Necta lança Air Connected DX e debate setor aéreo pós-pandemia

Durante debate, convidados dividiram opiniões e estimaram distintos cenários pós pandemia, indo desde o mais otimista até o mais pessimista

Air Connected DX

Nesta terça, a Necta lançou, em parceria com a Fenelon Advogados, a plataforma Air Connected DX, iniciativa que visa promover, nos próximos quatro meses, de maneira digital, debates sobre a retomada do segmento aéreo. O primeiro encontro teve como tema “Futuro pós-coronavírus: a interligação do ecossistema para manter o mundo conectado” e contou com a participação de:

  • Adalberto Febeliano, vice-presidente de Operações Aéreas da Modern Logistics
  • Comandante Miguel Dau, diretor de Operações/COO do GRU Airport
  • Gianfranco Beting, CEO da Beting Consulting
  • Renato Covelo, Chief Legal & People Officer da Avianca Holdings
  • Ricardo Fenelon, sócio-fundador do Fenelon Advogados
  • Paula Faria, CEO da Necta e idealizadora do AirConnected DX

De acordo com Covelo, a aviação vai ter mudanças, com as regras sanitárias e de distanciamento que vão permanecer por um tempo. “Tudo vai depender, se vai ter vacina, se posso ficar próximo das pessoas. Vai mudar um pouco a cara e a gente vai se adaptar. Vamos ver como vai ser nessa retomada e ter paciência”, declara o profissional, que estima o retorno do cenário pré-pandemia em dois ou três anos.

Febeliano complementa e destaca que aeroportos, companhias aéreas e empresas de apoio tendem a sofrer muito com esse cenário. “Todo esse ecossistema vão sofrer nos próximos anos”, avalia. Pensando sobre as teleconferências, o executivo compara com o início dessa onda, anos atrás, quando se acreditava também que podiam influenciar na queda de viagens corporativas. “Acontece que este é um método barato e que influencia a geração de negócios. Não necessariamente a história se repete, mas não dá pra usar como premissa de queda”, pontua.

O vice-presidente de Operações Aéreas da Modern Logistics ainda deixa claro que suas expectativas se voltam para a aplicação da vacina da covid-19. “Acredito que o tráfego nacional voltando em um ano, não com os mesmos números de antes, mas bem encaminhados e o internacional em dois ou três anos”, estima.

Beting deixa claro que sua preocupação está focada na recessão causada pela pandemia e acredita que tudo vai depender da reação governamental de cada região. “Estados Unidos e Europa, por exemplo, já estão injetando auxílio para o setor, enquanto países não tão fortes economicamente, como o Brasil, só falam e não fazer. Esse é meu medo. As empresas que começaram a crise com dificuldades financeiras já estão fechando”, observa.

O profissional ainda apresenta uma estimativa de que o número de companhias aéreas irá diminuir ou se transformar, visto que as viagens internacionais devem ter uma queda de 50%. “Eu acho que em dois ou três anos a gente vai ter 20% das atuais desaparecendo por fusão ou falência, com as consequência econômica que isso vai gerar: menos empregos e achatamento de salário”, diz Beting, que acredita que a aviação nunca mais será a mesma e prevê o cenário pré-pandemia em sete anos.

A previsão de retorno impulsionado primeiramente no mercado internacional também faz parte das expectativas de Beting. “Eu espero que o brasileiro acorde e desperte que a gente tem o país mais desperdiçado do mundo, com potencial turístico mal explorado”, reforça o profissional.

Por sua vez, Dau ressalta que a aviação é uma das atividades que primeiro sofre com qualquer tipo pandemia econômica e a última a se recuperar. “Acredito que a vacina já vai estar sendo aplicada até meados do ano que vem, se não antes, e vou considerar este cenário. As questões sanitárias vieram para ficar em grande parte daquilo que já está colocado, com a tecnologia ajudando muito nisso. O mundo vai se adaptar a isso”, observa.

O comandante ainda afirma que a tecnologia vem com uma expectativa mais otimista do que a apresentada por Beting. “A necessidade faz a criação. As melhorias virão. A humanidade tem uma capacidade de adaptabilidade e a tecnologia vai trazer novas oportunidades”, pontua Dau, que usa o e-commerce como exemplo e que afirma que já é possível observar crescimento no fluxo de passageiros, com Guarulhos registrando cerca de 35 mil passageiros frente aos 8 mil registrados no final de março e começo de abril, considerado o pior momento.

A live completa está disponível neste link.


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