Mitologia no turismo

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Nesta última edição do Festuris, pude participar de um painel que tratava sobre a comunicação no universo das viagens ao lado de outros dois profissionais – uma jornalista e um influenciador digital. Apresentei uma ferramenta que utilizo em todas as consultorias que presto: a utilização da mitologia e dos arquétipos na construção de produtos turísticos.

Engana-se quem imagina que mitos são histórias que justificam costumes ou a explicação dos antigos para a criação do mundo e do homem. Mitos existem até hoje nas narrativas de marcas, no cinema e nas campanhas políticas. Dois grandes nomes estudaram o assunto no século passado: o psiquiatra Carl Gustav Jung, contemporâneo de Freud, que mergulhou a fundo no estudo de arquétipos; e o escritor Joseph Campbell, que tem em seu currículo o papel de consultor de George Lucas na criação do fenômeno Star Wars.

Mitos são o que os seres humanos têm em comum, histórias de nossa busca da verdade, de sentido e de significação através dos tempos. São metáforas da potencialidade do ser humano, nada mais são do que uma forma de expressão dos arquétipos, falando daquilo que é comum aos homens de todas as épocas, porque falam dos valores eternos da condição humana. Tratam de situações a que todo ser humano se depara ao longo de sua vida. Explicam, auxiliam e promovem as transformações psíquicas que se passam – tanto no nível individual, como no coletivo – em uma determinada cultura.

Há muitos trabalhos no universo da comunicação que mostram como marcas e campanhas publicitárias se apoiam na mitologia para criar relações com seus consumidores.  Na obra “O Heroi e o Fora da Lei”, as autoras Margaret Mark e Carol S. Pearson mergulham no trabalho de Jung e propõem 12 grandes grupos de consumidores. Em nossa equipe, buscamos trabalhar 11 perfis de turistas. São eles:

  1. Os fora da lei: Buscam lugares inusitados e não querem se submeter a regras, portanto, nem pensar em colocá-los em um circuito regular. Gostam de atividades de risco;
  2. Os bobos da corte: São brincalhões, ingênuos e alegres. Preferem informalidade a processos complicados. Fogem do tédio e querem viver intensamente. Adoram parques temáticos e festas em Ibiza;
  3. Os amantes: Viajam em busca de aventuras amorosas. Seja em um cruzeiro de terceira idade ou em lua de mel;
  4. Os governantes: Poder, controle e prestígio são palavras-chave. Querem luxo, adoram ser servidos e reconhecidos como elite;
  5. Os prestativos: altruístas e cuidadores, eles formam uma grande tendência na indústria – o volunturismo. Escolhem férias na África ajudando comunidades carentes ou junto a campos de refugiados;
  6. Os magos: Buscam experiências místicas e míticas. Pode ser Santiago de Compostella, Nepal, Machu Picchu ou São Tomé das Letras;
  7. Os caçadores: Precisa encontrar novidades e adoram compras. Conhecem todos os lançamentos em tecnologia, perfumaria ou moda. Mochileiros também estão nessa categoria;
  8. Os heróis: Querem velocidade, desafios e conquistas. Escalar o Everest, participar da Maratona de Nova Iorque ou do Tour de France são sonhos a serem conquistados;
  9. Os sábios: A viagem precisa ser cultural. Mergulham em museus, cursos, shows para voltarem mais sabidos de suas viagens;
  10. O cara comum: Esse quer ser liderado, não quer pensar, não quer ter problema, não quer desafio.  Maria vai com as outras, escolhe o resort all inclusive que todo mundo vai.

 

Obviamente os perfis são mais complexos e, muitas vezes, estão interrelacionados. Cada um tem linguagem própria e valores muito precisos. Esses perfis, mais do que tudo servem de boa pista para saber para quem o destino, a agência e o hotel devem vender. Você já identificou o seu cliente?

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