Intercâmbio cresce e amplia oportunidade de negócios para as agências

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O mercado brasileiro de educação estrangeira cresceu 22%, em 2017, e alcançou a marca inédita de 302 mil estudantes.  Em média, o investimento para um curso no exterior foi de aproximadamente US$ 10 mil, um aumento de 12% em relação a 2016. No total, os brasileiros movimentaram entre US$ 2,7 e 3 bilhões em programas educacionais no ano passado.

“O crescimento foi tanto em volume quanto em receita porque o brasileiro começou a considerar opções mais diversificadas e apostou em se especializar profissionalmente”, explica Maura Leão, presidente da Associação Brasileira de Agências de Intercâmbio (Belta). Os dados são da Pesquisa Selo Belta 2018.

Pela primeira vez, os programas de mestrado e doutorado apareceram entre os dez mais procurados, mesmo com a queda do investimento público em bolsas de estudo. A demanda por cursos de graduação e certificados profissionais também aumentou, ao mesmo tempo em que programas de ensino médio perderam força.

Os cursos de idiomas continuam sendo o programa mais realizado por brasileiros, seguidos por ensino com trabalho temporário e pacotes de férias para adolescentes. Embora o inglês e o espanhol apareçam como as línguas mais procuradas, a pesquisa revelou uma maior desconcentração de mercado. Idiomas como alemão, francês, italiano e, até mesmo japonês e mandarim ganharam participação.

“A pulverização do ano passado demonstra o novo padrão de consumo educacional. O brasileiro não se contenta apenas com uma segunda língua. O objetivo é se diferenciar, no mercado trabalho”, salienta a presidente da associação.

Entre os destinos mais procurados, praticamente um a cada quatro estudantes viajou para o Canadá (23%). O país é acompanhado pelos Estados Unidos (21,6%), Reino Unido (10,2%), Nova Zelândia (6,9%) e Irlanda (6,5%). No total, 39 destinos apareceram como opções dos brasileiros. A qualidade de vida do país é o principal motivo apontado pelos 6.151 estudantes que responderam à pesquisa no Brasil, mas questões de segurança, cotação da moeda e cultura local também interferem na escolha.

Oportunidade de negócios

 

Alessandra Pimentel

As agências de viagens aparecem como parceiros estratégicos nesse mercado. A EF Education First, líder mundial de intercâmbio e cursos de idiomas, por exemplo, conta com uma área de relacionamento com agências de viagens. “No nosso modelo de negócios, as agências são representantes exclusivas. Mantemos um relacionamento próximo, inclusive promovendo treinamentos constantes. Além disso, realizamos road shows para captação de novos parceiros. Neste momento nosso foco está em buscar agências no Centro-Oeste e Norte do Brasil”, disse Alessandra Pimentel, gerente de novos negócios da empresa.

Andrea Arakaki

“Como fazemos uma venda muito especializada, desenvolvemos um pacote de bonificação das agências pela indicação do cliente”, explicou Andrea Arakaki, diretora geral da EF no Brasil. Segundo ela, há cerca de um ano e meio há uma nova tendência de perfil de intercambista – o da terceira idade. “São pessoas maduras, que já fizeram suas carreiras, mas ainda estão focadas em aprender um novo idioma, ou não tiveram a oportunidade de fazer um intercâmbio antes”, conta. Além disso, os modelos de intercâmbio hoje valorizam a experiência turística do intercambista.

Principais destinos

Cada vez mais os brasileiros querem viver uma experiência em outro país e conciliar a visita com o aprendizado do idioma. Um levantamento da IE Intercâmbio identificou que a maior parte dos intercambistas nunca tinha pisado no exterior e opta por cursos de inglês com duração entre 1 a 2 meses e meio.

“As férias são ótimos motivadores para adquirir conhecimento em um lugar diferente. A pessoa se sente muito mais confortável em investir onde o retorno não será apenas o passeio, mas a vivência internacional e a prática do idioma”, avaliou Marcelo Melo, diretor da IE.

