Gol promove workshop para debater o setor e adianta possíveis apostas

Durante o encontro, Paulo Kakinoff, CEO da Gol Linhas Aéreas, declara que concorrência não necessariamente gera menores tarifas

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Suelen Mendonça, Márcia Nunes, Eduarda Lages, Natália Simões e Gabriela Brites (todas da Gol) auxiliam no desenvolvimento do evento

A Gol Linhas Aéreas promoveu, nesta quarta-feira (6), a oitava edição do Workshop de Imprensa – Bastidores da Aviação, da qual o Brasilturis Jornal foi convidado a participar. Durante o encontro, Paulo Kakinoff, CEO da aérea, deu algumas perspectivas do ano e deixa claro seu otimismo no setor, com expectativa de melhoria em curto período de tempo.

A companhia representa uma parcela de 38% da participação no mercado nacional. Em 2018, a Gol atendeu 33,5 milhões de passageiros em 250 mil voos operados, o que resulta em uma média de 134 passageiros por rota e em uma geração de R$11,4 bilhões. Contudo, a aérea também teve o custo de R$10,7 bilhões em seus voos, com uma média de R$ 437 gasto por minuto durante um voo. É válido destacar que não está incluso Capex Aeronáutico, ou seja, investimentos realizados durante o ano.


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Kakinoff aproveitou a oportunidade para destacar os principais benefícios que a companhia oferece, se colocando como uma low cost competitiva frente aos padrões mundiais. Com a média de um valor fixo de US$ 0,2 em custo, US$ 0,1 em gastos variáveis e o investimento de US$ 0,2 no combustível, a Gol possui um custo médio total de US$0,5 por assento por quilômetro voado e só fica atrás de uma única companhia.

“Mas não tem empresas que ofereça o que a gente oferece. Temos cerca de 30 polegadas de espaçamento entre os assentos, duas categorias de assentos [Gol + Conforto], aperitivos a bordo, programa de fidelidade, internet sem fio de alta velocidade em todos os nosso voos e programa de entretenimento”, se orgulha o executivo.

O CEO também quis deixar claro porque as aeronaves não contam com telas de entretenimento a bordo. “Se instalássemos, seriam 300 quilos a mais no avião, aumentando, assim, nosso gasto com combustível. Isso é o equivalente a cerca de quatro pessoas, que poderiam estar viajando. Por isso, damos a oportunidade da pessoa assistir em seu próprio equipamento eletrônico”, detalha.

Perfil do cliente

Ainda de acordo com o profissional, 27% do seu público é formado por clientes corporativos, enquanto 73% corresponde ao perfil lazer. Os viajantes à negócios, que usualmente compram o tíquete nos últimos dias, contam com uma gasto médio de R$ 533 e se preocupam com diversos fatores para suas viagens, incluindo horário, rotas, pontualidade, conveniência e programa de relacionamento. Destes, 22% são frequente, 33% são de viagens à negócios esporádicas e 45% são eventuais.

Paulo Kakinoff debate cenário atual do setor brasileiro

Já o público de lazer tem como sua única preocupação o preço a ser pago na passagem. A tarifa média paga pelo público é de R$ 239, quase a metade do que é registrado pelo corporativo, já que os planos e as compras das passagens acontecem com até 11 meses de antecedência. Por isso, 50% deles são viajantes planejados, 42% viajam para aproveitar o final de semana e 8% com a família.

