Mosaico de boas iniciativas: Lenise Loureiro apresenta planos para o Turismo

Lenise Loureiro, nova secretária de Turismo do Espírito Santo chega à pasta com planos de continuidade na gestão e ações de melhoria

Lenise Loureiro, secretária de Turismo do Espírito Santo
Lenise Loureiro, secretária de Turismo do Espírito Santo

Comunicativa, articulada e capacitada por meio da experiência. Esses são alguns dos atributos de Lenise Loureiro, secretária que assumiu o Turismo do Espírito Santo, no início de março. Foi um convite de Renato Casagrande, governador do estado, que a levou ao posto que até então era ocupado por Dorval Uliana.

Com a proposta de uma gestão de continuidade, Lenise chega capacitada por quase duas décadas de dedicação à gestão pública, em diferentes esferas que dialogam diretamente com o Turismo e em outras de contato transversal com a atividade turística. Para ela, esse relacionamento dá uma base importante para superar os desafios da pandemia e para além dela.

Gestora pública desde 2002, ela é formada em Direito pela Universidade Federal do Espírito Santo e tem muitos planos à mesa para o desenvolvimento do Turismo capixaba. Ações de capacitação, criação de estratégias para potencializar a atividade no estado – incluindo a diminuição da sazonalidade – e empoderamento das instâncias de governança são algumas das linhas que compõem o plano de ação robusto, sempre em comunicação direta com os setores relacionados para criar iniciativas integradas e benéficas sob vários aspectos.

Outra frente que deve ganhar força é a valorização do patrimônio histórico e cultural, um conjunto de iniciativas que tem destaque na agenda da secretária e que tem tudo a ver com os anseios do consumidor em um futuro próximo, de acordo com as mais recentes pesquisas de comportamento do viajante. Um dos projetos é a criação da Cidade Administrativa do Governo do Estado no centro de Vitória, mas a ideia é expandir as iniciativas para todo o território capixaba. “Quero levar essa reflexão aos municípios para criar um círculo virtuoso que favorece também o Turismo”, ressalta.

Você tem uma atuação bem ampla no setor público e agora assume a Setur. De que formas a sua experiência anterior pode te ajudar nesse novo desafio?

Chego com uma caminhada bem variada; já estive na área ambiental, que me aproximou muito do diálogo com as comunidades. Passei por áreas meio e áreas fim e acredito que isso amadurece o gestor, já que as relações construídas nessa caminhada podem nos fortalecer para a travessia do momento difícil que passamos.

Na gestão de Recursos Humanos, eu dialoguei muito com os setores produtivos na construção dos protocolos sanitários, na escuta de cada demanda dos diversos setores, especialmente o de Eventos, além de bares e restaurantes que foram muito prejudicados pela pandemia. Em minha trajetória, esse diálogo sempre se deu de forma frequente com os diferentes atores da economia capixaba. Esse foi, inclusive, um aspecto que possibilitou minha vinda para o Turismo, para dar continuidade à gestão de Dorval Uliana.

Como você enxerga o Turismo?

Enxergo o Turismo como uma indústria com grande capacidade de gerar renda e fazer a economia girar em termos de receita, nos mais diversos municípios capixabas. Teremos uma grande oportunidade no pós-pandemia pelas potencialidades do estado que é muito bonito, com bastante diversidade de paisagens.

Quais foram as principais iniciativas voltadas ao trade durante o período mais crítico?

Além da construção de protocolos e da gestão dos mapas de risco nos municípios e em todo o estado para proteger o sistema de saúde, o governo criou iniciativas robustas de apoio financeiro aos empreendimentos das áreas de Eventos, bares, restaurantes e serviços relacionados ao Turismo.

As linhas de crédito foram disponibilizadas, desde o ano passado, e no final de março o governador aprovou um pacotão de R$ 1,8 bilhão de auxílio financeiro, sem que o empresário precise de ficha limpa no Serasa, no caso de eventuais dívidas contraídas durante a pandemia. Tentamos flexibilizar ao máximo dando condições de acesso a esse crédito para que eles tenham esse respiro. Não conseguimos dar aporte a fundo perdido, mas o financiamento tem juros facilitados e ausência de taxas, em alguns casos.

