Lagos andinos

A Patagônia entre o Chile e a Argentina

0
lagos andinos
Por Velma Gregório

Viajar pelos lagos andinos é uma experiência peculiar de contato com a natureza. Apesar de ser um lugar remoto na América do Sul, no meio da Cordilheira dos Andes, a infraestrutura de ecoturismo foi planejada há mais de cem anos com foco na preservação do local. Com isso, a rota que inicialmente existiu para transportar lã para a Europa no século 19 mantém sua paisagem original, com o diferencial de oferecer conforto no trajeto. Não é uma viagem só para aqueles que encaram aventuras; é um roteiro para todos. Os serviços de transporte, passeios e hospedagens são confortáveis e acessíveis. O luxo, neste caso, é a experiência em si.

A Flot Operadora levou um grupo de 12 agentes de viagens, 11 de São Paulo e uma do Mato Grosso do Sul para fazer o Cruce Andino, tour pelos três Lagos Andinos, incluindo passeios no ponto de partida – na região de Puerto Varas, no Chile – e na chegada – em San Carlos de Bariloche, na Argentina. O roteiro pode ser feito em ambas as direções (tanto do Chile para a Argentina quanto da Argentina para o Chile).

O trajeto escolhido para o famtour para a travessias dos lagos andinos saiu do lado mais rústico para o mais o mais urbano. De São Paulo, o grupo foi a Santiago (Chile) onde pegou uma conexão para Puerto Montt, seguidade passeios por Frutillar e Puerto Varas. Dali iniciou-se o Cruce Andino, primeiro até Peulla, depois Bariloche, de onde embarcaram de volta a São Paulo.

Isabela dos Santos Mingues, profissional de Marketing do Cruce Andino, ressaltou que este produto pode ser comercializado o ano todo, já que a travessia pelos lagos andinos funciona diariamente. Neste momento, em especial, o câmbio está muito favorável à moeda brasileira, o que pode impulsionar ainda mais a atratividade deste roteiro para os clientes.

Antes do Cruce Andino

Puerto Varas é uma cidade linda, à beira do Lago Llanquihue, que já é um dos lagos andinos do lado do Chile. Fica a cerca de 1.000 km de Santiago e a 20 de Puerto Montt, onde fica o aeroporto. Com seus cerca de 40 mil habitantes, é uma cidade turística que lembra Gramado, no Rio Grande do Sul. Tem uma rua coberta, lojas de chocolate e muitas lojas de equipamentos de esportes de aventura. Oferece uma boa rede hoteleira, cassino, passeios de um dia pelas redondezas, incluindo a visita ao vulcão Osorno.

O grupo ficou hospedado no hotel Radisson Puerto Varas, que fica bem na beira do lago. Além de uma construção linda, o restaurante do hotel fica no térreo, proporcionando um café da manhã com vista deslumbrante para o lago. Bem localizado, é vizinho de frente do Cassino e perto à pé do centro da cidade. “É uma cidade linda, totalmente turística, com estrutura para receber. É bem preparada para o turismo”, diz Emily Ruiz Ferreira, da Veromundo Viagens, de Campo Grande (MS).

Sentados frente ao mar é uma escultura gigante que o artista plástico Robinson Barria fez em homenagem à sua cidade Puerto Montt, inspirado pela música de mesmo nome, do grupo local Los Iracundos. Com o tempo, a obra ficou mais conhecida que a própria música que lhe deu origem e a polêmica em torno de sua estética faz dela um ponto de visitação concorrido pelos turistas. Próxima à praça central com sua fonte de águas, é parada certa para fotos e selfies. Localizada em uma baía do Oceano Pacífico, Puerto Montt tem cerca de 180 mil habitantes. Lá fica o Mercado Angelmó, outro ponto turístico que além dos pescados e artesanato, oferece uma vista da praia onde se vê leões marinhos. Os chilenos chamam a cidade de “a entrada Norte da Patagônia”. Um mirante da cidade marca o km 0 da Carretera Austral, a principal via terrestre da Patagônia Chilena. “É uma cidade muito rústica, peculiar, com certo conforto. Faz parte de um roteiro que, dentro do contexto geral, tem de ser visitada”, afirma Ronaldo Francelino, da Artmak, de São Paulo (SP).

