Há espaços para eventos?

Expo Retomada

Embora o “novo normal” seja uma expressão corriqueira para se referir aos protocolos de biossegurança e etiqueta social que surgiram após a covid-19, um número expressivo de pessoas ainda acredita que esses novos comportamentos são temporários, até se achar uma vacina ou a cura para a doença. O que eu, sinceramente, duvido.

Como já disse anteriormente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera possível que a pandemia se torne uma endemia, assim como o HIV, descoberto em 1982 e ainda sem cura. No dia em que escrevo esse artigo, um estudo publicado na Nature Medicine, feito por cientistas alemães e chineses, informa que se observou em alguns indivíduos – sintomáticos e assintomáticos – a duração aproximada de três meses da imunidade do organismo contra o vírus. O que significa, infelizmente, que o contágio pode se repetir.

Longe de mim querer dar más notícias. Mas, como qualquer empresário, é preciso pensar em todos os cenários, do mais pessimista ao mais otimista, para se conduzir os negócios. Até porque ninguém pode garantir que uma segunda ou terceira ondas da pandemia aconteçam ou que outro vírus, tão ou mais letal quanto o atual, surja para repetir o cenário trágico que vivemos.

Não acredito que o isolamento social poderá se estender por muito tempo ou que é a solução para o que vivemos. Penso na eficácia de um novo tipo de convívio, cheio de restrições e cuidados. Estou convicto que a situação triste ocorre muito por conta da negligência do poder público que deveria – mais do que negar a tragédia ou fechar comércios- criar leis para normatizar espaços públicos, com medidas e multas severas para quem não oferece um espaço de trabalho seguro para funcionários; sugerir alternância de horários de funcionamento de serviços públicos, evitando filas e congestionamentos; investir pesadamente no transporte público para evitar aglomerações; e alocar importantes recursos na segurança dos profissionais de saúde.

Um governo consciente daria incentivo para novas formas de distribuição, como e-commerce, pensaria em formas para resolver a questão da educação à distância e traria subsídios para a criação de novas empresas, já que o aumento na concorrência poderia ajudar a diminuir os preços de equipamentos de proteção individual (EPI) e produtos de higiene.

Por detrás de uma série de empresas fechando, há uma nova leva de empreendedores surgindo. Foi uma sacudida e tanto no empresariado, já que os negócios precisaram rever a produtividade de seus funcionários e não são poucas as organizações que descobriram a economia que a adoção do sistema de home office traz aos orçamentos.

Redes hoteleiras e pequenas propriedades reabriram com novos procedimentos e estruturas. Companhias aéreas já começam a voar, com reduzida capacidade, mas excessivos cuidados. Lojas e shopping centers também começaram a operar, com critério e segurança. Na Europa e Ásia, restaurantes, cafés e museus começam a receber novamente clientes e visitantes. Fica, no entanto, uma dúvida: E os eventos?

Sim, são eles os responsáveis por parte importante na receita de Turismo e é neles que recai a grande dúvida. Certamente, os eventos presenciais se fazem necessários, mas qual é o limite? Grandes empresas de promoção de feiras pensam dia e noite em seus eventos. Será preciso ampliar horários, reduzir o número de visitantes por hora, aumentar a metragem dos estandes e ruas, criando um fluxo austero de circulação e pensar na possibilidade de passar a oferecer eventos interativos, mesclando online e offline.

Será que as visitas sem propósito às grandes feiras ainda continuarão? É o fim do visitante que vai aos eventos somente para pegar brindes? Será que, finalmente, o modelo ILTM Latin America de investir em reuniões agendadas com buyers convidados como contrapartida à participação será a praxe do mercado?

E quanto aos eventos de rua? Será o fim dos blocos de carnaval como conhecemos? Ou o modelo do sambódromo, com novos procedimentos de segurança, é um caminho possível? E quanto aos shows? Acabaram-se as aglomerações nas pistas e focos nas arquibancadas? Ou será que o formato pocket-live veio para ficar? Os eventos esportivos poderão voltar, com o público disposto em formato xadrez nos estádios, além de novos procedimentos de entrada e saída de pessoas?

Novamente, muita reflexão se faz necessária. De toda maneira, como já dissemos em artigo anterior, a única certeza é o encarecimento do turismo. Afinal será preciso limitar o número de pessoas em hotéis, aviões e eventos, mas as empresas terão muito mais investimentos em estrutura, EPI e limpeza. Há, sim, espaço para eventos presenciais. Mas eles serão muito mais caros.

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