Is this real life?

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    Números confiáveis. Talvez esse seja o calcanhar de Aquiles do turismo brasileiro. Trabalha-se tanto no campo da projeção e da estimativa que, muitas vezes, a impressão é que vivemos em um universo paralelo. Não sabemos direito onde pisamos, onde estão os limites e até onde se pode ir. É como a dúvida do menino David, formulada pela
    mente transformada pelo efeito do anestésico aplicado pelo dentista: isso é a vida real? O vídeo se tornou viral em 2009 e até hoje inspira “memes”.

    No caso do turismo, a questão central poderia ser: esse dado é mesmo confiável? Posso basear nele a estratégia
    de crescimento Encontrar essa combinação de informações que quantificam a demanda e justificam um produto foi
    uma das maiores dificuldades que nossa equipe enfrentou para finalizar a reportagem sobre turismo religioso.
    A coleta de dados, procedimento vital para garantir o jornalismo de qualidade, exigiu grande esforço. E,
    mesmo assim, em alguns casos a conta não fecha. Os motivos são diversos e começam pela dificuldade
    de estimar os números envolvidos em um evento popular gratuito. Por exemplo: como calcular o número
    exato de pessoas que participou do Círio de Nazaré no ano passado? Quantos devotos chegaram a Aparecida
    em 12 de outubro?

    É claro que existem métodos, fórmulas e estatísticas para chegar a esses números com a criação de indicadores eficazes. Mas a sistemática ainda é complicada e fica ainda mais complexa quando as cifras entram em campo. Como é possível dizer, de forma assertiva e categórica, qual é o impacto do turismo religioso para a economia do País? Ou qual é a movimentação econômica estimulada pelos feriados, assunto abordado por Mariana Aldrigui no artigo “O turismo invisível”.

    A professora da USP utilizou a recente polêmica criada em relação às pontes de feriados deste ano – e aos
    consequentes impactos negativos na produção industrial e no varejo – para abordar a dificuldade de projetar
    qualquer tipo de dado estatístico em nosso mercado. O prejuízo é cíclico: a carência de números leva à desconfiança
    – especialmente entre investidores e clientes internacionais – que culmina com a falta de vontade de
    investir em dados mais confiáveis.

    Atenção: a ideia não é desconsiderara complexidade na criação de indicadores, mas despertar a curiosidade,
    reforçar o senso crítico, provocar a reflexão em um sentido amplo. Você acha que o turismo brasileiro teria desempenho melhor se municiado de números, estatísticas e projeções? Ou isso é assunto meramente
    acadêmico? E se o macro for transposto para o micro: você saberia dizer a quantas anda a tabulação desses
    dados dentro da sua empresa?

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