Hotéis Rio avalia impactos hoteleiros após um ano de pandemia

Segundo Alfredo Lopes, presidente da Hotéis Rio, é necessário auxílio de políticas públicas para este período de baixa na ocupação hoteleira

No início de março de 2020, a ocupação da rede hoteleira estava em torno de 70%. Em abril, este índice caiu para 5% e os hotéis começaram a fechar as portas. Em maio, já eram cerca de 90 hotéis e albergues fora de operação, e mais de 25% dos postos de trabalho suspensos, permanente ou temporariamente. Cerca de sete hotéis fecharam as portas em definitivo.

A reabertura dos hotéis começou timidamente em junho, mas ganhou força a partir de agosto. A retomada, conforme perspectivas do trade de turismo, se deu pelo turismo doméstico, em viagens rodoviárias em núcleos familiares.

Neste cenário, os hotéis do interior do estado se destacaram com altas ocupações – respeitando a capacidade permitida – nos finais de semana. Mesmo com a suspensão dos eventos corporativos, houve aumento na demanda durante a semana em função da suspensão das aulas e do trabalho remoto.

Além dos selos estadual e municipal de orientação dos protocolos sanitários de prevenção à covid-19, no final de 2020, a hotelaria esteve envolvida em campanhas promocionais voltadas para o público interno (“Redescubra o Rio”) e principais mercados emissores (SP e MG – “Mais Rio por Menos”), com o objetivo de reforçar a marca Rio na preferência dos viajantes.

O atual cenário da pandemia traz apreensão para a hotelaria com a chegada da baixa temporada do turismo que, até então, acreditava-se que poderia ser salva pelo segmento corporativo, o que não se consolidou em função das medidas restritivas.

No fim de março, para conter o avanço da doença no município, a Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou restrições mais rígidas, em que apenas serviços essenciais puderam funcionar durante um período de dez dias. O decreto continuou a permitir o funcionamento dos meios de hospedagem, porém com o serviço de alimentação restrito aos hóspedes.

“Estamos conscientes que vamos funcionar com ocupações muito baixas, e não poderia ser diferente. Para isso, esperamos ter alguma contrapartida dos governos federal, estadual e municipal quanto à não cobrança de impostos ou uma postergação, já que dez dias em 30 dias é um terço de nossa receita. Mas, o mais importante agora é que todo esse esforço signifique uma queda nos casos de covid em nossa cidade”, ressalta Alfredo Lopes, presidente da Hotéis Rio.

Segundo o Hotéis Rio, houve, conforme esperado, queda drástica nos índices de ocupação em função do congelamento do mercado internacional e corporativo e das restrições nos atrativos turísticos, e também nos próprios destinos emissores de lazer, como Minas Gerais e São Paulo, o que naturalmente desestimula os planos de viagens. Em março deste ano, a ocupação média girava em torno de 35 e 40%.

Este índice desabou para cerca de 25% logo após o anúncio das restrições, que envolveram praias, shoppings e atrativos turísticos, e na última semana do mês ficou abaixo dos 20% na maior parte dos hotéis apurados. Ainda segundo o sindicato, a rede hoteleira já contabiliza um prejuízo acumulado, no último ano, de, aproximadamente, R$ 1,6 bilhão.

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