“O que vivi no Turismo”… Milton Sanches

Milton Sanches

O desenvolvimento da indústria de cruzeiros no Brasil tem muitas de suas vitórias relacionadas à trajetória de Milton Sanches. O executivo, que iniciou sua carreira na antiga Mappin Turismo, em 1980, teve participação decisiva para a chegada dos primeiros navios aos mares brasileiros, no início da década de 1990.

Aos 74 anos, Sanches relembra seu passado e destaca sua participação em episódios que ajudaram a diversificar a atividade turística no País. O início da operação de pacotes mostrou a ele a importância dos relacionamentos. “Dinheiro não compra nada no Turismo. Essa foi a primeira lição que eu aprendi” pontua. Criar laços não foi difícil para ele, que confessa a preferência por trabalhar em parceria.

Uma das provas desse comprometimento está na elaboração dos estatutos de associações que ele ajudou a criar, usando de sua formação como advogado. A perseverança, estratégia e o espírito de equipe fazem de Milton Sanches personagem da semana de “O que Vivi no Turismo”, série desenvolvida pelo Brasilturis Jornal para homenagear quem fez e faz a história da atividade no País.

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“Dinheiro não compra nada”

“Na Mappin turismo, eu tinha função de gestão e direção administrativa, mas resolvi atuar na direção executiva”, explica. Uma das primeiras ideias de Sanches no comando foi aproveitar os lugares que eram cedidos pelos fornecedores no réveillon – uma bonificação pelas vendas realizadas durante o ano – para começar a criar e operar pacotes turísticos.

“A empresa sempre achou que seria fácil e eu também achava, já que tínhamos recursos financeiros e proximidade com a mídia. Essa foi a minha primeira descoberta no Turismo: dinheiro não compra nada. Ajuda, é claro, mas o que vale é o relacionamento”, observa. Na busca por estreitar relacionamento, Sanches percebeu que as companhias aéreas tinham acordos de alotment com outros operadores. “Não sobrava lugar nenhum para nós”, lembra.

A estratégia foi começar a fretar voos para levar passageiros a lançamentos de hotéis pelo Brasil. De 100 funcionários, a Mappin Turismo rapidamente saltou para 400 colaboradores. “Ao dominar o produto nacional, éramos a maior operadora do País para clientes classe A”, pontua.

“Eu tenho um sonho…”

O passo seguinte foi traçar planos para levar turistas a destinos mais distantes. Uma das primeiras apostas foi o Caribe – um pacote que passava por Aruba, Curaçao e Cuba – e os pacotes com voos fretados surtiram grande efeito. “Havia pouca disponibilidade de voos regulares e, com os charters, conseguimos multiplicar o número de brasileiros nesses locais”.

Do Caribe, a empresa expandiu para a Flórida (EUA) e passou a investir em cruzeiros marítimos, aproveitando-se do fato de ser representante da Premiere Cruises, a primeira empresa de cruzeiros para Orlando. Mas ainda faltavam os mares do Brasil. “Vendíamos muitos cruzeiros marítimos e eu tinha um sonho de levar navios para a costa brasileira”, lembra. Em 1988, ele começou a estudar e desenvolver projetos em conjunto com operadoras.

O grupo, entretanto, logo esbarrou em um grande entrave: a Constituição Brasileira, que proibia os cruzeiros de cabotagem por navios estrangeiros. Depois de um ano enfrentando a burocracia e sem resultados concretos, a aprovação veio pelas mãos de Fernando Collor de Melo, então presidente do Brasil. Ele expediu autorização especial, contanto que os navios passassem pelo porto de Maceió (AL).

No Natal de 1990, o navio Funchal começou a navegar entre Recife, Fernando de Noronha (PE) e a capital alagoana. A operação permaneceu até 2002, estreou portos como Parintins (AM) e Morro de São Paulo (BA) – alguns operando exclusivamente na baixa temporada – e se internacionalizou, com estrutura de vendas no Brasil e na Argentina para comercialização de roteiros em diversas partes do globo.

Em 2003, Milton Sanches foi convidado por Guilherme Paulus para criar o departamento marítimo na CVC. “Começamos com dois navios e chegamos a ter sete navios em uma única temporada brasileira. Fizemos cruzeiros desde a Amazônia até a Patagônia”, relembra.

Quatro décadas de história

Neste ano, o Brasilturis Jornal, publicação pertencente à Editora Via desde 2016, comemora seu 40º aniversário. Para celebrar a data, homenageia 40 profissionais, com mais de 40 anos de atividades em Turismo, divulgando suas histórias, experiências, dificuldades e conquistas. A cada semana estreia um novo episódio, todos estão disponíveis na Web TV do portal Brasilturis.

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1 COMENTÁRIO

  1. Parabéns pela maravilhosa iniciativa! A série “O que vivi no Turismo” foi realmente uma grande sacada! Estou adorando reviver a história do Turismo no Brasil, contada por alguns dos mais importantes protagonistas dessa maravilhosa história! É muito bom rever pessoas com quem convivi, com quem trabalhei! Todos pioneiros, que ajudaram a formatar e consolidar essa nossa maravilhosa indústria!

    Parabéns!
    Roberto de A. Dultra
    GB Internacional Turismo

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