Não deixe o marketing morrer, não deixe o turismo acabar

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É bem verdade que tive grandes mestres no Turismo. Pessoas que nem sempre possuíam grandes diplomas, mas que me ensinaram os macetes da indústria. Muitas vezes direcionados a como evitar cair em armadilhas ou para resolver encrencas causadas pela má fé presente no mundo dos negócios em nosso País.

Verdade seja dita. Nosso povo é muito criativo, inclusive para criar golpes. Os estrangeiros afirmam que se tamanha inteligência fosse utilizada para criar soluções – em vez de arapucas – isso nos daria vantagem competitiva.

O famoso meme que sugere à Nasa estudar o comportamento do brasileiro vem, na maioria das vezes, acompanhado de respostas criativas a problemas aparentemente insolúveis. Mas, em sua essência, reina a gambiarra – divertida, original, mas sempre gambiarra.

Teríamos mais chances enquanto nação se nós deixássemos de lado a alma de gato – não o bichano, mas o emaranhado de fios para roubar eletricidade. Nessa mesma linha, outro paradigma que atrapalha o País é o pouco reconhecimento a quem estudou. Títulos, décadas de estudo e pesquisa valem pouco hoje em dia. Os sabichões do Whatsapp conseguiram subverter a ordem natural da prosperidade.

Digo isso diante das decisões catastróficas que executivos têm tomado por conta da pandemia. Fugindo das teorias mais básicas da universidade. Do negacionismo à ciência a um otimismo infantil, de mentes que possivelmente creem em fadas madrinhas e bruxas canibais.

Dirigentes de empresas precisam ler, analisar gráficos, acompanhar trajetórias de vidas e separar o próprio querer da realidade. Claramente, nenhuma retomada do turismo se dará sem vacinação em massa. Este deveria ser o foco, a reinvindicação da indústria como um todo, não apenas das entidades patronais.

Uma pessoa vacinada não desenvolverá os sintomas graves e letais da covid-19, mas, ainda assim, poderá contaminar outras pessoas e ter possíveis sequelas. A vacinação não erradicará a doença, mas quanto maior número de pessoas ela alcançar, mais seguros todos nós estaremos. E mais rapidamente ocorrerá a recuperação do setor.

A vacinação não vai nos levar de volta ao mundo de outubro de 2019. Será outra realidade, certamente com protocolos de biossegurança mais fortes do que nunca. Surge a necessidade de muitas mudanças e de coragem. A começar pela hotelaria, passando pela aviação até chegar às agências de incentivo.

Ao contrário do que a maior parte dos profissionais pode dizer: A sobrevivência do setor – e mesmo o seu crescimento – depende, sim, de investimentos hoje. A gestão rigorosa de custos é essencial, mas não pode inviabilizar a existência de uma marca.

Lembro-me de um professor de Finanças, um dos maiores do País, que abriu minha cabeça quando cursei Administração, na Fundação Getúlio Vargas, nos anos 1990. Ele dizia, em um seminário de recuperação de empresas, que diante de um iminente colapso, deve-se impiedosamente cortar custos e renegociar dívidas, mas nunca deixar de investir em promoção de vendas.

Não era um marqueteiro quem apregoava tal máxima. Mas um homem das contas, com espírito de controller. A quase esmagadora maioria das empresas do turismo, cortou todos os gastos com publicidade e marketing neste último ano. Afastaram-se do consumidor. Deixaram de gerar conteúdo para ampliar sua participação no universo digital e ganhar posições junto a motores de busca.

A recuperação, quando houver, será ainda mais dolorosa para quem se escondeu na caverna nesses últimos 12 meses. É evidente que não faz sentido campanhas publicitárias milionárias, mas continuar gerando conteúdo relevante nas redes sociais e nos sites não é razão para concordata nem falência.

Empresas que não investiram na manutenção do relacionamento com seus distribuidores, clientes e prospects terão futuro muito mais nebuloso e tormentoso. Muitas marcas que continuaram se mostrando, se fazendo presentes, ajudando o brasileiro a lidar com a ansiedade tiveram resultados impressionantes. Conheço três empreendimentos no sul da Bahia que tiveram, em 2020, os melhores resultados de sua trajetória.

Porque história se faz assim: com coragem e estratégia. O enfrentamento da batalha exige conhecimento técnico, disciplina e até certos riscos. Mas nunca com medo, isolamento e fuga.

Imagem de 3D Animation Production Company por Pixabay

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