Além do auxílio nas questões relacionadas aos impactos da pandemia e do projeto de criação da Cidade Administrativa, quais serão as principais frentes que você irá trabalhar?

O projeto de revitalização da área central é muito valioso do ponto de vista estratégico. É importante para Turismo e para a geração de renda para os que estão lá há muitos anos. É um projeto prioritário que toca muito meu coração. Vamos trabalhar o empoderamento das estâncias de governança, fortalecendo os atores na integração e na construção de planos de ação para que as soluções conjuntas e estratégias regionalizadas tornem o trabalho mais fácil. Começamos com região metropolitana, para que essa constituição aconteça, bem como em outras regiões do estado que estão menos maduras em relação a esse processo de revitalização.

Sabemos que essa caminhada é gradual. Também estamos trabalhando para que a sazonalidade seja minimizada, um viés importante. Além de estimular o capixaba a conhecer melhor seu estado, uma das propostas é que o setor hoteleiro pense em trabalhar opções de home office nos empreendimentos para aumentar a ocupação durante a semana. As pessoas estão carentes de sair de casa, diminuir a opressão da pandemia.

Em termos de qualificação, estamos estudando a possibilidade de oferecer cursos, em parceria com o Sebrae, voltados aos guias de Turismo para divulgação das potencialidades do estado. O inglês instrumental já é realidade entre os policiais e vamos seguir com projetos que despertem nos empreendedores o interesse por aumentar a qualidade dos serviços para tornar nossos destinos referência. Por fim, dentro desse mosaico de iniciativas, estamos trabalhando para aumentar a participação do estado no Mapa do Turismo Brasileiro, do Ministério do Turismo.

Hoje, dos 78 municípios capixabas, há 54 no mapa e queremos dar mais condição às prefeituras para que tenham as estruturas necessárias para serem reconhecidas pelo Mtur. No nível estadual, a discussão da Lei Estadual do Turismo é prioritária.

Espírito Santo tem uma vocação inegável para roteiros relacionados ao turismo em comunidades rurais, uma vertente que deve ganhar força no pós-pandemia pela autenticidade e contato com a natureza. Como estão os trabalhos do projeto Caminhos do Agroturismo?

Estamos trabalhando os Caminhos do Agroturismo em conjunto com o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) capixaba para fortalecer regiões que já mostram vocação para essa atividade no estado. Facilitando o acesso, a gente ajuda esse setor a se estruturar e receber melhor os visitantes. Há seis projetos prioritários, que serão contratados ainda neste ano, e outros que estão em diálogo com o DER.

Já temos recursos destinados para a contratação de projetos em Alfredo Chaves, para a melhoria na reconhecida rampa de voo livre; em Santa Teresa, para o Circuito de Caravaggio; em Castelo, na estrada para o Parque do Forno Grande; em Nova Venécia, para melhorar o trecho de acesso à Pedra do Elefante; no trecho de acesso à Área de Proteção Ambiental do Goiapaba-Açu, no município de Fundão; e para o trecho de acesso à rampa do monjolo, em Baixo Guandu.

Pesquisas apontam para um comportamento mais responsável do turista no pós-pandemia. Além dos roteiros focados em comunidades agrícolas, como o estado vem se preparando para esse momento?

Queremos fortalecer o turismo religioso por ser uma vocação clara do estado e estamos em diálogo com o Sebrae e com a Secretaria de Cultura para projetos nos Caminhos da Sabedoria [rota que tem como ícone o mosteiro zen budista Morro da Vargem]. A ideia é unir forças para desenvolver essa região turística. Outra iniciativa está relacionada à revitalização dos centros históricos, que eu citei no início. Desde que atuei na Secretaria de Desenvolvimento Urbano, eu me apeguei a essa questão do restauro dos casarios e prédios históricos. Quero trazer essa reflexão para as cidades para resgatar o amor à região central que, em regra, foi abandonada em diversos municípios. Inserir essa estratégia no planejamento cria um ciclo virtuoso que favorece o Turismo e resgata a autoestima do capixaba com a valorização da história das cidades.

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