ser uma boa saída

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Vila Naiá, o primeiro glamping do Brasil (Foto: Divulgação)

É unanimidade entre políticos, profissionais da saúde e empresários: não haverá volta ao antigo normal. Independentemente do surgimento de vacinas e da possível cura. Artigos científicos sugerem, inclusive, uma mudança neurológica e comportamental nas mulheres e homens contemporâneos que será notada no médio e longo prazo.

O que alguns poucos alegavam ser uma “pequena gripe” será conhecido como um dos mais importantes fatos do século 21. Houve quem duvidasse, seja por excesso de otimismo ou de pessimismo, do poder transformador da covid-19. Mas a pandemia trouxe mudanças significativas ao mundo dos negócios e na sociedade, de forma geral.

Diante desse cenário, é preciso seguir avante. A expressão francesa “ll faut faire avec” é parente do nosso brasileiríssimo “é o que tem pra hoje”. Ambas são o mantra dos empreendedores. Não havendo condição ideal, sigamos com o que temos. Estrategistas asiáticos sempre ensinaram que não é saudável negar um problema. É preciso reconhecer sua existência e confrontá-lo, de forma criativa e corajosa.

Ainda que haja uma demanda reprimida de viagens, a retomada, muito possivelmente, será mais longa e tardia do que se esperava. O que vai exigir, sim, apoio do Estado. Durante meses, diante do isolamento social imposto por autoridades sanitárias, empresários vociferavam diante do isolamento social sugerido por governadores, querendo responsabilizá-los por perdas de receita. E, qual não foi a surpresa que, mesmo depois da autorização de reabertura e com todos os protocolos de biossegurança implantados, os estabelecimentos continuaram com baixa ocupação.

Mesmo entre os ricos, se observa a procura por destinos nacionais em detrimento dos internacionais. Da mesma forma, nunca se buscou tanto por opções ligadas à natureza. Algo que já se observava, mesmo antes da pandemia. O overtourism levou multidões aos aeroportos, aos parques temáticos, resorts e grandes destinos como Nova York, Barcelona, Paris e Londres. E onde há grandes aglomerações, há estresse, menos eficiência nos serviços, diminuição na segurança e aumento de custos.

Essa combinação já tinha sido responsável por levar destinos longínquos – mais isolados, de natureza exuberante e que proporcionavam desconexão da tecnologia e privacidade, com excelência em serviços – a ser o must go dos ricos e jet setters. Foi daí que surgiu uma “nova” categoria de hospedagem: os glampings, neologismo que mistura os conceitos glamour e camping. Quem inventou a expressão certamente nunca acampou. Porque os empreendimentos que recebem esta classificação só têm em comum com campings a proximidade com a natureza, a autenticidade e a distância em relação às grandes metrópoles.

Geralmente são propriedades independentes – embora algumas marcas, como Four Seasons, já tenham hotéis nessa denominação -, com arquitetura sustentável e situadas em áreas preservadas. Mas se estão bem longe dos centros urbanos, o serviço precisa ser irrepreensível, digno das grandes capitais. Assim como a privacidade e originalidade dos ambientes, dos cardápios e das experiências.  

Há pouquíssimos empreendimentos brasileiros enquadrados nessa categoria, embora haja também muito espaço no País para este tipo de equipamento de hospitalidade. Temos apenas dois empreendimentos que recebem a denominação: Kenoa – no litoral alagoano – e Vila Naiá – no sul da Bahia, localizado em uma área de 150 mil metros quadrados, com hospedagem para até 18 pessoas.

Arrisco-me a dizer que Cristalino Lodge – localizado em meio à Floresta Amazônica, que causaria inveja aos Indianas Jones que não abrem mão do conforto, do luxo e da boa gastronomia – poderia integrar o seleto time. A Brazilian Luxury Travel Association (BLTA) vem identificando propriedades com esse perfil, embora não usem a classificação glamping.

A indústria já identificou o movimento das escape trips. Pequenas viagens, de até 300 quilômetros do ponto de origem, geralmente feitas em carros e helicópteros. Os números e as pesquisas mostram que não se trata de um modismo, mas de um comportamento que tende a permanecer. Esse conceito de viagem foi o que se manteve melhor, na comparação com as demais opções turísticas, em tempos pautados pelo novo coronavírus, e que deve se consolidar nos próximos anos. Afinal, uma boa notícia!

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