“Injusta e impraticável”: Clia rebate orientação para reinício de cruzeiros

Entidade solicita que o Centro de Controle e Prevenção de Doenças reveja as instruções técnicas que autorizam a retomada da atividade

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A Associação Internacional de Cruzeiros (Clia, da sigla em inglês) emitiu um comunicado solicitando que o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) reveja as instruções técnicas que condicionam o reinício dos cruzeiros nos Estados Unidos a uma série de procedimentos considerados impraticáveis pela entidade e pela indústria.

Na visão da Clia, que representa 95% da capacidade global de cruzeiros, as contrapartidas exigidas são injustas com um setor que emprega quase meio milhão de pessoas só nos Estados Unidos. “Os novos requisitos parecem refletir um objetivo de risco zero em vez da abordagem de mitigação para covid-19 que é a base para todos os outros setores de nossa sociedade”, aponta a Clia, em nota.

O órgão, responsável pela fiscalização dos protocolos de saúde, segurança e higiene relacionadas ao novo coronavírus em território norte-americano, emitiu instruções rigorosas para a indústria de cruzeiros na última sexta-feira (2/4). Na mesma data, segundo a Clia, foram disponibilizados protocolos mais flexíveis para viagens aéreas domésticas e internacionais.

“A ironia é que, hoje, um norte-americano pode voar para qualquer destino para fazer um cruzeiro, mas não pode embarcar em um navio nos Estados Unidos”, revela outro trecho do comunicado emitido pela Clia.

Leia a íntegra:

“Compartilhamos a prioridade da administração Biden de controlar o vírus e elogiamos os avanços significativos feitos nos Estados Unidos, que são um modelo para outros. Também respeitamos a autoridade do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) em implementar medidas no interesse da saúde pública.

No entanto, as instruções direcionadas à indústria de cruzeiros, emitidas em 2 de abril pelo CDC sob a Ordem para Navegação Condicional (CSO) são decepcionantes. Os novos requisitos são excessivamente onerosos, em grande parte impraticáveis, e parecem refletir um objetivo de risco zero em vez da abordagem de mitigação para covid-19 que é a base para todos os outros setores de nossa sociedade.

O efeito das novas ordens é que quase meio milhão de americanos – de estivadores e operadores de transporte terrestre a hotéis, restaurantes e trabalhadores de varejo, agentes de viagens e dezenas de milhares de empresas que prestam serviços de cruzeiros – continuam a sofrer financeiramente sem um cronograma razoável para o retorno seguro dos cruzeiros.

Além disso, as instruções estão em desacordo com a abordagem que o CDC e os governos em outras partes do mundo aplicam a todos os outros segmentos de viagens e Turismo para mitigar o risco de covid-19. No mesmo dia, o CDC emitiu novos requisitos que são onerosos para a indústria de cruzeiros e orientações mais flexíveis para viagens domésticas e internacionais, devido ao progresso da vacinação e ao reconhecimento da melhoria do ambiente de saúde pública.

Desde o verão passado, quase 400 mil passageiros já viajaram pela Europa e partes da Ásia, seguindo protocolos rigorosos e baseados na ciência que resultaram em uma taxa de incidente muito menor do que em terra. A ironia é que, hoje, um norte-americano pode voar para qualquer destino para fazer um cruzeiro, mas não pode embarcar em um navio nos Estados Unidos.

Isso impede que os trabalhadores norte-americanos participem da recuperação econômica e não reconhece os avanços da saúde pública que foram alcançados ao longo de muitos meses, incluindo a capacidade de mitigar efetivamente os riscos em navios de cruzeiro. Sem nenhum caminho perceptível ou prazo para a retomada nos EUA, mais viagens originadas no Caribe e em outros lugares provavelmente serão anunciadas, fechando portos norte-americanos, arruinando milhares de pequenos negócios e empurrando toda uma indústria para o exterior.

A Clia pede que a administração a considere a ampla evidência que apoia a suspensão da OSC neste mês para permitir o planejamento de um retorno controlado ao serviço neste verão. Na verdade, o anúncio da última sexta-feira é um toque de clarim para uma cooperação e coordenação mais estreita entre as partes interessadas para alcançar a meta do presidente de alcançar um ‘novo normal’ até o 4 de julho.

Trabalhando juntos, podemos evitar as consequências negativas que possam surgir durante um cruzeiro e apoiar os trabalhadores dessa indústria a ter as mesmas oportunidades que outros trabalhadores em indústrias que têm muito menos práticas em vigor para garantir saúde e bem-estar públicos.”

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