Novas competências para um turismo melhor

Há certo consenso entre especialistas de que existem alguns fatores críticos de competitividade a serem trabalhados estrategicamente nos destinos turísticos para que sejam mais atrativos, com destaque para as vertentes de infraestrutura, marketing e serviços. Este último merece especial atenção no Brasil, considerando as lacunas na formação educacional e profissional, e o baixo investimento empresarial.

Arrisco dizer que ainda não existe uma cultura média instalada de qualificação da mão de obra, de busca permanente pelo aperfeiçoamento profissional e de serviços de excelência. Em muitos municípios, grande parte dos profissionais atuantes no setor de Turismo teve, neste setor, o seu primeiro emprego ou uma oportunidade de conseguir uma fonte de renda, nunca tendo passado previamente por um processo de qualificação formal. Ou seja, desenvolveu suas competências ao longo de sua vida profissional, transitando entre diferentes estabelecimentos e posições, acumulando experiências e conhecimentos importantes, porém mantendo uma série de lacunas em sua formação.

Tais particularidades contribuem para a alta rotatividade da mão de obra e a baixa perspectiva de desenvolvimento profissional. Estes são desafios que contribuem para que trabalhadores e empresários não se motivem na busca por oportunidades de qualificação e, por consequência, não desenvolvam plenamente equipes eficientes com habilidades para servir com excelência e que garantam experiências felizes e a satisfação dos visitantes.

Além disso, e apesar da gama de oportunidades de trabalho geradas pelo Turismo, há uma grande dificuldade de equilíbrio entre as necessidades das empresas e as ofertas do meio educacional. De um lado predominam oportunidades para profissionais de nível técnico-operacional, enquanto no outro há preponderância de ofertas de cursos de nível superior, havendo claramente uma desconexão entre necessidades e ofertas.

Ressalta-se que a capacitação de qualidade no Turismo não envolve apenas conhecimento técnico, mas competências que proporcionem habilidades, conhecimentos e atitudes para resolver situações inesperadas decorrentes das especificidades da prestação de serviços nos vários segmentos turísticos, e que estejam conectadas aos conceitos e debates contemporâneos. Como inovação, sustentabilidade e, mais recentemente, biossegurança.

Atualmente, para que as empresas sejam competitivas, os profissionais precisam mais do que qualificação operacional e técnica. Devem possuir educação mais abrangente para melhor se adaptar ao novo modelo organizacional que enfatiza a qualidade, a variedade, a personalização, a conveniência, a gestão responsável e a economia de tempo.

A noção de competência, quando aplicada aos profissionais do setor de serviços – mais especificamente aos profissionais do setor de Turismo -, traz uma importante adequação do conceito educacional devido ao caráter de pessoalidade e de sua materialização na prestação do serviço.  O ato de servir, na maioria das vezes, é acompanhado por um contexto imprevisível que demanda permanentemente a mobilização de saberes e uma postura consciente de decisão “caso a caso”, amparada em bases de conhecimentos consolidados.

Portanto, podemos entender que o desenvolvimento de competências é o principal pressuposto para um programa voltado para a qualificação dos profissionais que atuam no setor, pois envolve a aquisição de conhecimentos (saber), o exercício de habilidades (saber fazer) e a tomada de atitudes (querer fazer) para o desempenho da solução de problemas, gerando resultados cada vez melhores.

Estamos vivendo momentos desafiadores, mas nada melhor do que algumas dificuldades para estimular uma mudança estruturante na qualidade do setor. Mar calmo não forma bom marinheiro.

Vamos em frente!

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