Segundo a análise, a moeda, o câmbio, custo de vida e as oportunidades que o país proporciona aos visitantes são os principais motivadores para a escolha do destino. Os respondentes optaram por Toronto e Vancouver (Canadá), Nova York e San Francisco (EUA) e Londres (Inglaterra) como os lugares prediletos para cursar inglês em suas férias de 2018.

O Canadá é o mais procurado pelos brasileiros por oferecer um custo benefício acessível para quem quer fazer um intercâmbio de 1 a 3 meses. Com a variação do câmbio, os Estados Unidos e a Inglaterra, voltaram a ser consideradas opções por uma boa parte dos brasileiros para cursos de até 2 meses.

Nova York sempre foi a preferida dos brasileiros porque é uma referência não só em turismo, mas de carreira. Tudo quanto é profissão gira em torno da megalópole. Já para aqueles que buscam se estabelecer no ramo do empreendedorismo, San Francisco é o destino certo. A cidade é o polo das principais startups do mundo.

Londres é o berço do idioma e o melhor lugar para aprender inglês. A cidade é excelente em educação e agrega os interesses adicionais das pessoas de acordo com a área profissional. “Londres tem atraído pessoas que estudam Direito, Administração e demais áreas específicas. Outro diferencial do lugar, é que os intercambistas podem conciliar o estudo com o turismo, chegando à maioria dos países da Europa em uma ou duas horas”, explicou Marcelo.

Mas também há espaço para destinos considerados exóticos. “A vontade de conhecer o que não é tão conhecido pela maioria das pessoas, está sendo um grande atrativo para os nossos clientes”, afirmou Pedro Faberlow, diretor da IPB Intercâmbio. Entre os mais procurados estão a Tailândia, a Rússia e os Emirados Árabes, mais especificamente Dubai.

Além da língua

Maura Leão

O domínio de um segundo idioma deixou de ser apenas um diferencial para se tornar essencial na vida de qualquer pessoa, não só no Brasil, mas no mundo todo. De acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade da Califórnia, 97% dos estudantes que se graduaram e tiveram experiências internacionais obtiveram um emprego no prazo de 12 meses, por outro lado, apenas 49% dos graduados que não tiveram vivência internacional conseguiram entrar no mercado de trabalho no mesmo período.

Fabiana Fernandes, gerente de produtos da CI Intercâmbio e Viagem, comenta como tornar essa experiência ainda mais imersiva ao combinar diferentes atividades, além de aprender outra língua. “Fazer este tipo de intercâmbio é uma oportunidade de associar o desenvolvimento de um idioma com uma tarefa de preferência do cliente, seja para fazer algo que ele goste, como surfar e cozinhar; ou para dar um grande upgrade no currículo, ao fazer um curso de negócios ou arquitetura, e até mesmo voluntário”, explica Fabiana.

A empresa lançou um programa que permite ao viajante participar ativamente do dia a dia de vinícola, desenvolver a fluência no idioma, participar de degustações de vinhos e viver em uma das regiões mais belas da África do Sul. O “Wine Farm Experience” (“Experiência vinícola em fazendas”, em tradução livre) foi pensado para aqueles que procuram um escape da vida urbana para viver uma experiência diferenciada.

“Treinar o inglês em um ambiente inusitado, como a vinícola, ajuda o estudante a expandir ainda mais o seu vocabulário e a desenvolver uma nova forma de pensar o idioma. Para o intercambista, os conhecimentos adquiridos poderão ser adicionados ao seu conjunto pessoal de habilidades”, diz Eduardo Frigo, gerente de produtos da CI.

Fora do óbvio

A Fuja dos Brasileiros, agência de intercâmbio que sugere escolas em destinos com menos brasileiros, oferece a oportunidade de intercâmbio para aprender mandarim, japonês, árabe e polonês. “A empresa é conhecida por trabalhar com cidades menores e que não estão no radar dos brasileiros. Quando trabalhamos com idiomas com menor procura, conseguimos atuar em destinos como Tóquio (Japão), Cairo e Rabat (Egito), Pequim e Xangai (China) e Cracóvia (Polônia), que são cidades grandes”, explica Daniel Amgarten, sócio-fundador da empresa. A expectativa é que os novos idiomas correspondam a 10% das vendas em 2018.