Outra rodovia que passa por ali é a Panamericana. Por ela, o grupo chegou a Frutillar, outra cidade turística que atrai visitantes principalmente pela música. O Teatro Del Lago é uma construção que não passa desapercebida no horizonte do lago LLanquihue. Imponente, recebe anualmente, entre janeiro e fevereiro, as Semanas Musicais de Frutillar, o maior festival de música clássica do Chile. Também é um ótimo lugar para curtir o pôr-do- sol e tomar um café. A própria cidade é uma atração. De origem alemã, suas casas parecem construídas para um cenário de filme de bonecas. Junto com Puerto Montt, formam um bom roteiro para uma visita de um dia. O Museu Colonial Alemão de Frutillar guarda a história da chegada dos alemães à cidade. “Os imigrantes alemães trouxeram seus costumes, uma bagagem cultural e uma forma de vida que deram um encanto muito particular a essa belíssima região de vulcões”, observa Fernanda Palechiz, da Escala Turismo, de São Paulo, capital.

Vulcão Osorno

Antes de tomar o Cruce Andino, uma visita ao Vulcão Osorno é um ponto alto do roteiro. Ele será visto do catamarã durante a travessia dos lagos, mas o vulcão é um símbolo da identidade local e merece sim uma ida até lá. Seu ponto mais alto fica a 2.652 metros de altitude, o que não é considerado muito alto na escala das grandes montanhas do mundo. Contudo, o clima úmido e frio da região mantém o cume congelado o ano todo. A viagem de carro ou ônibus segue pela margem sul do Lago Llanquihue até a entrada do Parque Nacional Vicente Pérez Rosales, que fica em Puerto Varas.

Este é um programa que no inverno é sujeito às alterações climáticas. Prepare os turistas. Se a neve for muita, pode não ocorrer por questões de segurança. Dá para ir de carro até a base do teleférico que leva até as pistas de esqui. Para quem não se arrisca no esporte, há uma cafeteria com boas opções de comida e bebida, incluindo vinho, para aproveitar o tempo e contemplar a montanha. A subida é muito incrível porque, apesar da neve, as árvores são sempre verdes. Chove muito na região, o que mantém a vegetação colorida mesmo em baixíssimas temperaturas. O trajeto do teleférico é feito em cadeiras abertas e leva aproximadamente 15 minutos. “Sem duvida é a cereja do bolo na região de Puerto Varas. A sensação desafiadora de estar num vulcão adormecido, porém ativo, é única. Um monumento natural imponente. O pico nevado se torna uma referência, visto de qualquer lugar, domina a paisagem da região”, diz Josafá Bezerra, da Neo Turismo, de São Caetano do Sul (SP).

Chega o dia de navegar pelos lagos andinos

Na manhã do embarque para Peulla, uma surpresa: parada estratégica no Parque Nacional Vicente Pérez Rosales para conhecer os Saltos Del Rio Pethohue. É uma caminhada curta, menos de um quilômetro no total, com estrutura de pontes de madeira e corrimão que levam à cascata de águas verde-esmeralda. Vale a pena parar com calma para aproveitar a vista e compensar os US$ 9 dólares pagos na entrada.

Em seguida, o grupo chega ao porto do Lago de Todos os Santos, o primeiro dos lagos andinos. A travessia é feita em um catamarã de dois andares, com uma cafeteria a bordo. Não há assentos marcados ou áreas exclusivas. Durante 1h45, todos compartilham o espaço, incluindo o deque aberto, o local mais disputado, mesmo em baixas temperaturas, chovendo ou nevando. Afinal, a vista é inacreditável: o próprio lago, que parece mar; os vulcões – Osorno e Puntiagudo cobertos de neve; e os paredões das montanhas da Cordilheira dos Andes sempre verdes. “É um passeio incrível! Quase não se percebia que estávamos navegando. Foi uma completa imersão na natureza, um espetáculo”, disse Fátima Santos, da Grand Viaggi, de São Paulo (SP).

