Igualdade de fato

Igualdade de fato Mulhesres
Foto: reprodução

Mulheres ajudam a mover as engrenagens da indústria turística e também merecem um lugar ao sol pelo legado que construíram com o passar dos anos. Apesar do notável crescimento de movimentos de empoderamento feminino e combate ao machismo e à misoginia, o mundo ainda é mais difícil para o chamado sexo frágil. 

Atuando em diferentes papeis e ocupando posições inferiores à capacidade – seja a adquirida no ensino formal ou na escola da vida -, boa parte das mulheres enfrenta mais do que a desvalorização de sua força de trabalho. Elas acumulam demandas. Muitas que conseguem ascender na carreira recebem salários inferiores a profissionais do sexo masculino nos mesmos cargos.  

De um lado, são hoteleiras, artesãs, recepcionistas, diretoras, agentes de viagens, CEOs, guias de turismo, pilotas de aeronaves, executivas de vendas, comissárias de bordo, garçonetes. Quando retornam para casa, elas encaram o papel de chefes de família para iniciam o segundo turno de seu expediente.  

Esse tempo há de ficar para trás, conforme as iniciativas voltadas ao estímulo à diversidade de gênero na composição de equipes e ações de valorização da mulher se consolidem dentro da indústria. O Women in Travel, por exemplo, veio da WTM Londres e teve bons resultados quando foi inserido na programação oficial da edição latino-americana do evento, em 2019.  

O programa designa mulheres em posições de destaque para orientar as trabalhadoras que desejam crescer na carreira, mas não sabem por onde começar.  As queixas das 85 mulheres que passaram pelo aconselhamento profissional foram as mesmas, independentemente da faixa etária: falta de oportunidade, desigualdade salarial, dificuldade de empreender devido à carga extra de tarefas.  

Mas a esperança se renova quando conhecemos exemplos que conseguiram chegar ao grupo minoritário de mulheres em cargos de liderança. Seja por condição socioeconômica ou pelo enfrentamento de adversidades, essa trajetória quase sempre é pautada por determinação. É uma delícia conversar com pessoas que enxergam apenas competências e talento, sem se apegar à questão de gênero.  

São homens e mulheres que acreditam no ser humano e na capacidade de evoluir por meio da união de forças e do compartilhamento de ideias. Aconteceu muitas vezes nos meus 15 anos de Turismo; e ocorreu nesta edição, quando entrevistei Ana Biselli Aidar. 

Entendo o significado histórico, mas não concordo com a existência de uma data especial para celebrar as mulheres. Não por defender afirmações piegas de que “o dia da mulher é todo dia”, mas pelo simples fato de que a luta por igualda de requer despir-se de todo o tipo de privilégio. Mas já que comemoração existe, dedico esse texto às mulheres batalhadoras do Turismo. E aos homens que já entenderam que só ganharemos essa batalha em conjunto.

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