Não basta ser seguro. É preciso ser melhor.

seta, alvo

Nas últimas semanas, após aproximadamente dois meses de muitas incertezas, desconhecimento e insegurança, entramos numa fase na qual alguns destinos e equipamentos turísticos estão tentando reabrir, enfrentando a pandemia e seguindo os tais “protocolos de segurança”, expressão dita e repetida em todos os blogs e lives que tratam do Turismo.

Se, no início do distanciamento social, o problema era a falta de informação sobre como seria a volta, agora o excesso de orientações e de (falsas) verdades absolutas parecem ser mais dois obstáculos a serem vencidos. Mesmo considerando as melhores intenções de organizações que vêm buscando sistematizar protocolos e propor processos de certificação, a profusão de boas práticas e selos/ certificados confunde o mercado, criando um ambiente nebuloso para empreendedores, gestores públicos e consumidores.

Setor de hospedagem, estabelecimentos de alimentação fora do lar, meios de transporte, e todo o trade precisam, sim, deixar claro que estão adotando práticas que maximizem a segurança, mas o novo momento pede bem mais do que isso. É preciso entender que o consumidor tem outro olhar, talvez outras prioridades, outro timming de trabalho, e que a dinâmica da oferta turística precisa ser atualizada.

De nada adianta os garçons usarem máscaras e luvas, se não forem requalificados para demonstrar simpatia e hospitalidade de uma forma diferente do que sorrir, afinal ele está com o rosto coberto e não pode se aproximar demais da mesa. Ou um hotel disponibilizar álcool em gel em todos os recintos e intensificar a limpeza, se não fortalecer sua rede de wifi, afinal as videoconferências entraram para a rotina de todos.

Se há uma tendência que aponta para a priorização das viagens de carro, não seria interessante que os empresários dos destinos compartilhassem informações sobre a segurança ao longo do caminho? Como, por exemplo, indicar um posto de gasolina bom e seguro no trajeto para o caso de necessidade de uma parada? Com o posicionamento de destinos e empreendimentos sustentáveis que muitos adotam, como conciliar a obrigação do uso de luvas plásticas descartáveis com a correta destinação dessa nova e enorme geração de resíduo?

Além de se preocupar apenas com mudanças pontuais, a própria capacidade de adaptação com velocidade precisa ser incorporada à cultura de todo e qualquer equipamento ou prestador de serviço turístico, pois é certo que muitas descobertas sobre a covid-19 ainda estão por vir, reorientando muitas das verdades defendidas atualmente. Procedimentos serão aperfeiçoados e precisarão ser atualizados, novos produtos de limpeza surgirão, e assim por diante.

É fundamental lembrar, ainda, que essa agilidade para pensar e implementar mudanças é característica essencial para a cultura das empresas do presente e do futuro, não apenas considerando o vírus, mas a incrível velocidade de transformação desta fase da nossa evolução.  O atual contexto econômico não facilita o investimento em tantas mudanças e poucos serão os negócios capazes de estar plenamente adaptados no curto prazo, mas é fundamental que os primeiros e mais importantes passos, bem orientados, estimulem um movimento consistente de todo o mercado.

Algumas importantes mudanças não necessitam apenas de dinheiro, e sim de boa vontade e criatividade, para que a essência do turismo baseada em boas experiências, atenção ao cliente, qualidade nos produtos e serviços e hospitalidade sejam repensadas e reapresentadas de formas diferenciadas.

As empresas que prosperarão após essa crise provavelmente serão aquelas que trabalham de forma integrada com viajantes e funcionários para criar soluções de maneira inovadora, ágil, considerando a sustentabilidade, disponibilizando novas maneiras de interação e que se comuniquem de maneira verdadeira e transparente.

Ninguém sabe ao certo o que acontecerá no futuro com o mercado, e quais serão os reais desdobramentos desta mudança global provocada pela covid-19. Há apenas uma certeza: Não bastará “apenas” ser seguro, mas ser melhor.

Vamos em frente!

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