Com as inclusões, a agência pretende dialogar com uma demanda reprimida. “A maior parte das agências de intercâmbio tem foco no inglês que, de fato, é o principal idioma globalmente. Há, porém, muita gente que já fala inglês e que está buscando aprender outras línguas”, afirma Amgarten. O profissional cita ainda como referência o caso do italiano, em que muitos destinos são procurados devido à ascendência dos alunos.

“Sendo o Brasil um país com um número expressivo de descendentes de japoneses, libaneses e poloneses, acreditamos que o interesse por esses idiomas possa surgir pelo vínculo emotivo com a origem da família. O mandarim, por sua vez, tem uma relevância econômica muito grande pela representatividade chinesa globalmente”, complementa.

Cada vez mais jovens

Daniel Amgarten
Fabiana Fernandes

 

 

 

 

 

 

 

A partir dos 10 anos de idade já é possível fazer um curso de intercâmbio. Andrea Arakaki, diretora responsável pela EF Brasil, conta que nestes programas os alunos estão sempre acompanhados de um guia responsável, que viaja com o grupo desde o Brasil até o destino e o acompanha durante todo o tempo.

“Para muitos jovens, esta é a primeira experiência fora do país, longe dos pais e de casa. Por isso nos preocupamos com o acompanhamento do guia, que dará apoio para que eles aproveitem a viagem, aprendam o idioma e amadureçam com o desafio”, afirma. Ela também ressalta que também há opções de programas de intercâmbio individual, com duração a partir de duas semanas, para diversos destinos.

Preferência nacional

Toronto e Vancouver (Canadá), Nova York e San Francisco (EUA) e Londres (Inglaterra) são os destinos tradicionais mais procurados por intercambistas brasileiros. Tailândia, Dubai (Emirados Árabes) e Rússia lideram as buscas entre os países considerados exóticos.

Canadá – Toronto ainda é o primeiro lugar porque o custo benefício se torna acessível. É cosmopolita e cheia de oportunidades para estrangeiros. Vancouver, acaba sendo procurada por aqueles que desejam ficar um curto período. Tem clima agradável e mistura o ambiente da natureza com a modernidade local.

EUA – Nova York sempre foi a preferida dos brasileiros porque é uma referência não só em turismo, mas de carreira. Tudo quanto é profissão gira em torno dessa megalópole. Para os que buscam se estabelecer no ramo do empreendedorismo, San Francisco é o destino certo. A cidade é o polo das principais startups do mundo.

Inglaterra – Londres é o berço do idioma e o melhor lugar para aprender inglês. A cidade é excelente em educação e agrega os interesses adicionais das pessoas de acordo com a área profissional. Além de ser bem localizada na Europa, possibilitando um turismo ainda maior ao intercambista.

Tailândia – Lugar de templos grandiosos e espiritualidade aguçada, atrai pela cultura, hedonismo e exotismo. Ao sul, as praias de Koh Phi Phi e Phuket apresentam de cara as belezas naturais que o destino proporciona. Ao norte o país expõe sua espiritualidade em cidades sagradas como Ayutthaya ou nos templos de Chiang Mai. E na capital Bangkok é possível encontrar uma das mais fascinantes metrópoles do planeta, que combina arranha-céus e templos de maneira única.

Dubai – Com construções arrojadas, frutos da riqueza vinda do petróleo, o emirado é o que se pode chamar de “paraíso artificial”. Nas últimas duas décadas, ele não parou de erguer arranha-céus de arquitetura chocante. Além disso, pode ser considerado também um paraíso das compras de luxo, com diversos souks e shoppings repletos de marcas famosas.

Rússia – País com maior área do planeta, cobrindo mais de um nono da área terrestre. E é também o nono país mais populoso, com 140 milhões de habitantes. O país tem bastantes referências em termos históricos e políticos. Terra de Czares e primeiros-ministros, o país apresenta palácios grandiosos que refletem a rica história da Rússia, além de igrejas, praças e monumentos.

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