Visto que o lucro antes dos juros e tributos (Ebit, em inglês) registrado foi de R$ 795 mil em 2018 e levando em consideração os 250 mil voos realizados, há um lucro de R$ 3.178 por voo operado. O público que se planeja com antecedência e viaja a lazer corresponde, em média, a 56,7% do avião, com gasto médio de R$ 148,31, enquanto 29,1% paga R$ 398,68. Outro perfil que une lazer e negócios gasta – levando em consideração a época em que é comprada – R$ 706,14 e responde a 8,2% da reserva do avião e os que pagam R$ 1.011 representam 2,5%


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O corporativo, por conta da compra mais próxima ao voo, tem um gasto maior, que chega a R$ 1.292, que preenche 1,4% do avião, enquanto 0,7% é representado por aquele que paga R$ 1.581. “Esses dois últimos perfis por si só é o que corresponde ao nosso lucro e sabemos que há demanda pra isso. Não podemos pegar o preço que eles pagam e repassar, já que o público que lazer é mais sensível a preço e pode causar a uma queda de 25% a 40% neste perfil de passageiro”, explica Kakinoff.

Em suma, por mais que 73% do público seja formado pelo público de lazer, eles representam apenas 34% da receita. Já o corporativo, que possui uma parcela menor de 27%, corresponde a 66% da receita.

Aposta pensada

O CEO afirma que uma das coisas mais importantes para se pensar é o avião que vai  ser colocado para operar uma nova rota, dando sinais que não é bom dar passos maiores que a perna.

“Temos que enxergar qual o melhor modelo para colocar em uma nova rota e o que pode nos gerar receita frente a demanda que o mercado tem. Tem que encher o avião e ainda gerar resultado. O tamanho está totalmente ligado ao êxito ou fracasso da rota. Não adianta ter aquele voo de galinha, que não se sustenta, com mais oferta que a demanda, nem ter um avião menor, porque isso pode estimular ainda mais a concorrência e te deixar para trás”, alerta.

Concorrência x preço baixo

Outro ponto também destacado pelo executivo é a ideologia de que uma maior concorrência resulte em menores tarifas. No entanto, Kakinoff explica que não é bem assim que o mercado funciona.

No ano passado, o Índice Herfindahl-Hirschman (IHH) – medida da concentração do mercado e da concorrência entre os participantes no mercado – é de 3.164 no Brasil, mesmo contando com apenas cinco empresas aéreas (Gol, Latam, Azul, Avianca Brasil e Passaredo + Map). Contudo, ao comparar com demais mercados, como Chile, Argentina e Colômbia, o Brasil é o que se mostra em uma melhor situação.


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Chile conta com cinco empresas e IHH a 4.628; Argentina possui sete companhia e IHH de 5.087; e a Colômbia tem seis aéreas e IHH de 3.451. No entanto, o combustível brasileiro é um dos principais fatores para tarifas maiores, principalmente em comparação com esses países. Enquanto o Brasil paga US$ 0,85, se posicionando como o mais caro, Chile paga US$ 0,55 e demonstra melhor preço entre os quatro mercados.

Mais sobre o evento

Além de Kakinoff, um dos palestrantes do evento foi Rafael Araujo, diretor de Planejamento de Malha da GOL, que abordou sobre como funciona os futuros investimentos da companhia. O executivo reforçou a importância de escolher uma boa aeronave e fazer um bom planejamento antes de pôr um novo avião nos ares. “É um planejamento que demanda tempo, pelo menos 11 meses, apresentando mercado, projetando demanda e receita, bem como investindo em novas aeronaves”, explica.

De acordo com ele, uma das novidades que os clientes já podem esperar é uma nova rota em Roraima, operação diária, ligando Boa Vista à Guarulhos (SP) e uma frequência semanal ligando a capital de Roraima ao Aeroporto de Congonhas (SP). “Estamos estudando, mas não vamos falar quando”, adiantou o executivo, que também declarou que outra aposta deverá acontecer em Fortaleza.

O encontro também contou com palestras de Danilo Andrade, que explicou sobre segurança; Eduardo Calderon, que falou sobre a engenharia por trás das operações; José Luiz Belixior Junior, que explicou sobre as áreas que compõem o aeroporto; e Maria Rita Micheletto, que contou como funciona o treinamento e capacitação de novos comissários.

Ao fim do workshop, os participantes tiveram direito a um certificado nominal, com agradecimento e comprovação da participação na ação.


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