Iata: demanda aérea global cai dois dígitos pelo segundo mês consecutivo

Os declínios, segundo estudo da Iata, reforçam os resultados já visto em fevereiro. Todas as regiões foram impactadas no mercado internacional e doméstico

Iata
Alexandre de Juniac, diretor geral e CEO da Iata (Foto: divulgação/Iata)

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) anunciou que a demanda do setor caiu 52,9% em comparação com o mesmo período do ano passado, marcando o maio declínio da história recente, devido às restrições impostas pelos governos para retardar a disseminação da covid-19. A capacidade de março acompanhou o movimento e caiu 36,2%, enquanto o fator de carga registrou decréscimo de 21,4 pontos percentuais, chegando a 60,6%.

“As companhias aéreas sentiram progressivamente o crescente impacto do fechamento de fronteiras relacionadas à covid-19 e restrições à mobilidade, inclusive nos mercados domésticos. A demanda estava no mesmo nível de 2006, mas temos frotas e funcionários para dobrar isso. Pior, sabemos que a situação se deteriorou ainda mais em abril e a maioria dos sinais indica uma recuperação lenta”, disse Alexandre de Juniac, diretor geral e CEO da Iata.

Dados do internacional

A demanda internacional encolheu 55,8%, frente ao mesmo período do ano passado. Todas as regiões registraram um declínio percentual de dois dígitos. A capacidade, por sua vez, caiu 42,8% e o fator de carga contou com queda de 18,4 pontos percentuais, totalizando 62,5%.

Confira mais detalhes de cada região abaixo:

  • Ásia-Pacífico: As companhias lideram as taxas de declínio, com queda de 65,5% em relação ao mesmo ínterim do ano passado, mais que o dobro da queda de fevereiro, que foi de 30,7%. A capacidade também caiu 51,4% e o fator de carga contou com declínio de 23,4 pontos percentuais, chegando a 57,1%.
  • Europa: Em março, a demanda caiu 54,3%, frente ao mesmo mês de 2019. Em comparação com fevereiro, o tráfego praticamente permaneceu estável. A capacidade caiu 42,9% e o fator de carga caiu 16,8 pontos percentuais para 67,6%, o mais alto entre as regiões.
  • Oriente Médio: As companhias contaram com uma queda de 45,9% no tráfego em março, revertendo o aumento de 1,6% em fevereiro. A capacidade caiu 33,5% e o fator de carga reduziu 13,7 pontos percentuais, chegando a 59,9%.
  • América do Norte: Houve um declínio de 53,7% no tráfego em relação a março do ano passado, piorando a queda de 2,9% já notada em fevereiro. A capacidade caiu 38,1% e o fator de carga caiu 21,1 pontos percentuais, indo a 62,8%.
  • América Latina: As aéreas sofreram queda de 45,9% na demanda, fortalecendo os dados de fevereiro, que contou com uma queda tímida de 0,2%. A capacidade caiu 33,5% e o fator de carga caiu 15,3 pontos percentuais para 66,5%.
  • África: O tráfego caiu 42,8% em março, deteriorando ainda mais a queda de 1,1%, registrada em fevereiro. A capacidade caiu 32,9% e o fator de carga contratou 10,5 pontos percentuais, indo a 60,8%.

Dados do doméstico

A demanda de viagens domésticas caiu 47,8% em março, frente ao mesmo mês de 2019, também com queda de dois dígitos em todas as regiões. Essa queda reforça o declínio já notado em fevereiro, que foi 21,3%. A capacidade caiu 24,5%, enquanto o fator de carga teve decréscimo de 26 pontos percentuais, totalizando 58,1%.

As companhias chinesas registraram os maiores declínios, com a oferta doméstica caindo 65,5% em março em relação a março do ano passado. Mesmo com decréscimo, o mercado demonstra melhora após a queda de 85% registrada em fevereiro, quando o país começou a reabrir. Já as aéreas do Japão registraram declínio de 55,8% em relação ao ano anterior nos domésticos, apesar de não implementar nenhum bloqueio generalizado.

“O setor está em queda livre e não chegamos ao fundo. Mas chegará um momento em que as autoridades estarão prontas para começar a diminuir as restrições de mobilidade e abrir fronteiras. É imperativo que os governos trabalhem com a indústria agora para se preparar para esse dia. É a única maneira de garantir a existência de medidas para manter os passageiros em segurança durante as viagens”, disse de Juniac.


Deixe uma resposta