Maksoud Plaza: o fim após 4 décadas de classe e recepção de astros

Localizado no centro de São Paulo, o Maksoud Plaza, conhecido por receber hóspedes icônicos ao longo de pouco mais de quatro décadas, será entregue ao Grupo JSL no final de dezembro

Maksoud Plaza
(Foto: Divulgação/Maksoud Plaza)

O parágrafo final do Maksoud Plaza — como conhecemos — na hotelaria paulistana foi escrito. O empreendimento, que já acolheu hóspedes ilustres como Frank Sinatra e Ray Charles, além do conjunto britânico Rolling Stones e da primeira-ministra da Grã-Bretanha, Margareth Thatcher — a “Dama de Ferro” — finalizou as operações nesta segunda-feira (7).

A propriedade, comprada pelo Grupo JSL por R$ 132 milhões, será entregue até 27 de dezembro, sem mobília, aos empresários Fernando e Jussara Simões. As reservas feitas para os dias seguintes serão ressarcidas.

Sob administração da HM Hotéis e controle da empresa de engenharia Hidroservice, o Maksoud Plaza deixa 42 anos de histórias e classe emprestados ao setor hoteleiro nacional. Dono de um dos primeiro elevadores panorâmicos do país, a unidade foi pivô de uma década de disputas judiciais envolvendo a atual operação e os irmãos Simões.

Em 2011, os donos do Grupo JSL arremataram o empreendimento (prédio e terreno) por R$ 70 milhões em lance único, após o mesmo ir à leilão por conta de dívidas trabalhistas que totalizavam R$ 13 milhões. A decisão foi questionada pela detentora do Maksoud Plaza à época e, por conta disso, o controle do estabelecimento não ficou com os executivos por muito tempo.

O fim das operações do hotel, portanto, reflete o encerramento também da briga jurídica das partes relacionadas. Ambas entraram em acordo e, finalizado o processo, as atividades hoteleiras do Maksoud Plaza tomam o mesmo rumo.

Pandemia e o Maksoud Plaza

Foram necessário somente sete meses para que o icônico hotel com 416 acomodações chegasse a um déficit de R$ 20 milhões. O período, ocorrido entre março e setembro de 2020, reflete os impactos da primeira onda da covid-19 no Brasil. Como em parte da cadeia turística, os prejuízos foram inevitáveis e tornaram-se, de certa forma, sentenças aos players do mercado.

Se junta a essa equação o fato do Maksoud Plaza também registrar uma sequência de baixas na taxa de ocupação. Muito afetado pelo hiato sofrido no setor de eventos na capital paulista, as contas do hotel foram ainda mais prejudicadas, de acordo com a HM Hotéis.

“O fechamento do hotel se dá em momento oportuno, dada a necessidade de reestruturação financeira do grupo ao qual pertence, afetado por dívidas herdadas de empresas extintas, como a própria Hidroservice Engenharia. A HM Hotéis, proprietária do Maksoud Plaza, vinha arcando com os custos deste pesado endividamento herdado das outras empresas”, diz em nota a operadora hoteleira.

Ao todo, aproximadamente 170 funcionários serão desligados, mas todos cumprem contrato até o fim do mês.

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