México tem cenário hoteleiro negativo, após fim de Conselho de Turismo

De acordo com relatório da STR, Revpar, diária média e ocupação do México demonstraram queda no acumulado do entre janeiro e novembro
(Foto: Divulgação)

A saúde hoteleira do México parece não viver o melhor dos seus períodos. Além disso, suas perspectivas se mostram sóbrias. No acumulado de janeiro a novembro de 2019, a STR relatou que a receita por quarto disponível (Revpar) no país caiu 6,6% para US$ 69,11. Ao mesmo tempo, a diária média e a ocupação também caíram 3,8% (US$ 112,17) e 2,9% (61,6%), respectivamente.

A oferta, ainda, vem superando a demanda, com a primeira subindo quase 3,2% no acumulado até novembro, enquanto a segunda se mostra estável, com acréscimo tímido de 0,1%. No entanto, esse desequilíbrio não se mostra o único desafio do México. A segurança é outro fator que é levado em consideração pelos visitantes. Além disso, no começo do ano de 2019, o governo decidiu fechar o Conselho de Turismo no México, passando a função de divulgação e promoção turística aos consulados e embaixadas.

De acordo com Jennifer Dohrmann-Alpert, vice-presidente de Serviços de Consultoria da empresa de design HKS, essa última medida causou um enorme impacto negativo na indústria, principalmente em regiões dominadas pela conceito all inclusive.

“A geração millennial, em particular, pode não ser tão interessada em resorts all inclusive e esse segmento pode estar começando a apresentar tendência de queda, à medida que o mercado de viagens evolui e a busca por experiências ganha destaque”, declara a executiva.

Essa análise é reforçada pelos dados do STR, que indicam que a península de Yucatán registrou queda de 12,9% no Revpar (totalizando US$ 111,94), decréscimo de 10,6% na diária média (chegando a US$ 163,28) e declinação de 2,5% na ocupação.

Impactos ambientais

Para a infelicidade dos hoteleiros, houve um surto de algas sargassum no verão mexicano passado, comprometendo costas de Riviera Maya e Cancun. Francisco Zinser, vice-presidente executivo do Grupo Hotelero Santa Fe, culpou as plantas pelos desfalques registrado no terceiro trimestre, período em que já se considerava o ano sendo desafiador para o turismo mexicano geral.

A rede, que conta com 25 propriedades em seu portfólio, contou com uma queda de 10,9% no Revpar no acumulado entre janeiro e setembro. A diária média seguiu a tendência e caiu 7,8% no mesmo período, enquanto a ocupação diminuiu 2,2 pontos percentuais, chegando a 60,9%.

Receios na hotelaria do México

A executiva da HKS declara que esse cenário pode fazer os empresários hesitarem na hora de apostar no mercado. Como exemplo, ela citou a Apple Leisure Group, que colocou US$ 600 milhões de investimento em espera. De acordo com Alex Zozaya, presidente executivo do grupo, seria adiada a construção de quatro a cinco propriedades da AMResorts, culpando:

  • Fechamento do conselho de Turismo
  • Queda no número de visitantes
  • Crescente pressão sobre lucratividade
  • Superação da oferta sob a demanda

Jennifer também destacou que, no Caribe mexicano, os resorts podem estar enfrentando uma disputa com o aumento dos navios de cruzeiros.

“Houve um impulso significativo para o turismo de cruzeiros nos últimos cinco anos. Com mais de 5 milhões de visitantes chegando ao Caribe mexicano este ano via navio de cruzeiro, isso pode ter um impacto negativo a longo prazo no Revpar, já que os hotéis precisam reduzir os preços para atrair visitantes de volta”, acrescentou.

Fôlego do mercado

O executivo Tom Brussow, presidente da organização sem fins lucrativos Yes To Mexico e proprietário da agência de viagens Sunsational Beach Vacation, declara que observa, ainda, uma demanda sólida de clientes, apesar das tendências de queda. “Em 2019, houve muitos desafios. Mas no geral, acho que a indústria se uniu muito bem”, disse Brussow.

Ainda de acordo com ele, essa união de resorts, operadoras, conselhos e agentes viagens estão educando os consumidores e gerando uma queda na preocupação dos clientes em viajar para o México, frente ao que era observado no ano passado. Além disso, Brussow declara que viu o segmento de casamento aumentar significativamente, o que ele avalia como bom barômetro para a força do Turismo.

“Os casamentos sempre envolvem muitas pessoas com percepções e preocupações muito diferentes no que se refere às viagens. Um casal precisa tomar decisões com base em garantir que todos os membros de seu grupo se sintam confortáveis ​​com a decisão que tomam. Então, quando vemos os casamentos voltando ao México, esse é definitivamente um bom sinal”, finaliza.

Conteúdo original: Travel Weekly

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