Hiperconvergência: como você lida com ela?

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Entrei no turismo pelos idos de 1997, um tempo em que nem se sonhava com smartphone, WhatsApp, Instagram e Facebook. Não tínhamos e-mail e tampouco sabíamos como lidar com sites e como eles poderiam se integrar ao modelo de negócio de uma empresa como a Air France no Brasil. Em uma época de promotores distribuindo timetables impressos nas agências de viagens do centro e brigando por emissões de passagens impressas nos grandes consolidadores; para muitos, a internet era mais uma ferramenta de publicidade, como um outdoor ou um anúncio de rádio.

Dez anos mais tarde,  soubemos que a rede mundial de computadores era um tsunami em todas as áreas de uma empresa. Imaginava-se que seria preciso ter uma área de TI com alguns jovens nerds – aquele estereótipo com barba por fazer e vestindo camisa xadrez, com óculos de armação grossa ou camiseta de super-herói – para apoiar os executivos das empresas na implantação de estratégias on-line.

Não foi preciso mais uma década para perceber o tamanho dos equívocos.  A estética da moda, que colocou justamente o visual ridicularizado no passado como tendência, foi o menor deles. A realidade mostrou que dominar tecnologia não era apenas obrigação de um só departamento, mas de toda a empresa. É impossível um CEO não entender de redes sociais, SEO, aplicativos e comércio eletrônico. Assim como um político que queira se tornar chefe de Estado. Nem preciso citar exemplos.

Tecnologia deixou de ser estratégia, para fazer parte do conceito de negócios. Não existe mais a possibilidade de “implantar tecnologia”. Ou ela existe permeando toda a organização ou não existe empresa.

E, em meio a tantos neologismos, há um que é fundamental: hiperconvergência. Trata-se de uma visão de negócios que permite a unificação das estratégias e ferramentas tecnológicas de uma organização. É muito mais que hardware ou software. É pensar como todo o universo tecnológico está alinhado à missão e aos objetivos da empresa no curto, médio e longo prazo.

A partir daí, é possível observar vários fenômenos. O primeiro deles é um recuo na “juniorização” das empresas. Os recém-formados que até então ocupavam posições para as quais não estavam preparados – entendiam de tecnologia, mas não tinham experiência e repertório estratégico, emocional, administrativo – voltam a ser substituídos pelas gerações que foram obrigadas a entender de tecnologia, até mesmo para sobreviver dentro de casa.

O segundo fenômeno é a mudança nas empresas que prestam consultoria e assessoria às organizações.  Assessores de imprensa são hoje gestores de relacionamento com influenciadores (digitais ou não) e também geradores de conteúdo para redes sociais, blogs e sites institucionais.

Já as tradicionais empresas como PWC se tornaram especialistas em reestruturar organizações para terem no DNA o espírito tecnológico. A IBM mudou seu negócio para criar soluções em Business Intelligence. É impossível a qualquer negócio dentro do turismo – inclusive a pequena pousada e o profissional freelancer – sobreviver nos próximos cinco anos sem entender de e-commerce, redes sociais e distribuição on-line.

Por que você acredita que não vai ser obrigado a rever seu negócio se até empresas como Rede Globo, Editora Abril, Livraria Cultura, Sony e GM foram obrigados a fazê-lo?  Chris Andersen, criador do TED, escreveu também “A Cauda Longa” e dizia, há muitos anos, que pequenos negócios deveriam aproveitar a rede para crescer, principalmente se fossem segmentados.

O que vemos na cabeça da maior parte dos empreendedores no turismo é justamente o contrário. E que pode gerar consequências funestas porque há outro lado, mais sombrio, da hiperconvergência. É que o mercado tende, justamente, a convergir para poucas empresas, que souberam surfar nas ondas desse tsunami que foi a revolução digital. O tempo está se esgotando. O que você vai fazer?

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