Guanajuato: o destino cultural do México

The La Parroquia and Templo de San Rafael on the main square of San Miguel de Allende in Mexico.

Passeios por fazendas de cacto, vinícolas, minas desativadas e museus trazem uma

experiência inesquecível para quem quer sair do óbvio

Por Larissa Coldibeli

Embora poucos brasileiros saibam, o turismo no México vai muito além das praias paradisíacas e da capital, Cidade do México. No centro do país, o estado de Guanajuato guarda gratas surpresas. A capital de mesmo nome encanta com seus becos e casinhas coloridas. A cidade nasceu da exploração de minas de ouro e prata há mais de 300 anos, algumas das quais funcionam até hoje. Outras são abertas apenas para visitação turística.

A corrida por metais preciosos fez com que a cidade crescesse sem planejamento urbano, o que explica as ruas estreitas e a inexistência de avenidas. Por outro lado, cria um cenário único: uma cidade cortada por túneis cravados na rocha que têm até pontos de ônibus e estacionamentos dentro deles.

Os 3,2 mil becos guardam inúmeras histórias e lendas urbanas, que não são poucas entre o povo mexicano. O Beco do Beijo, o mais famoso e visitado da cidade, recebeu esse nome por causa da história de um amor impossível entre a filha de um nobre e um pobre mineiro. Cada habitante tem a sua versão preferida, mas a história diz que os casais que passam por lá e não se beijam têm sete anos de azar. Quem seguir a tradição ganha 15 anos de sorte.

Um ótimo passeio para conhecer histórias locais é a Callejoneada, promovida por ex-estudantes da Universidade de Guanajuato todas as noites. Com fantasias e instrumentos musicais, eles guiam os turistas por entre as vielas, divertindo e encantando com músicas típicas.

Fundada em 1546, a cidade guarda como herança a arquitetura colonial espanhola. Guanajuato significa “lugar cheio de rãs”, embora hoje elas não existam em abundância por lá. O Monumento do Pípila é parada obrigatória, com um mirante de onde se avista toda a cidade e seus pontos turísticos, como a Universidade e a Basílica.

O Mercado Hidalgo encanta com suas cores e sabores e, próximo dele, o Museu Casa Diego Rivera, no local onde nasceu o amor de Frida Kahlo, atrai os amantes da arte. O Festival Cervantino, inspirado no autor de Don Quixote, Miguel de Cervantes, agita a vida cultural da cidade no mês de outubro. (continua abaixo da galeria)

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Segunda residência

A capital, porém, não é a principal cidade turística da região. A pouco mais de uma hora de distância, fica a encantadora San Miguel de Allende. No auge da exploração mineradora, 70 anos atrás, ela foi a cidade mais importante do México e hoje se destaca como local de segunda residência. Não à toa, possui moradores de mais de 40 países.

A imponente Paróquia de San Miguel Arcanjo é um espetáculo para os olhos. Aurora, uma antiga fábrica têxtil transformada em galeria de arte, vale ao menos meio período de passeio, para que se possa admirar e comprar desde antiguidades até arte contemporânea.

As ruas de pedra, a arquitetura colonial, e o acolhimento das pessoas lembram as cidades históricas de Minas Gerais, mas as catrinas (caveiras decoradas), cerâmicas e bordados coloridos e tequilas por toda a parte fazem a diferença.

Falando em tequila, é possível conhecer fábricas da bebida típica mexicana, mas já que a ideia é de um roteiro fora do comum, vale a pena visitar a Festa da Vendimia, que acontece no mês de agosto em diferentes vinícolas da região. A produção de vinho mexicana ainda é recente, porém, crescente. Na festa, é possível conhecer as vinícolas, os processos de fabricação e até pisar nas uvas. Também há comida boa e música animada – uma comemoração digna da high society mexicana.

Outro passeio inusitado e imperdível é o tour do nopal, um tipo de cacto, na cidade Salamanca. De tão abundante na região, a comunidade local desenvolveu várias formas de explorá-lo que vão de alimentos a cosméticos. O passeio num trator, com sombreiro e músicas típicas em violão, começa numa fábrica de conservas de nopal, onde há degustação.

Segue, depois, para uma fábrica de cosméticos, onde os visitantes fabricam seu próprio sabonete de cacto. A parada seguinte é em uma fazenda onde se aprende uma receita de nopal recheado com tiras com carnes e temperos, seguido por um almoço que tem ainda suco e sorvete da flor do nopal. E, acredite, é tudo uma delícia!

 

Roberto Carlos mexicano

Dolores Hidalgo é outra cidade do circuito turístico da região. Lá nasceu o cantor mais famoso do México, José Alfredo Jimenez (equivalente ao Roberto Carlos para os brasileiros). Ele dá nome a um Parador Turístico que reúne lojas e artesãos locais, com suas irresistíveis cerâmicas coloridas.

Outro Parador Turístico imperdível é o Sangre de Cristo, cerca de uma hora distante de Guanajuato. Lá, além de comida típica, há um Museu da Mineração, que simula uma mina de verdade, um museu de catrinas e o Museu das Múmias Viajantes, com 36 múmias bem conservadas.

Com boa estrutura para o turismo, oferta de 457 opções de hospedagem e atividades que fogem do óbvio, Guanajuato vai se consolidando como um destino turístico que atrai cada vez mais estrangeiros.

Foco no Brasil

O aeroporto mais próximo fica na cidade de León, a pouco mais de 60 quilômetros da capital. A viagem de cerca de uma hora entre as serras pode ser feita com transfer turístico, ônibus ou carro alugado. Aeromexico, Copa Airlines e Latam voam até lá, partindo de Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. As cidades de conexão variam de acordo com a companhia escolhida.

Em junho deste ano, Guanajuato lançou uma plataforma de capacitação on-line dos agentes de viagens brasileiros (www.agentegto.com/pt/). Dividido em seis módulos, o treinamento aborda os principais nichos explorados pelo destino e oferece um certificado de conclusão. O conteúdo está disponível em português e ainda inclui dados sobre clima, localização, mapas e temperatura média, entre outras dicas.  (Camila Lucchesi)

 

O Brasilturis Jornal viajou a convite da GMS, representante do destino no Brasil, com seguro-viagem April

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