Inclusão e respeito para transsexuais é pauta no Fórum de Turismo LGBT

O primeiro painel do quinto Fórum de Turismo LGBT do Brasil contou com Glamour Garcia e Paulo Renato Braga

Fórum de Turismo LGBT do Brasil
Mauro Sousa, diretor de Espetáculo da Mauricio Sousa Produções e Influenciador Digital; ; Paulo Renato Braga, especialista de Planejamento Estratégico e Performance da Amadeus; e Glamour Garcia, atriz transsexual

A Revista Via G, pertencente à Editora Via (que também detém o Brasilturis Jornal), está promovendo, nesta quinta-feira (30), a quinta edição do Fórum de Turismo LGBT do Brasil. O evento debaterá sobre tendências e principais gargalos ainda presente neste segmento. Para iniciar, o primeiro painel debateu sobre Turismo para Pessoas Trans, que contou com a presença de Glamour Garcia, atriz transsexual; Paulo Renato Braga, especialista de Planejamento Estratégico e Performance da Amadeus; e Mauro Sousa, diretor de Espetáculo da Mauricio Sousa Produções e Influenciador Digital.

Glamour destacou a necessidade de sair dessa fase de ensinar e falar, mas de as pessoas correrem atrás de informações e se capacitar. “Eu sou embaixadora do Turismo do Rio de Janeiro. Sou profissional do setor e eu acho que todo mundo é capaz sim. Já passou da questão de treinar. Somos pessoas. Somos histórias”, comenta.

Braga, por sua vez, concorda com Glamour e reforça que ainda falta muito para caminhar, mas que não se trata de preparação. “A comunidade é diversa e já faz parte do dia a dia. É uma questão de olhar com naturalidade. Eu sigo que homens trans tem uma passabilidade maior, conseguimos transitar sem ser percebido e isso faz com que a transfobia seja menos visível, mas claro há aquelas transfobias velas, com olhares tortos e perguntas indiscretas”, relembra.

A atriz rebateu essa ideia de passabilidade e lembra que pessoas trans, assim como qualquer um, tem o direito de transitar, livre para ir e vir. “Estou trazendo essa discussão, porque estamos em um debate de acolhimento. O que interessa se a pessoa é trans ou não? Se não existe esse cenário com pessoas cis, porque ficar batendo nesta tecla sobre pessoas trans? Temos que começar a absorver isso”, rebate.

Quanto aos processos de viagens, Braga lembra que é necessário ser inclusivo e inserir pessoas não binárias no sistema. “Poder incluir no check-in o nome social, seja na companhia aérea ou no hotel, quebra uma série de empecilhos que possam ter. Por mais que a empresa coloque uma bandeira, de nada adianta ele não replicar o discurso. É preciso criar passos que impeçam que qualquer contratempo aconteça. Sair da caixa dos gêneros, trabalhar com neutros e pluralizar essas questões”, diz.

Glamour levou essa discussão para além da visão de consumidor: é necessário ser inclusivo também no ambiente corporativo. “Eu acredito que não existe só o consumi, mas a interface da profissão. Existem pessoas capacitadas para ocupar esses espaços. Ter uma pessoa trans na equipe vai tornar isso natural, porque ela vai trabalhar para você, com você e te fazer vivenciar. Incluir pessoas dentro desse espaço que o Turismo profissional é um ótimo caminho para começar”, afirma.

O especialista de Planejamento Estratégico, por sua vez, concorda com Glamour e lembra que perguntar não ofende, mas pode ser a melhor maneira de lidar com a comunidade. “Se vai atender a pessoa e não sabe como se referir, você pode perguntar. Não é uma ofensa”, comenta.

Ao serem questionados, Braga e Glamour concordam que os destinos devem apostar na capacitação para inclusão da comunidade em atividades, roteiros e serviços disponíveis, mas a atriz destaca que é válido, também, o desenvolvimento de ações e iniciativas exclusivas. “Já existe uma formulação em relação aos produtos. São muito interessantes. Se existe espaço para valorização, existe toda uma profundidade da cultura LGBT que o Turismo pode valorizar”, conclui ela.

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