Peulla

Chegar a Peulla é um choque de realidade. “Uma vila com 120 moradores, 12 crianças e nove cães”, diz o guia. O cenário é de cinema e demora alguns minutos para acreditar que a vista é real. Tudo é rústico, em perfeita harmonia com o entorno. O Cruce Andino oferece programas de apenas visita ou de hospedagem em um dos dois hotéis do local – o Hotel Peulla e Hotel Natura, ambos fazem parte do grupo do Cruce Andino. Os hotéis tem wifi, mas o sinal é bem fraco e nem sempre funciona. E isso faz parte do contexto, afinal, a proposta da travessia pelos lagos andinos é de conexão com a natureza.

Os programas para quem fica uma ou duas noites são de trekking, cavalgada, ou um tour fotográfico em carro 4×4 pela região, que inclui passeio contemplativo em um flutuante no Rio Negro que traz as águas da cordilheira. A gentileza e o bom treinamento dos guias são diferenciais.

“Eu amei conhecer Peulla, apesar de ser um vilarejo bem pequeno. A sua localização no meio da Cordilheira dos Andes com sua paisagem cinematográfica é de deixar qualquer um maravilhado com tanta beleza. Há muitas atividades para serem feitas, mas poder sentar num toco de árvore, observar a cordilheira com seus picos de neve e ouvir o silêncio é acreditar na existência de Deus”, comentou Márcia Cardoso, da Joy Tour, de Santo André.

Os quartos são confortáveis, mas sem tecnologias. Alguns nem tem TV, mas todos têm aquecimento e janelas grandes para avistar a paisagem. O restaurante do hotel é a única opção de refeições no lugarejo, mas tem uma boa variedade de opções. Simples como todo o conceito da experiência, mas feito com carinho. Definitivamente é difícil ir embora deste lugar.

Frias e Nahuel Huapi

Mas sempre chega a hora de ir. De Peulla, um novo trajeto de catamarã completa a travessia andina pelo Lago Frias e Nahueal Huapi. “Só tenho elogios ao tratamento e qualidade dos catamarãs, nos propiciando paisagens e momentos inesquecíveis”, disse Eduardo Gonçalves Moreira, da Elemento Turismo, de São Paulo (SP).

O controle de fronteira é feito na saída o Parque Nacional e, poucos quilômetros depois, na entrada da Argentina, sempre com o apoio dos guias locais. Avise aos passageiros para estarem com as malas arrumadas. Há abertura aleatória de bagagens na fronteira argentina.

Depois de vinte minutos de catamarã pelo Lago Frias, o grupo chega ao charmoso Puerto Blest, onde há um hotel com o mesmo nome, estratégico para o almoço. No menu, a costela preparada com receita tradicional patagônica é imperdível. Durante essa parada, há a oportunidade de fazer uma caminhada no Sendero de Los Cântaros, um caminho com três mirantes, dentro do Parque Nacional Nahuel Huapi para visitar a floresta fria. Situada bem na divisa com o Chile, é um lugar de muitas chuvas. Dificilmente a caminhada será sem se molhar, mas a natureza é exuberante.

O passeio é uma ótima forma de começar a despedida do Cruce Andino. Após mais uma hora de navegação pelo Lago Nahuel Huapi é hora de desembarcar em Bariloche e se reconectar com o mundo urbano.

Bariloche

Carinhosamente apelidada de Brasiloche em razão da quantidade de brasileiros que visitam essa estação de esqui da Patagônia Argentina, a cidade vem trabalhando para se tornar também destino fora das temporadas de inverno, oferecendo uma infinidade de possibilidades de prática de esportes de aventura além da neve. Há ainda programas para passear e relaxar.

E essa cidade às margens do Lago Nahuel Huapi é linda o tempo inteiro. Caminhar por ela e a todos os momentos ver a vista dos lagos, da Cordilheira e das montanhas já é um prazer incrível. A luz, a vista, o astral, tudo contribui para o bem receber. E é uma cidade para pessoas de todas as idades. Jovens andam em grandes grupos, famílias se divertem juntas, casais conseguem curtir um romance e quem está sozinho consegue fácil se enturmar.

