Impactos da pandemia: Pesquisa indica caminhos para a recuperação

impactos da pandemia
Estela Farina (Braztoa), Osmar Maduro e Danielle Roman (Interamerican Network) durante a live que apresentou os resultados da segunda rodada de pesquisas da Travel Consul

 A Travel Consul, aliança global de marketing de viagens, realizou uma segunda rodada da pesquisa iniciada em junho sobre os impactos da pandemia de covid-19 na indústria do Turismo. Mais do que mostrar os problemas, o estudo também indica caminhos para a reconstrução da atividade e cria parâmetros importantes para o futuro próximo ao comparar os resultados do primeiro semestre com as respostas atuais.

Entre 14 e 28 de setembro, 1.021 executivos de viagens de mais de 20 países participaram da pesquisa que, no Brasil, teve apoio da Interamerican Network e da Braztoa. As respostas – obtidas majoritariamente (84,53%) de operadores de turismo e proprietários de agências de viagens – sinalizam mudanças importantes no perfil dos viajantes, revelam a eficácia dos protocolos no sentido de aumentar a confiança dos consumidores em relação a questões biossanitárias e sinalizam novos comportamentos dos clientes quando o assunto é Turismo.

Confira os destaques da pesquisa e baixe o arquivo com os números na íntegra.

EFICÁCIA DOS PROTOCOLOS

Garantir a segurança por meio da aplicação de protocolos para combater a disseminação do vírus continua tendo o maior peso na decisão do viajante por um determinado destino. A resposta recebeu 73,56% as menções na pesquisa global. Em seguida, vieram o gerenciamento da pandemia pelo destino (59,65%) e o preço (39,47%).

Chancelas de saúde e segurança foram citadas por 59% dos respondentes como as ações mais importantes das organizações de destinos (DMOs) no sentido de apoiar a cadeia de distribuição. Também foram mencionadas a apresentação de dados úteis e atualizados (49%) e campanhas de marketing voltadas aos consumidores (45%). 

Entre as certificações mais confiáveis, os respondentes apontaram para as ações realizadas pelos próprios destinos (38%) e para os selos concedidos por instituições globais, como o WTTC (33%). “Vale acrescentar que as pessoas têm de fazer seu papel, seguindo atitudes básicas como distanciamento social, higienização das mãos e uso de máscaras. Se esse esforço vier apenas dos destinos e dos empreendimentos não será suficiente”, alerta Danielle Roman, CEO da Interamerican.

ADIAMENTOS X CANCELAMENTOS

A pesquisa revela que a opção pelo adiamento supera os cancelamentos. Segundo os empresários que responderam à pesquisa, há dois perfis prevalentes: clientes que já postergaram a viagem para 2021 e os que ainda estão aguardando para decidir quando e para onde vão viajar.

América do Sul e América do Norte ainda apresentam taxa relativamente baixa na menção a cancelamentos (20% e 32%, respectivamente) enquanto destinos na Austrália, Europa e Ásia exibem taxas bem mais altas (75%, 55% e 53%), o que puxou a média global para cima (48%).

POLÍTICAS COMERCIAIS E A IMPORTÂNCIA DO SEGURO-VIAGEM

Em relação à flexibilidade de políticas comerciais de fornecedores, 45% dos respondentes disseram que elas tiveram impacto positivo nos negócios. Por outro prisma, 70% dos executivos apontaram que a alteração das políticas de cancelamento, termos e condições está entre suas principais tarefas para 2020-2021. Outro resultado interessante foi o aumento na percepção da necessidade de oferecer apólices de seguro, com 60% das menções – 12% superior ao resultado do primeiro semestre.

LAST MINUTE

A antecedência de compra também mudou, segundo mostram os dados da pesquisa. O comportamento de reservar roteiros internacionais na última hora, que era característico do viajante brasileiro, agora se estendeu para o mundo todo. Em termos globais, 21% dos viajantes informaram decidir suas viagens com menos de um mês de antecedência, enquanto 10% deles consideram um período entre 1 e 3 meses.

Estratificado por continente, esse dado mostra que 34% dos europeus estão decidindo suas viagens a menos de 30 dias do embarque. Na outra ponta, os turistas da Austrália e do Oriente Médio se mostraram mais conservadores em relação a esse tema, com a maioria das respostas sinalizando para um cenário de espera antes de qualquer tomada de decisão – 73% e 62%, respectivamente.

