Hora de decolar: Air Tkt comemora resultados apesar das dificuldades

“É preciso ter solidez para que novos investimentos cheguem ao Brasil; ou os investidores não vêm”, Ralf Aasmann

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Ralf Aasmann. Foto: Felipe Lima.

Fomento de R$ 146 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil até o próximo ano. Esta é a previsão da Associação dos Consolidadores de Passagens Aéreas e Serviços de Viagens (Air Tkt) quanto ao setor aéreo brasileiro em 2020. A entidade, atualmente, conta com nove associados, que representam a uma parcela de 80% do mercado de consolidação do País.

Em 2018, a associação terminou o ano totalizando 96% do volume de negócios, número estimulado principalmente pelo ingresso da Sakuratur e com o retorno da Flytour Gapnet e da Rextur Advance ao quadro de associados. Ao todo, foram R$ 4,8 bilhões de faturamento, 6,8 milhões de bilhetes emitidos e R$ 17,2 milhões em investimentos de Tecnologia da Informação (TI) para o mercado. “As empresas continuarão reduzindo gastos, mas o consumo certamente voltará a crescer”, avaliou Ralf Aasmann, diretor executivo da Air Tkt.

Em entrevista exclusiva ao Brasilturis Jornal, Aasmann deu seus pareceres sobre o desempenho durante o ano de todo o segmento, indicou melhorias a serem realizadas e reforçou as expectativas para 2020. Confira!


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Como você avalia o desempenho durante 2019, levando em conta o fato de se tratar do primeiro ano de uma nova gestão governamental?

Com certeza houve melhora. O governo ainda está muito no início de sua gestão e também não adianta que ele faça tudo ao mesmo tempo. São quatro anos para que eles realizem o que prometeram. Sempre há as “trapalhadas”, mas também existe muita coisa boa sendo feita. De forma geral, houve crescimento no Turismo, inclusive na consolidação, beirando os dois dígitos.

Tivemos dificuldades e percalços durante o ano, mas há mais confiança nas ações do governo, mesmo que nem todas sejam acertadas. Existe uma estabilidade. A inflação está caindo, o dólar está relativamente estável. Houve, agora, uma oscilação na moeda norte-americana, mas que tem a ver com o mercado internacional, não necessariamente com o mercado brasileiro. A confiança das pessoas está elevada de novo. A geração de emprego está melhorando e isso resulta em novos negócios e novas viagens.

O que é necessário para que esses resultados sejam ainda melhores?

Precisamos que o Brasil tenha uma imagem sólida lá fora para atrair novas empresas aéreas e acabar ou diminuir drasticamente essa instabilidade jurídica, porque parece que, no Brasil, você entra na Justiça e o juiz pode fazer o que quiser. Inclusive, tomar decisões absurdas que não estavam em contrato.

Existem muitas coisas que são acordadas e não são cumpridas. Por exemplo, o governo quis cobrar IPTU dos novos administradores dos aeroportos que foram privatizados. Nada contra, acho justo. O ponto é que: estava claro que iria ter essa cobrança? Chegar no meio do jogo e mudar as regras não dá, pois isso tem uma repercussão negativa lá fora. É preciso ter solidez para que novos investimentos cheguem ao Brasil, se não, os investidores não vêm.

Além disso, muita coisa precisa ser feita na parte educativa, na conscientização de “o que é um turista”. Não é um gringo que vem para cá e tem que ser explorado. Ele precisa sair com uma impressão perfeita do Brasil e não com a impressão que foi lesado, roubado ou enganado. Um turista que sai satisfeito daqui é multiplicador dessa imagem positiva lá fora.

O ano foi marcado por grandes acontecimentos no setor aéreo, incluindo a redução do ICMS e a aprovação de 100% do capital estrangeiro. Como acredita que eles impactaram o setor como um todo?

A redução do ICMS trouxe mais voos e você tem condições de negociar melhor, porque dá um pouquinho de margem para a empresa aérea poder respirar e fazer novos negócios e também ajustar tarifas, gerando preços mais atrativos para os consumidores. Tudo isso ajuda, mas é pouco. O Ministério do Turismo ainda precisa realizar mais ações nas questões de impostos para as agências de viagens.

O capital estrangeiro também possibilitou melhoras, claro, mas pensa no que eu falei sobre a má impressão jurídica presente no Brasil. Eles abriram em 100% o capital estrangeiro e ainda não veio nenhuma empresa. Teve uma companhia aérea que sinalizou, mas não há nada em contrato.


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Outro marco de 2019 foi a saída da Avianca Brasil, diminuindo de quatro para três o número de companhias aéreas brasileiras. Concorrência menor afeta a tarifa média?

Se você tem uma oferta menor no mercado, automaticamente você tem uma procura maior. O número de concorrentes não interfere. O que pode interferir pode ser o fato de combinar preços, o que não é uma realidade brasileira. Com somente três concorrentes no mercado, não é possível cobrir automaticamente a falta que a Avianca Brasil fez com a presença das atuantes. Não é assim que funciona. O fato é que a oferta de assentos é menor, independentemente do número de concorrentes. É isso que aumenta o preço.

Durante o jogo do Flamengo [pela Copa Libertadores da América], estavam comentando que as passagens aéreas tiveram tarifas infladas. Uma parte é causada pela alta procura, claro. Contudo, há outra questão que deve ser levada em conta. Um voo como esse oferecido pela Avianca Holdings vem ao Brasil vazio, vai a Lima cheio, e, após o jogo, vem ao Brasil cheio para, finalmente, retornar ao Peru vazio. Então, o mínimo que a companhia pode fazer é cobrar o dobro.

Há muita desinformação. Põe-se a culpa nas empresas aéreas e nas agências de viagens, mas ninguém explica o que tem por trás. Existe uma procura muito grande, não tem lugar para todo mundo. Lotaram três ou quatro voos extras, para um evento único com custo dobrado, para poder atender aos brasileiros e indústria sofre com isso. “Quem são os vilões? As empresas aéreas. As agências de viagens. O mercado de Turismo está explorando o consumidor”. Não é isso. Essa interpretação precisa mudar.

 O ano de 2020 tem o que é necessário para ser um melhor que 2019?

A gente tem sempre que começar um novo ano com otimismo. O que a gente deseja? Um próspero ano novo. É isso que a gente fala, é a esperança que temos. O Brasil já está engatinhando para uma melhora, quem sabe ele não começa a andar, ainda que de forma meio cambaleante? Torcemos para que haja geração de emprego no País. Pessoas precisam receber dinheiro para movimentar a economia e parte dela é o Turismo. Queremos dólar estável, empresas aéreas novas, ampla concorrência, que haja oportunidade do mundo conhecer o Brasil.

Na área de consolidação, nós temos nove associados atualmente. Queremos aumentar essa participação, ter mais atividades dentro da associação e, principalmente, representar os interesses comuns dos nossos associados, tanto junto aos fornecedores quanto à indústria.


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