Mato Grosso do Sul destaca preparação para atendimento ao viajante LGBT

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Karla Cavalcanti, gerente de mercado na Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur-MS). Foto: Ana Azevedo

O formato escolhido pela organização para realizar a quarta edição do Fórum de Turismo LGBT do Brasil em meio à pandemia priorizou a comunicação fácil e direta. Um painel diário com foco em temas pertinentes seguido por um workshop de destino reconhecidamente friendly é a fórmula para garantir o engajamento, seguindo o conceito de “menos é mais”.

Nesta manhã de estreia, logo após o debate sobre a inserção de profissionais LGBT no segmento Mice, o treinamento levou os participantes ao Mato Grosso do Sul, estado brasileiro que vem investindo nesse segmento de viajantes há cerca de dois anos. A capacitação foi liderada por Karla Cavalcanti, gerente de mercado da Fundação de Turismo do Mato Grosso do Sul (Fundtur-MS), que destacou a oferta focada em atividades de ecoturismo e turismo de aventura, com um cuidado todo especial voltado ao bem-receber.

Mato Grosso do Sul desponta como o novo hotspot do turismo LGBT brasileiro, com natureza exuberante, paisagens ímpares e povo hospitaleiro. Ela ressalta que o estado tem diversas inciativas para proteger a população LGBT residente em âmbito governamental, por meio de legislação específica, comissão estadual e secretaria de políticas públicas específicas. “Cabe à Fundtur-MS o papel de proporcionar experiências aos viajantes LGBT, promovendo o estado e garantindo atendimento condizente que é resultado do alinhamento do trade”, resume.

Prova disso foi o evento realizado em Bonito, em março deste ano, para debater temas relacionados ao universo LGBT. “Nomenclatura, tratamento necessário e situações de conflito foram detalhadas pelos palestrantes no evento que teve grande adesão do trade, inclusive com caravanas saídas de Campo Grande e do Pantanal”, pontua Karla.

A restrição na mobilidade levou o destino a adaptar a estratégia de promoção de forma a manter a ação contínua, mesmo com a pausa nas viagens. Uma das ações foi a criação de um logo que se transformou na marca LGBT da campanha “Isso é Mato Grosso do Sul” e que já vem sendo utilizada pelos empresários do estado. “Outras empresas fizeram versões próprias do logo e criaram projetos de posicionamento com foco no Turismo LGBT. Teremos surpresas interessantes em breve”, promete.

Karla também aproveitou a ocasião para reforçar os protocolos de biossegurança adotados pelos empreendimentos. “Foi criado o selo Bonito Seguro, uma parceria do Sebrae com associações locais, detalhado de acordo com o perfil da empresa. O processo foi acompanhado, orientado e verificado, o que garante a seriedade”, pontua.

Responsabilidade na bagagem

O estado conquistou o selo Safe Travels, concedido pelo WTTC, e também criou uma campanha para cobrar uma postura responsável do turista que decide explorar seus atrativos. Frases como “Vem, mas vem de máscara”, “Traga na mala a sua responsabilidade” e outras compõem a campanha com mais de 30 peças distribuídas para o trade. “Todo mundo precisa fazer sua parte ou de nada adiantam os protocolos criados pelos estabelecimentos”, lembra.

Os atrativos de natureza sul-mato-grossenses têm de tudo para se destacar no cenário pós-pandemia e atendem a qualquer perfil de viajante. Karla reforça que o estado está preparado para receber todos os perfis – dos jovens aos mais experientes, passando por famílias de todas as composições – e destaca as três regiões que concentram os destinos mais procurados.

A começar pelo Pantanal, bioma que pode ser explorado com a hospedagem nas fazendas pantaneiras concentradas nas cidades de Aquidauana, Miranda, por toda a extensão da Estrada Parque e em Corumbá, já na divisa com a Bolívia. “O viajante precisa eleger a pousada que será sua base para dormir, comer e também para os passeios. É na propriedade que ele vai resolver tudo, então vale conferir os diferentes perfis para entender com qual ele mais se identifica”, sugere.

Operando com capacidade reduzida, as fazendas promovem passeios de ecoturismo, cavalgadas, safaris, pesca esportiva, avistamento de aves e animais, passeios de barco, nas típicas chalanas e até cruzeiros com pernoite. As atividades dependem da época, já que o Pantanal é uma planície alagável, regida pelo ciclo das águas. “Ela começa a encher em novembro e permanece cheia até meio do ano. Uma época bonita visualmente e quando os passeios ganham contornos de aventura”, sugere Karla.

A vazante começa no meio do ano e oferece um cenário misto que propicia o avistamento de aves. Já o período de seca, que se estende até outubro, é a melhor época para ver animais na natureza. “Uma dica é entrar em contato com a fazenda para atualização sobre as condições”, explica.

Serra da Bodoquena

A gerente de marcado da Fundtur-MS lembra que Bonito foi o município que mais se projetou em nível nacional, mas que a Serra da Bodoquena reúne outros destinos com atrativos imperdíveis e infraestrutura completa para receber o viajante – como Bodoquena e Jardim.

Além de belas paisagens, atividades que contemplam todas as faixas etárias e hotelaria diversificada – com opções que vão do hostel ao resort – um diferencial importante nessa região é a gestão responsável por meio dos empreendimentos. Estudos e leis ambientais delinearam a capacidade de carga de cada atrativo e determinam o limite de número de pessoas por grupo e por dia, para fins de preservação.

Os viajantes devem reservar tudo com antecedência e, dentro dos empreendimentos, têm acesso a guia de Turismo. O melhor dos mundos é criar pacotes customizados para permitir que os turistas possam desfrutar dos dois cenários. “Combinar Pantanal e Bonito na mesma rota é conjugar a oportunidade de avistar a vida selvagem com atividades em águas cristalinas”, sugere.

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