O grupo do famtour chegou a Bariloche embaixo de neve. Um prazer para quem nunca tinha visto nevar e uma alegria para quem sonhava em esquiar. Em três dias na cidade foi possível fazer de tudo um pouco. O Circuito Chico – ou circuito pequeno – é um city tour para conhecer um pouco mais da cidade e subir ao Cerro Campanário de onde a vista da cidade é a mais incrível que se pode ter. A visita ao Cerro Catedral ficou só na base já que infelizmente o teleférico estava fechado por conta dos ventos fortes no cume da montanha, o que aliás já é um espetáculo à parte.

Já o Cerro Bayo, uma montanha alternativa ao Cerro Catedral, foi o local escolhido para uma aula de esqui em grupo, com tempo para treinar os aprendizados. O Cerro Bayo é a primeira estação de esqui da América Latina a conquistar certificação ambiental. Para acessar o cume são necessários dois teleféricos. No alto há estrutura de bares e uma lanchonete com comida, bebida e souvenirs. O ideal nas montanhas é preparar para passeios de um dia completo para aproveitar, além dos esportes como esqui e snowboard, a vista da montanha e dos atletas esquiando.

As baixas temperaturas e neve exigem roupas especiais para proteger-se do frio. Uma orientação essencial relacionada a isso é que não há necessidade de comprar roupas especiais para a neve. É possível alugar o traje completo – casaco, calça, luvas e botas impermeáveis. Há várias casas de aluguel em Bariloche, com opções para todos os tamanhos.

Na saída do Cerro Bayo, a Villa Angostura recebe os turistas que saem gelados da montanhas com refeições patagônicas quentinhas. O lugar é pequeno, charmoso e lindo. para um passeio à pé. “Gostaria de ter ficado mais. É charmoso e ótimo para umas comprinhas, boa gastronomia”, avaliou Melissa de Abreu, da Perfil Viagens e Turismo, de Santos (SP).

Em Bariloche o grupo ficou hospedado no Hotel Panamericano, um ícone da cidade. É uma referência do centro da cidade que tem ligação coberta com o Cassino de Bariloche. Uma das noites o grupo foi convidado para jantar também no Edelweiss, que fica a poucos metros do Panamericano. O Edelweiss foi adquirido pela NH recentemente e vai começar em breve uma reforma para adequação aos padrões da rede.

Informações importantes sobre a travessia dos lagos andinos

Para viajar ao Chile é importante levar dólares americanos e fazer o câmbio pelos pesos chilenos. Neste roteiro não é incomum que não aceitem cartões, já que nem sempre a internet está disponível. Já em Bariloche, reais e dólares norte-americanos são bem aceitos em quase todos os lugares. Entretanto, , mas fazer a conversão e ter moeda local é mais confortável para não errar na conversão. Atualmente, um real vale 176 pesos chilenos e 13 pesos argentinos.

Serviço:

Quem leva: Flot Operadora – www.flot.com.br

Cruce Andino – https://www.cruceandino.com/cruce/ES/home/inicio

Voo: LATAM – www.latam.com.br

Dicas de Hospedagem

Puerto Varas – Radisson Puerto Varas – https://www.radissonhotels.com/en-us/hotels/radisson-puerto-varas

Peulla – Hotel Natura http://hotelnatura.villapeulla.cl/

Bariloche – Hotel Panamericano – http://panamericanobariloche.com/es/

Atrações

Frutillar – Teatro Del Lago – https://www.teatrodellago.cl/

Museu Colonial Alemão de Frutillar – http://www.museosaustral.cl/index.php/museos/museo-colonial-aleman-de-frutillar

Puerto Varas – Vulcão Osorno – https://www.turistour.cl/

Cruce Andino – https://www.cruceandino.com/cruce/ES/home/inicio

Cerro Bayo – https://www.cerrobayo.com.ar

 

Leia também: Falta fazer o certo

 

 

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here