Infraestrutura e meio ambiente lideram ranking de atributos essenciais aos destinos

Pesquisa realizada pela Emprotur e Interamerican com integrantes do trade turístico revela a lista com 22 atributos que podem garantir atratividade aos destinos

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Leonardo Seabra, líder de Inteligência Estratégica da Emprotur

O que é indispensável e o que é diferencial para atrair os visitantes a um determinado destino turístico? Determinar os atributos essenciais para melhorar a competitividade foi um dos vieses explorados por mais uma pesquisa realizada pela parceria entre a Empresa Potiguar de Promoção Turística (Emprotur) e Interamerican Network. Desta vez, o estudo focou na percepção de grandes influenciadores desse mercado: os próprios geradores de demanda.

Além de analisar a situação atual e todas as medidas que o trade espera dos destinos para considerá-los na retomada das viagens de seus clientes, o estudo também destacou os anseios do grupo B2B em relação a um período mais alongado. Entre os aspectos considerados importantes pelos 589 respondentes até 2025 estão: qualidade da infraestrutura turística (95%), comprometimento com ações de proteção ao meio ambiente (76%) e diversidade de atrativos naturais (70%).

Leonardo Seabra, líder de Inteligência de Mercado da Emprotur, não descarta a importância do monitoramento diário, semanal e mensal em tempos de pandemia, mas reforça que é essencial ter também a percepção do que vai ser determinante no médio e no longo prazo. “Entre os cinco aspetos mais ranqueados, três têm relação direta com recursos naturais. Isso faz uma associação com o fato de o Brasil sempre aparecer no topo do ranking de competitividade em recursos naturais, mas não figurar entre os líderes quando o assunto é infraestrutura e produtos. Não sabemos capitalizar e o estudo é mais uma prova de que precisamos encontrar esse caminho”, pontua.

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Top 5 dos atributos relacionados por 589 respondentes: 3 estão relacionados a recursos naturais

O especialista lembra que o questionamento em relação ao futuro aliou variáveis que já haviam sido mencionadas em outras pesquisas realizadas pela Emprotur a dados destacados por rankings globais como World Best Cities e Future Brand Country Index, entre outros. Essa visão de longo prazo também coloca o investimento em infraestrutura de telecomunicação como um importante diferencial em termos de atratividade, segundo a opinião de 59% dos entrevistados (veja o gráfico com a lista completa de atributos ao final desta matéria).

“Não existe ainda o pós-pandemia, mas um cenário inevitável de convívio com o vírus que tem destacado diversas tecnologias para viabilizar diferentes procedimentos, agendamentos e pagamentos, então é importante que os integrantes da cadeia tenham esse cuidado em mente”, defende.

Percepções sobre a retomada

O timing para a promoção comercial figurou entre os assuntos abordados, já que a pandemia mexeu com o emocional de todos nos últimos meses. “É importante levar em conta o momento certo, pensando na sensibilidade do cliente em relação ao recebimento de ofertas. No começo, a comunicação foi muito voltada a questões institucionais, mas chega uma hora que a cadeia quer começar a vender, de fato”, argumenta Seabra.

Nesse quesito, 80% dos respondentes acreditam ser adequado comunicar promoções e incentivar viagens assim que o destino iniciar a flexibilização das medidas de isolamento e começar a retomar atividades relacionadas, como restaurantes e atrativos turísticos. “Isso porque não basta que só o meio de hospedagem esteja aberto, toda a cadeia deve estar funcionando”, reforça Seabra. A preocupação de ter prestadores de serviços operando a experiência completa de uma viagem foi mencionada por 77% dos entrevistados como essencial para viabilizar uma retomada bem-sucedida.

Inegável, o impacto de ações exercidas por organizações na imagem de um destino foi mencionado por quase todos os profissionais consultados. Para 91% dos respondentes, a forma como as instituições públicas cuidam de seus cidadãos durante a gestão da crise pandêmica é decisiva para a escolha dos viajantes. O índice que avalia o impacto de ações da iniciativa privadas ficou bem próximo: 89% dos entrevistados creditam ao comportamento do trade a criação de impressões – positivas ou negativas – em relação a um destino.

