Maringá Convention: 50% das empresas deixam de faturar até R$ 500 mil

De acordo com estudo realizado pelo Maringá e Região Convention & Visitors Bureau, a crise atual vem gerando cancelamentos e impactando fortemente o setor

O Maringá e Região Convention & Visitors Bureau realizou uma pesquisa do cenário atual do setor de eventos e hotelaria. De acordo com os dados, 50% das empresas que responderam a pergunta tiveram de 60% a 100% dos seus eventos cancelados. Além disso, quase 90% desses encontros seriam realizados entre os meses de abril e junho, o que representa meses de total engessamento do setor.

Quanto aos eventos adiados, a pesquisa apontou que quase 70% serão remarcados ainda este ano. O levantamento ainda mostra que mais de 40% dos eventos cancelados e adiados reuniriam uma estimativa acima de 5 mil participantes por eventos, enquanto 20% dos eventos teriam entre mil e 2 mil participantes. Desses, as empresas afirmaram que pelo menos 60% dos eventos teriam público de fora da cidade e, portanto, utilizaria redes hoteleiras.

Com o decreto publicado pela Prefeitura de Maringá, permitindo apenas o funcionamento de serviços essenciais, a expectativa de taxa de ocupação tanto de local quanto de hospedagem é de 20% até 20 de abril, a princípio, segundo estimam os espaços para eventos e redes hoteleiras.

Ainda de acordo com a pesquisa, a hotelaria informou que de 60% a 80% das diárias foram canceladas espontaneamente antes do decreto de fechamento dos meios de hospedagens. E 7% dos empreendimentos hoteleiros responderam que esse número chegou a 100%. Menos de 50% das diárias foram remarcadas.

Na economia

A pesquisa, que mostrou que a maior parte das empresas não registrou problemas jurídicos com a suspensão de eventos, apontou que pelo menos 8% deixou de faturar acima de R$ 1 milhão com o cancelamento e adiamento de eventos. Cerca de metade das empresas deixaram de faturar entre R$ 100 mil e R$ 500 mil, e pelo menos 29% deixaram de fatura de R$ 500 mil a R$ 900 mil.

“Com a indústria de eventos e os segmentos relacionados paralisados no mundo todo, o resultado da pesquisa mostra o cenário do setor em Maringá. Para tentar vencer essa fase, o Convention está realizando ações junto aos órgãos superiores para tentar amenizar o impacto. O momento pede ainda mais união de todo o trade”, declarou Maria Iraclézia de Araújo, presidente do Maringá e Região Convention & Visitors Bureau.

Medidas

As empresas vêm optando por adotar o regime home office, segundo 38,5%, enquanto 26,9% adotou férias coletivas e 3,8% não teve outra opção a não ser a demissão, sendo que algumas empresas trabalharão com essas três alternativas. Entre outras medidas, estão:

  • Banco de horas negativo
  • Planejamento estratégico de eventos com novos formatos
  • Buscar outros segmentos para atuar

Diante do atual cenário, 66% das empresas ainda pontuaram que não estão recebendo interesse ou contato de novos clientes.

“Entender melhor o cenário é uma estratégia para poder traçar ações eficientes de retomada posteriormente. O trabalho das entidades e instituições representativas é fundamental para o fortalecimento do setor nesse período de crise”, afirma Dirceu Gambini, presidente do Conselho Municipal de Turismo.

Cenário nacional

De acordo com uma estimativa da Associação Brasileira de Empresas de Eventos (Abeoc), o prejuízo no setor de eventos deve ser de R$ 80 bilhões em dois meses. O cálculo foi baseado na paralisação total do setor por no mínimo dois meses, incluindo feiras, congressos e demais eventos corporativos, considerando dados de 2019.

Metodologia

O levantamento envolveu filiados à entidade, sendo empresas organizadoras/promotoras de eventos (23,1%), empresas que prestam serviços para eventos (15,4%), além de hotéis (34,6%) e espaços para eventos externos (26,9%), levando em consideração que muitos hotéis também têm espaços para eventos.

O estudo, realizado em parceria com entidades e instituições ligadas ao setor da cidade, Sebrae, Retur e Diretoria Municipal de Turismo, foi realizado entre os dias 30 de março e 1º de abril.


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