Meta do Ceará: Ser o maior do Nordeste em aviação comercial

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Por Felipe Abílio e Leonardo Neves

Fortaleza, no Ceará, irá receber 48 frequências internacionais por semana para 14 destinos até o final deste ano. Com o aumento no hub, a cidade passa a receber e mandar turistas diretamente para Amsterdã (Holanda), Paris (França), Lisboa (Portugal), Bogotá (Colômbia), Milão (Itália), Cidade do Panamá (Panamá), Frankfurt (Alemanha), Praia (Cabo Verde), Caiena (Guiana Francesa), Buenos Aires, Rosário e Córdoba (Argentina), além de Miami e Orlando (EUA).

Com as novas frequências ligando a capital nordestina a diversos países e, consequentemente, trazendo mais viajantes estrangeiros para a região, a pergunta que fica é: Será que o estado está preparado para receber esses novos viajantes?

Atualmente, o Ceará recebe 300 mil turistas internacionais por ano e a estimativa é que a expansão na oferta aérea deva trazer outras 70 mil pessoas de outros países para o estado.

Palestrante do seminário “Novos Turistas, Novos Desafios”, realizado na capital cearense no fim de junho, Arialdo Pinho, secretário de turismo do Estado, falou sobre as expectativas para a chegada de novos turistas estrangeiros.

“Teremos 48 frequências de destinos nacionais e 14 de destinos internacionais. São mais de 80 voos nacionais considerando somente GOL e Latam que, no próximo ano, irão operar 100 voos diários. Mudamos o perfil de conexões e chegada de turistas e demos início a um trabalho para tentar mudar a nossa visão e qualificar o novo horizonte do turismo do Ceará”, disse.

Estrutura de 2014

Eliseu Barros, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-Ceará) explicou que a estrutura para receber os novos turistas já está pronta desde a Copa do Mundo de 2014, quando o Brasil foi sede oficial do campeonato.

A taxa média de ocupação dos hotéis, entretanto, tem fechado abaixo da capacidade que atualmente é de 28 mil habitações.

“O que precisamos são ações para aumentar o fluxo de turistas internacionais que são insignificantes, não apenas para o Nordeste, mas para o Brasil como um todo. A ocupação média em Fortaleza está em torno de 70%, isso significa que temos cerca de 30% dos apartamentos vazios nos últimos cinco anos. Existe uma oferta reprimida, estamos necessitando desta demanda para melhorar nossos índices”, disse Barros.

Ele se mostrou otimista com a chegada dos novos voos e acredita que Fortaleza deve sair na frente como o maior hub do Nordeste.

“Não se faz turismo sem hotéis ou sem companhias aéreas. Esse esforço do governo ao trazer o hub da Air France-KLM para cá e a concessão do aeroporto pela Fraport, que é uma empresa alemã, trouxeram mais credibilidade e a perspectiva de um novo equipamento, mais moderno e mais eficiente. Estamos felizes e bastante otimistas por dias melhores. Tudo ainda é muito recente, mas projetamos que iremos conseguir perceber os ganhos a partir do segundo semestre”, complementou.

Capacitação em alta

Segundo Evelyne Tabosa, gestora estadual de turismo do Sebrae Ceará, já é possível sentir a movimentação do setor em relação as mudanças. Ela observou que o trabalho intenso realizado durante a época do mundial de futebol refletiu e ajudou a estruturação do momento atual que o estado vive.

“Desenvolvemos alguns projetos em 2014 e foi muito importante porque demos o start para trabalhar o turismo de uma forma mais intensa. Com o aumento na chegada dos viajantes, existe a necessidade de qualificação. E a gente já percebe o aumento na procura de cursos de graduação na área de turismo nas universidades e também em cursos de idiomas e formação como guia de turismo”, afirmou.

Evelyne explicou que o Sebrae desenvolveu um “Selo de Qualidade de Serviço” para controlar a demanda e a qualificação das empresas locais em relação ao novo fluxo de turistas.

“Antes de estarmos preparados para o turismo, temos de atender quem mora na cidade. Se o habitante se sente bem nesses locais, estamos indo pelo caminho certo. A gente trabalha esse aspecto com o programa, levando qualificação de produtos e serviços ofertados por empresas de hospedagem, alimentação e evento”.

Outro ponto destacado pela gestora foi o aumento da representatividade do segmento MICE, que vem crescendo ano a ano por conta da estrutura oferecida pelo Centro de Eventos do Ceará – inaugurado em 2012 e reconhecido como um dos mais modernos da América Latina.

“É aquele turista que vem com diária da empresa, passa o dia no evento, mas à noite vai para o shopping fazer compras, escolhe um restaurante para comer… Já o turista que vem a lazer, com maior fluxo no período de férias escolares, também aumentou, mas com as facilidades dos novos voos, vamos intensificar o trabalho neste setor também”.

Crescimento em Mice

O Fortaleza Convention & Visitors Bureau já vem se preparando para essa nova etapa do turismo na região do Nordeste. Ivana Bezerra Rangel, presidente da entidade, observou que a chegada dos novos voos abre a porta para eventos de países que jamais consideraram o Ceará como anfitrião pela dificuldade e o alto custo de acesso.

“Ainda não tivemos tempo suficiente para colher os frutos do hub porque nossas ações são de longo prazo. Grandes eventos são marcados com pelo menos um ano de antecedência, mas estamos trabalhando nisso. O que mais causava impacto negativo era a nossa malha aérea, pois havia muitas situações nas quais a diferença de custo de voos era absurda e desproporcional. Agora o preço tende a diminuir por causa da oferta, o tempo de ligação entre alguns destinos encurtou bastante e temos muito mais facilidades com a quantidade de voos e companhias voando para cá”, disse Ivana.