Seabra destaca esse recorte em outro estudo que mostra um percentual alto de viajantes (66%) que afirmou modificar seu roteiro preferencial de viagem por avaliar algumas atitudes do primeiro destino escolhido como falhas, de acordo com seus valores e impressões pessoais. “Humanos não toleram incertezas, o que dá a gestores públicos e marcas uma grande responsabilidade em relação à gestão desse processo. Entidades e empresas que adotaram um comportamento inicial de acolhida, reforçaram seus procedimentos de segurança e informaram isso de forma transparente saíram na frente”, pontua.

A presença de grandes marcas no destino reforça uma das variáveis mais importantes no quesito atratividade: a tão falada confiança. A conquista desse atributo por meio da atuação de empresas conhecidas foi mencionada por 73% dos respondentes. “Marcas são mais visíveis pelo público, têm capilaridade e uma capacidade maior de implementar grandes mudanças”, opina Seabra, sugerindo a formatação de parcerias em atividades sinérgicas. “A relação entre players com alinhamento em estratégia e valores pode fazer a diferença”, pontua.

Padrão global

A adoção de protocolos sanitários por empresas que atuam em todas as etapas da jornada do viajante é vista como imprescindível para 80% dos profissionais consultados. Aeroporto, locadora de veículos, empresas de transfer, operadores de receptivo, atrativos, restaurantes, bares e demais prestadores de serviço devem não apenas se adequar como seguir uma mesma linguagem e linha homogênea em relação a proibições em vigor e eventuais flexibilizações.

Segundo 82% dos respondentes, é essencial que os protocolos locais também estejam alinhados a padrões globais. Já o reconhecimento das iniciativas por instituições independentes é considerado um diferencial na promoção dos destinos para 89% dos entrevistados. No Rio Grande do Norte, a opção foi criar um manual próprio para atestar a adesão às normas – o Turismo+Protegido –, moldado com base nas orientações do selo criado pelo Ministério do Turismo. Em âmbito global, a exigência foi cumprida com a conquista do “Safe Travels”, chancela concedida pelo Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) que fez do estado potiguar pioneiro nessa qualificação no País.

“O selo do MTur garante que o estabelecimento cumpre com os procedimentos obrigatórios, os estaduais e municipais dão uma salvaguarda ainda maior para o viajante e o selo internacional fala diretamente com o viajante estrangeiro. Todos têm orientações alinhadas e uma linguagem comum para não confundir o turista em relação ao que ele pode ou não fazer em determinado local do estado”, argumenta.

Marca da gestão

Para Seabra, o investimento constante em pesquisas é uma cultura forte na gestão da entidade, atualmente comandada por Bruno Reis. “Não fazemos pesquisa por fazer, mas para traduzir os dados e colocá-los à mesa, ajudando nas decisões. Estabelecemos uma estratégia de promoção pensando no público final e fazemos todo o monitoramento até chegarmos ao objetivo, sempre em comunicação com todos os stakeholders”, pontua.

Apesar de trazer o retrato fiel de um momento no qual “a vida está em andamento”, a tradução em dados dessa percepção de agosto cria base para traçar comparativos, o que ganha ainda mais importância em um momento de mudanças constantes de cenário. “A pandemia evoluiu geograficamente de formas diferentes e o processo de recuperação também vem sendo heterogêneo, com estados em fases diferentes e outros passando por reviravoltas. Isso influencia na tomada de decisão”, detalha.

Agentes de viagens (58%) compuseram a fatia mais representativa entre os 589 respondentes, mas também foram consideradas respostas de operadores (11%), organizadores de eventos (4%), empresas de receptivo (2%) e de colaboradores do setor público (2%), entre outros stakeholders que, trabalham com o segmento de lazer (83%), Mice (8%) e corporativo (5%). Profissionais de todas as regiões do Brasil lideraram a porcentagem de respostas enviadas (90%), mas também participaram gestores, CEOS, diretores, empresários e profissionais independentes da Argentina, Chile e Colômbia.

Confira 22 itens que requerem atenção dos destinos

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