Impacto positivo

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Vivejar é uma empresa de turismo B Certified

Por Velma Gregório

Os parâmetros de sucesso empresarial estão sendo ressignificados. Não basta mais ser a melhor do mundo. Sucesso, agora, tem a ver com ser melhor para o mundo. E essa é uma tendência que se consolida rapidamente em razão da urgência dos problemas globais e locais a serem resolvidos. O poder transformador das empresas foi identificado como protagonista nas soluções.

Há um pouco mais de dez anos, um movimento mundial de empresas vem utilizando o seu poder para resolver questões sociais e ambientais. Não se trata mais de reduzir os impactos negativos, mas de provocar os positivos. São as B Corps ou Empresas B, aquelas certificadas por unir desenvolvimento de negócios, humano e do planeta.

No Brasil, 105 empresas são certificadas e, dessas, sete atuam no setor de turismo – Alaya (Brotas/SP), Aniyami Brazil (Natal/ RN), Cambará Eco Hotel (Cambará do Sul/ RS), Raízes Desenvolvimento Sustentável (São Paulo/Rio de Janeiro / Belo Horizonte), Vivejar (São Paulo/SP), Campus B (São Paulo/SP), e Florita (Rio de Janeiro/RJ). No mundo, são 35 as empresas de turismo certificadas.

O diferencial da certificação das empresas B é o comprometimento. Não é só inserir parâmetros de gestão sustentável. É necessário mudar o contrato social. Sim, o compromisso é pessoal, institucional e legal. É uma oportunidade de remodelar um negócio existente ou mesmo de criar um novo negócio dentro das perspectivas de futuro e de inovação.

Uma Empresa B compromete-se a criar impacto positivo na sociedade e no meio ambiente por meio de seu propósito.

Ela muda seu estatuto para aumentar o dever fiduciário de acionistas e gestores – incluindo interesses não financeiros – e compromete-se a operar com altos padrões de gestão e transparência com a certificação. Assim, faz parte de uma comunidade que declara sua interdependência, o que, na prática, a obriga a comportar-se de acordo com a ideia de que “dependemos uns dos outros e, como resultado, somos responsáveis por nós mesmos e pelas futuras gerações”.

O ponto de partida é uma avaliação do modelo de negócio, da governança, dos clientes, dos trabalhadores, dos fornecedores e distribuidores e do meio ambiente. Chamada de B Impact Assessment, ela é gratuita, confidencial e está disponível na internet. Apresenta perguntas desafiadoras, pensadas para refletir as melhores práticas.

Para ser elegível, a empresa precisa ter pelo menos 80 pontos – em uma escala de 200 possíveis. A partir daí é que começa a certificação, com acompanhamento e checagem de documentos, entre outras atividades. É um processo que demanda investimento de recursos financeiros e de tempo. Uma certificação pode durar de seis meses a um ano, dependendo da complexidade do negócio. Mas, até por curiosidade vale a pena entrar para conhecer a avaliação. Ela é um meio de mensuração do impacto do negócio e traz questionamentos que talvez não tenham sido feitos ainda. Então, mesmo que ainda não esteja no momento de partir para uma certificação, a avaliação pode ajudar a repensar o modelo de negócios.

O objetivo da certificação, no final, é ter reconhecimento por parte do consumidor e criar um ecossistema de empresa de impacto positivo. A cada ano cresce o número de pessoas preocupadas em consumir de maneira consciente – em especial os millennials, que já têm forte poder de compra. Ser uma empresa de turismo que genuinamente tem preocupações e ações além das financeiras faz a diferença na hora da tomada da decisão de escolha por uma agência, pela própria viagem, um hotel, um meio de transporte, ou um destino – ou mesmo na assinatura de um contrato de trabalho.

Nem sempre será fácil responder às questões da avaliação, mas desafio você a tentar. Quem sabe você está mais preparado para ser uma empresa melhor para o mundo do que imagina?

#vamosjuntos

Velma Gregório é diretora de Comunicação da Editora Via e especialista em comunicação e sustentabilidade.

Leia também: Como fazer turismo sustentável?

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