No mercado de lazer, a presidente diz que é notório o aumento de turistas na cidade e necessária a qualificação para garantir o bom atendimento.

“Antigamente existia concentração de turistas franceses, portugueses e italianos. Agora já vemos alemães e norte-americanos chegando também. Mais do que nunca temos de aprimorar o atendimento. Trazer o hub para cá era um sonho antigo, agora cabe à gente encantar os turistas”, defendeu.

Ampliações e reformas

O secretário Regis Madeiros apontou diferentes de reformas estruturais que deverão fomentar o turismo em Fortaleza (Foto: Divulgação)

Os trabalhos seguem também na melhoria da infraestrutura turística da capital cearense. De acordo com Régis Medeiros, secretário de turismo de Fortaleza, diferentes obras de ampliações e reformas dos pontos turísticos da cidade devem ser iniciadas ainda este ano.

Os destaques são a ampliação da faixa de areia com reforma completa da Avenida Beira-Mar e do polo gastronômico de Varjota, localizado em um dos bairros de Fortaleza. Na primeira, a estimativa é começar as obras neste ano para conclusão em junho de 2020; a segunda deverá estar pronta até outubro de 2019.

“Apesar de já termos infraestrutura, estamos nos preparando cada vez mais para melhorar o destino. Essas intervenções no equipamento turístico de Fortaleza preparam nossa cidade para as oportunidades que estão surgindo com a chegada de todos esses voos. A prefeitura vem investindo muito para preparar a cidade, tanto para o cidadão quanto para o turista”, pontuou o secretário.

Aeroporto de Fortaleza em dados

O Aeroporto Internacional de Fortaleza recebeu 65,5 mil passageiros internacionais nos primeiros seis meses deste ano, entre brasileiros e estrangeiros.

Os viajantes eram provenientes dos oito destinos operados em 26 frequências a partir da capital cearense, até então (Buenos Aires, Bogotá, Caiena, Miami, Praia, Lisboa, Frankfurt e Milão). Na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram contabilizados 51,1 mil passageiros, Fortaleza recebeu 22,09% a mais de viajantes provenientes de voos internacionais na capital nos primeiros seis meses de 2018.

Além dos já anunciados voos da Air France-KLM em conjunto com a Gol, que inaugurou seu centro de conexões na capital cearense em maio, as novas frequências internacionais do Ceará para 2018 incluem um novo voo da Copa Airlines para a Cidade do Panamá que entrou em operação no último dia 19 de julho.

A ligação entre Fortaleza e o país da América Central, operada duas vezes por semana, resulta na conexão da capital com 79 destinos em 32 países das Américas, permitindo assim uma ponte mais facilitada para cidades dos EUA e os principais aeroportos do Caribe.

“É uma operação que temos muita expectativa. Tivemos 80% de ocupação, o que é ótimo para um primeiro voo. É uma oportunidade muito grande que se abre no Nordeste e também para que o cearense possa viajar por todo o continente sem ter que ir até São Paulo ou Rio”, apontou Emerson Sanglard, gerente-geral da aérea no Brasil.

Pernambuco lidera

Adailton Feitosa, da Empetur, exaltou os feitos de Pernambuco para a aviação (Foto: Divulgação)

O aumento no fluxo de viajantes internacionais também é realidade em Recife. Atualmente, o estado do Pernambuco conta com 15 rotas para o exterior, sendo considerado líder nesse tipo de operação na região Nordeste.

Segundo dados da Polícia Federal, desembarcaram no Aeroporto Internacional do Recife, nos seis primeiros meses de 2018, 44 mil turistas estrangeiros e a tendência é de crescimento no decorrer deste ano.

Afim de melhor receber os estrangeiros, a Empresa Pernambucana de Turismo (Empetur) conduziu capacitações para profissionais que trabalham diretamente com o turismo no Estado e para pessoas que desejam se inserir na área.

Os treinamentos incluíram curso de espanhol para guias de turismo; cursos profissionalizantes na área de eventos; capacitações sobre turismo rural e de aventura, para os atendentes bilíngues dos Centros de Atendimento ao Turista (Cats) e para taxistas, além de oficinas de atendimento ao turista.

“O turista internacional é muito importante, pois é um visitante que costuma ter um gasto médio individual diário maior e que costuma a passar mais dias em Pernambuco. Em média, os estrangeiros passam sete dias no Estado. Isso significa um incremento importante na economia”, apontou Adailton Feitosa, diretor-presidente da Empetur.

Tendo como referência os números positivos de visitantes gringos, a Empetur vem promovendo ações no mercado internacional, tanto para os profissionais do segmento como para o público final, para divulgar as potencialidades locais e ampliar a conectividade aérea de Pernambuco.

“Em 2017, Pernambuco recebeu 5.687.233 visitantes. Em 2018, apenas nos seis primeiros meses, foram 3.189.347 visitantes. A expectativa é repetir ou mesmo superar a marca alcançada no ano passado”, finalizou o executivo.

No ramo hoteleiro no estado, houve crescimento no número de meios de hospedagem, e na capacidade de receber turistas e visitantes. No comparativo entre 2014 e 2017, Pernambuco saltou de 77.644 para 82.968 leitos (6,85%).

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