VIAJANTES SOLO

Em relação ao perfil dos viajantes, a pesquisa revelou boas surpresas. O interesse por viagens individuais, por exemplo, cresceu e chegou a 66% das menções. Hotéis e resorts foram apontados como os meios de hospedagem preferenciais para 64% dos respondentes e resorts all-inclusive tiveram 60% das respostas. Em seguida vieram menções a hospedagens com autoatendimento (57%), viagens em grupos de 8 a 15 passageiros (54%) e roteiros que combinam viagens aéreas com locação de veículos (54%).

NOVOS PRODUTOS

Globalmente, 45% dos respondentes se disseram propensos a considerar hotéis e resorts que não comercializavam anteriormente. Em relação aos destinos, 53% dos executivos afirmaram probabilidade alta de incluir novidades na oferta atual, enquanto 47% dos respondentes provavelmente irão considerar novos fornecedores.

“O especialista em Disney, por exemplo, foi obrigado a redirecionar seus negócios. É preciso que os empresários tenham disposição para se redescobrir”, opina Danielle. “Observamos um número importante de operadores Braztoa que não vendiam roteiros nacionais e aproveitaram o momento como oportuno para descobrir novos destinos, produtos e adequar a oferta nesse momento”, complementa Estela.

SOBREVIDA MAIOR PARA OS NEGÓCIOS

Outro ponto comemorado foi o aumento na taxa estimada de sobrevivência financeira dos negócios sem nenhum tipo de intervenção governamental. Na comparação entre os resultados de junho e de outubro nota-se declínio de 5% nas respostas que apontavam para o período de 4 a 6 meses e aumento para previsões mais otimistas: +2% acreditam que conseguem manter os negócios por 7 a 10 meses e +3% afirmaram que o caixa pode superar 10 meses.

“O primeiro momento foi assustador, mas empresas foram aprendendo a administrar, trazendo novos produtos, mudança com foco em produtos nacionais. Temos agora o indicativo que deu certo, com um aumento gradual de faturamento, o que leva a uma visão mais otimista em relação à sobrevida”, defendeu Estela Farina, vice-presidente da Braztoa. “Vale lembrar que, mesmo migrando para venda nacional, esses produtos não têm a mesma rentabilidade para agências e operadoras”, pontuou Danielle.

MEDIDAS DE ADAPTAÇÃO

Questionados sobre as três principais medidas implementadas durante a crise, os empresários apontaram o ajuste no modelo de negócios (45%), a criação de novos produtos (45%) e a melhora dos produtos atuais (35%). Também foram citados os reforços nos serviços aos clientes, investimento em tecnologia e a pesquisa de novos destinos – esta última, com 5% a mais de menções na comparação com o resultado de junho. Já o foco em programas de treinamento caiu 11% em relação à pesquisa do primeiro semestre.

NOVO PAPEL DAS ASSOCIAÇÕES

A pesquisa destacou as associações setoriais do Turismo como as fontes de informação mais confiáveis, com 64% das menções na questão que exigia a seleção de três fornecedores de dados. Em seguida vêm as organizações de destinos (40%) e amigos da indústria (35%). “Essas pesquisas dão um direcionamento de rota importante e mostram uma nova leitura do papel das associações”, sugere Danielle.

PERCEPÇÃO DE RECUPERAÇÃO

Entre os respondentes, a maioria tem a Europa como continente principal da operação (44,66%). Em seguida vêm Ásia (24%) e América do Sul (13,03%). A percepção do empresariado nacional é mais otimista em relação ao tempo estimado para a recuperação. Enquanto o resultado global aponta para uma retomada em 2022 os brasileiros acreditam que os resultados já poderão ser sentidos no ano que vem.

QUESTÕES TRABALHISTAS

Por outro lado, a questão trabalhista parece ter tido mais impactos por aqui do que no resto do mundo. Entre os empresários globais, a maioria afirmou ter apenas reduzido a carga horária da equipe; já no Brasil a maior preocupação das empresas recaiu sobre a demissão forçada de colaboradores, item registrado em 26% das respostas – 5% a mais do que na pesquisa realizada em junho. “Esse ajuste foi difícil, mas necessário e proporcional à redução do volume de negócios. Entretanto, já começamos a ver recontratações e abertura de novas vagas”, pondera Estela.

FOCO EM REDES SOCIAIS 

Com relação às atividades de marketing durante a recuperação, a mídia social superou todos os demais concorrentes, com sete em cada dez entrevistados afirmando que o marketing social vem sendo seu conceito principal. Digital e vendas ficaram em segundo e terceiro lugar, respectivamente. 

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